PERSPECTIVA DE INVESTIMENTO GLOBAL 2019

Nossas últimas perspectivas sobre o mercado

14 dez 2018
por BlackRock Investment Institute

Identificamos três novos temas no mercado e atualizamos nossas perspectivas para os ativos em 2019. Vemos uma desaceleração no crescimento da economia global e no resultado das empresas. Esperamos que o Federal Reserve se baseie mais em dados referente ao aumento das taxas. Para os investidores, maior incerteza requer equilíbrio entre risco e retorno.

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Esperamos um menor crescimento global no próximo ano e vemos o crescimento dos EUA se estabilizando em nível muito mais elevado que em outras regiões, mesmo com a diluição dos efeitos do incentivo fiscal de 2018. Os mercados estão vulneráveis a receios de que há uma recessão por vir, embora vejamos como baixo o risco efetivo de um cenário como esse nos EUA em 2019. O crescimento dos resultados globais também é visto como moderado em 2019, acompanhando a perspectiva de crescimento mais tímido.

Estamos falando de uma desaceleração no ritmo do crescimento econômico, não necessariamente do fim da expansão.

- Kate Moore, Chief Equity Strategist, BlackRock Investment Institute
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    Kate Moore :

    O primeiro tema da nossa perspectiva para 2019 é a desaceleração do crescimento. Mas sejamos claros: estamos falando de uma desaceleração no ritmo do crescimento econômico, não necessariamente do fim da expansão. Na realidade, vemos a expansão econômica global se mantendo não apenas em 2019, mas em 2020. Essa consideração é importante porque, no começo de 2018, tínhamos uma perspectiva clara de expansão sustentada e sincronizada. Mas, no decorrer do ano, passamos a esperar uma variação significativa da taxa de crescimento de diversas regiões e países. Isso vai gerar boas oportunidades de investimento e implicações relevantes para os ativos de risco de todas as diferentes regiões. Falamos também sobre uma desaceleração no ritmo do crescimento dos resultados em 2019 e, assim como com o crescimento econômico, vale ressaltar que essa é uma desaceleração no ritmo, mas não efetivamente o fim do que acreditamos ser uma expansão sustentada dos resultados nos próximos anos. Quais são os impactos nos investimentos? Em um mundo em que a expansão do crescimento desacelera e o crescimento dos resultados será inferior ao de 2018, acreditamos que os investidores precisam ser muito mais diferenciados e táticos nos ativos do portfólio do que foram em outro momento do ciclo. Com isso, teremos oportunidades em diversas regiões e setores. Nossas duas regiões favoritas quanto a crescimento da economia e dos resultados são os EUA e os mercados emergentes liderados pela China. Acreditamos que ambos se ajustaram às mudanças políticas ao longo do ano e estão bem posicionados para apresentar resultados positivos no próximo ano.

Vemos o processo de aumento dos rendimentos (e redução das avaliações) gerado pelas condições financeiras mais restritivas sendo suavizado em 2019. Por quê? As taxas de juros americanas estão a caminho da neutralidade – o nível em que a política monetária não estimula nem restringe o crescimento. Estimamos uma taxa neutra atual de 3,5%, exatamente no meio da faixa de longo prazo de 2,5% a 3,5% identificada pelo Fed. Ainda assim, esperamos que o Fed faça uma pausa em seu ritmo trimestral de aumentos em meio à desaceleração do crescimento e da inflação em 2019.

Hoje, segundo nossa análise, vemos condições financeiras mais restritivas, mas ainda relativamente frouxas.

- Terry Simpson, Multi-Asset Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
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    Terry Simpson :

    Nosso segundo tema para a perspectiva para o próximo ano é o estabelecimento de um nível praticamente neutro. É verdade que o Federal Reserve está se aproximando da taxa neutra, que é a taxa que não estimula nem restringe o crescimento econômico. No entanto, segundo nossas estimativas, o Federal Reserve ainda está bem abaixo do nível da taxa neutra na economia. Porém, também é verdade que as condições financeiras estão se tornando mais restritivas. Temos que entender que o Federal Reserve tem elevado as taxas de juros desde 2015, além de continuar normalizando seus balanços. Hoje, segundo nossa análise, vemos condições financeiras mais restritivas, mas ainda afirmamos que estão relativamente frouxas. Do outro lado do oceano, ainda vemos o Banco Central Europeu, além do Banco do Japão, muito longe de formar uma política monetária totalmente normalizadora.

