2020 Global Outlook
Panorama global semestral de 2020

O futuro está chegando

A melhora do cenário macroeconômico, a forte subida do mercado de ações e a crescente volatilidade nos deixam moderadamente pró-risco.
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Atualização de setembro

Os mercados subiram forte após os mínimos da pandemia, impulsionados pela revolução nas políticas públicas e a retomada econômica. As valorações mais ajustadas aumentam o risco de volatilidade adicional nos mercados, especialmente diante da polarizada corrida presidencial norte-americana. Diante desse cenário, nos mantemos moderadamente pró-risco em bases táticas, com preferência por crédito.

A retomada da atividade está se ampliando. No entanto, está avançando com distintas velocidades, devido às diferenças com relação à dinâmica do vírus nos países. A menor incidência de óbitos explica, em parte, por que o mercado não deu muita importância para o novo aumento nas infecções. O prazo para desenvolvimento da vacina surpreendeu positivamente, diante dos esforços acelerados em todo o mundo. Ainda assim, a imunização não é nenhuma panaceia para a economia e a recuperação aos níveis pré-COVID vai levar algum tempo.

Uma resposta conjunta e sem precedentes de políticas monetária e fiscal está atenuando os fluxos de receita que foram afetados. A exaustão do estímulo fiscal está se tornando um risco, principalmente nos EUA, sendo que até a Europa já reforçou o seu apoio fiscal. O novo sistema de política monetária do Federal Reserve deve trazer grandes implicações para o resultado da inflação, pois permite que ela exceda a meta, deixando de haver uma preocupação com o superaquecimento do mercado de trabalho. Em combinação com as mudanças estruturais aceleradas pela COVID‑19, como a desglobalização, vemos um regime inflacionário mais elevado no médio prazo.

Nossos temas de investimento para 2020

Retomada da atividade
As evidências de danos permanentes para a economia são limitadas até agora. O ajuste para um mundo pós-COVID poderia ser difícil para setores sensíveis ao contato físico.
A revolução das políticas públicas
Ações históricas em políticas, o novo sistema de metas de inflação do Fed e a aceleração das mudanças estruturais deverão aumentar os riscos de inflação no médio prazo.
Verdadeira resiliência
Os países e as empresas deverão retornar como elementos diversificadores para os portfólios em um mundo mais fragmentado.

A saúde pública e as crises econômicas estão exacerbando as desigualdades históricas entre níveis de renda, etnias e países. Muitos mercados emergentes estão enfrentando enormes desafios na área da saúde, desglobalização e políticas públicas. A pandemia expôs vulnerabilidades nas cadeias globais de suprimento e deu ímpeto à fragmentação geopolítica. Isso levou a uma revolução nas políticas públicas que torna difusa a fronteira entre ação fiscal e monetária, o que poderia solucionar parte das crescentes desigualdades. E tudo isso está valorizando ainda mais a sustentabilidade, a responsabilidade corporativa e a resiliência das empresas, setores e países.

O sentimento do mercado tem sido marcado pelo imediatismo da evolução da pandemia e pela resposta política, porém esses limites estruturais estão transformando o panorama dos investimentos e serão determinantes para os retornos no futuro. Em outras palavras, o futuro é agora!

Na BlackRock, estamos concentrados na criação de uma verdadeira resiliência para o portfólio como um todo. Isso vai mais além do uso da resiliência financeira para construir um mix melhor de retornos; estamos falando em garantir que os portfólios estejam bem posicionados, em um nível mais granular, de acordo com os temas subjacentes, incluindo a sustentabilidade. A medida mais importante que os investidores precisam tomar hoje, na nossa opinião, seria revisar a alocação estratégica de ativos, assegurando que os portfólios estejam resilientes diante das tendências implacáveis.

Nós enfatizamos, portanto, três ações estratégicas. Em primeiro lugar, a revolução nas políticas públicas, combinada com o risco de choques de oferta, aumenta o prognóstico inflacionário no médio prazo e põe em xeque o tradicional papel de proteção dos títulos governamentais nominais em um horizonte estratégico. Em segundo lugar, a pandemia acelerou a ruptura de paradigmas em direção à sustentabilidade. O terceiro ponto é o processo de desglobalização e fragmentação, que deverá aumentar o foco na resiliência: diversificar através das empresas, setores e países que estão melhor posicionados para capitalizar essas tendências.

Veja a nossa atualização de setembro em gráficos

Nossos autores
Philipp Hildebrand
Vice Chairman
Jean Boivin
Managing Director, Global Head of Research for the Blackrock Investment Institute
Elga Bartsch
Managing Director, Head of Macro Research of the BlackRock Investment Institute
Mike Pyle
Chief Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist