Um pacote robusto de medidas a caminho

Os mercados globais se assustaram diante da magnitude dos potenciais danos causados à economia provocados pelas medidas de contenção. Estamos vendo praticamente uma interrupção da atividade econômica, porém esperamos uma retomada com certos prejuízos permanentes, limitados a algumas áreas, mas é crucial que as autoridades implementem uma resposta contundente de política fiscal e monetária, tanto para as famílias quanto para as empresas. E isso já está começando. O compromisso de uma resposta política foi imediato, e esperamos que o estímulo fiscal tenha uma impacto similar ao da crise financeira de 2008, porém com um prazo mais curto. Acreditamos que a volatilidade dos mercados ainda não considera toda a dimensão dos programas de estímulo que estão sendo anunciados, e ainda há mais por vir.

Principais pontos

Um estímulo fiscal robusto para reduzir o impacto econômico do coronavírus está a caminho, porém os mercados ainda o subestimam.
Os bancos centrais estão impedindo que o sistema financeiro fique travado e se prontificam a fazer mais.
Acreditamos que os investidores devem manter uma perspectiva de longo prazo, com exposições de referência em ativos de risco.

Os números estão mudando a cada dia, refletindo as atualizações em tempo real sobre o potencial impacto econômico. As autoridades norte-americanas começaram a crise anunciando um estímulo mínimo e agora falam de mais de US$ 1 trilhão, ou aproximadamente 5% do PIB.

Os planos contemplam medidas que já defendíamos: políticas diretas ou alívio no fluxo de caixa das famílias e empresas, especialmente as pequenas, por exemplo, com concessões em dinheiro.

Os planos contemplam medidas que já defendíamos: políticas diretas ou alívio no fluxo de caixa das famílias e empresas, especialmente as pequenas, por exemplo, com concessões em dinheiro. A União Europeia comprometeu 1% do seu PIB, e cada um dos países sinalizou valores e garantias financeiras ainda maiores, sendo que as garantias vão desde 10% do PIB até um apoio ilimitado de liquidez. A política fiscal é a linha de frente da ação de política econômica e deveria focar em impulsionar a saúde pública e aliviar a restrição nos fluxos de caixa por meio de injeções de liquidez. O Reino Unido, o Canadá e a Austrália estão servindo de modelo em matéria de coordenação de política fiscal e monetária.

Para os bancos centrais, o foco principal é o de atuar sobre as disfunções nos preços do mercado e sobre as restrições nas condições financeiras. O Fed anunciou uma série de medidas de liquidez para desbloquear os entraves do sistema financeiro. O Banco Central Europeu anunciou uma resposta mais agressiva, após um problema de comunicação na semana passada, com um programa de compra de títulos de € 750 bilhões. As autoridades europeias também poderão colocar em prática o Mecanismo Europeu de Estabilidade sobre medidas de afrouxamento para liberar ainda mais a capacidade de compra de títulos.

Em nossa análise, os mercados deverão se acalmar, em última instância, quando três condições forem atendidas: 1) visibilidade sobre o tamanho real da epidemia e evidências de que a curva de infecção chegou ao seu pico no longo prazo; 2) implementação de pacotes econômicos coordenados e que demonstrem credibilidade; 3) confiança de que os mercados voltem a funcionar normalmente. Uma vez que possamos melhor compreender a escala da epidemia e as dimensões do seu impacto, a resposta da política econômica em curso está criando as condições necessárias para uma eventual, e significativa, retomada. É por isso que continuamos neutros em ativos de risco e acreditamos que os investidores devem manter uma perspectiva de longo prazo. Enfatizamos a resiliência dos portfólios por meio de alocações de referência em títulos governamentais, ações de qualidade, liquidez e investimentos sustentáveis. Para investidores de longo prazo, criou-se um valor significativo nos ativos de risco.

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