A maior incerteza, principalmente quanto ao impacto dos crescentes conflitos comerciais, indica a necessidade de adicionar ativos de qualidade aos portfólios. No entanto, criar portfólios mais resilientes não se resume a reduzir risco, já que o posicionamento excessivamente defensivo pode impactar as metas de longo prazo dos investidores. Recomendamos exposições a títulos públicos como proteção para o portfólio, somadas a alocações de alta convicção em áreas que oferecem remuneração atrativa para o risco imposto.

A ideia é ter uma estratégia barbell para os portfólios em 2019 com o intuito de reduzir parte da incerteza que vemos.

- Terry Simpson, Multi-Asset Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
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    Terry Simpson :

    Por isso, intitulamos nosso terceiro tema como Equilíbrio entre risco e retorno. Em 2018, vimos a incerteza explicando uma maior parcela dos retornos dos ativos de risco. Então, o que devemos fazer para reduzir essa incerteza no portfólio? Um dos aspectos que levamos em consideração na BlackRock é aconselhar nossos clientes a formar portfólios resilientes. Mas portfólios resilientes não são apenas os que apresentam baixo risco. Adotar uma postura muito defensiva no portfólio pode, na verdade, ir contra as suas metas estratégicas. O que defendemos é uma abordagem barbell. Por um lado, maiores exposições a ativos defensivos, como títulos do tesouro americano de curto prazo, que são atraentes em virtude do nível de rendimento, além de ações de qualidade e/ou o fator de qualidade. Do outro lado dessa abordagem barbell, temos que pensar nos ativos de risco que se beneficiarão caso vejamos uma redução da incerteza e das tensões comerciais, ou seja, os ativos que basicamente oferecem prêmio de risco atrativo dado o declínio que vimos em 2018. Portanto, a ideia é ter uma estratégia barbell para os portfólios em 2019 com o intuito de reduzir parte da incerteza que vemos.

Medo crescente de recessão

Este ciclo tem sido longo e superficial e, na nossa opinião, ainda tem espaço para se manter. Mas até quando? Nossos analistas sugerem que a probabilidade de uma recessão nos EUA para o prazo de um ano ainda é relativamente baixa, em linha com nosso caso-base de expansão econômica contínua em 2019. Ainda assim, é provável que as chances de recessão aumentem de forma estável após o próximo ano, com uma probabilidade acumulada de mais de 50% até 2021. Veja o Relógio da recessão.

Ponto principal
"Vemos essa expansão econômica se mantendo em 2019, mas a probabilidade de recessão se elevando depois disso com a maturação do ciclo.”
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Mudança na geopolítica

Os atritos comerciais permanecem elevados, mas parecem mais refletidos nos mercados do que há um ano. A Europa é o que nos preocupa. Não esperamos surtos imediatos na região, mas acreditamos que os investidores podem estar subestimando as ameaças de médio prazo à união europeia. Alguns ativos da Europa, como ações da Itália e títulos financeiros europeus, sofreram grandes prejuízos no passado quando os riscos de fragmentação da Europa se intensificaram. Veja o gráfico Risco geopolítico.

Ponto principal
“Os riscos políticos da Europa podem estar subestimados enquanto que as divergências comerciais parecem mais refletidas no preço dos ativos do que há um ano atrás.”
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Renda fixa

A elevação das taxas voltou a tornar os títulos de curto prazo dos EUA uma fonte atrativa de receita. Hoje, os títulos do tesouro de dois anos oferecem cerca de 90% do rendimento do título de dez anos com apenas um quinto do risco de duração. O cenário parece semelhante no crédito. Veja o gráfico de Curto prazo supera o de longo prazo. Mesmo assim, estamos considerando títulos de dívida de longo prazo como proteção do portfólio contra receios de recessão e uma possível fonte de capital, caso a curva de rendimento se inverta. Em geral, maiores rendimentos e os benefícios da diversificação nos deixam mais positivos com relação aos títulos públicos americanos. Quando o assunto é risco, preferimos ações a crédito.

Ponto principal
“Uma curva de rendimento sem inclinação nos EUA significa que os títulos de curto prazo oferecem rendimento atrativo.”
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Ações

Qualidade é a chave no amadurecimento de um ciclo. Nossos indicadores de qualidade incluem solidez em fluxo de caixa livre, crescimento e balanços patrimoniais. E há um setor em que esses fatores prevalecem: a saúde. O setor ainda mostrou baixa sensibilidade ao crescimento global, o que, historicamente, gera resiliência no fim do ciclo. Veja o gráfico Buscando fundamentos saudáveis. Nossa perspectiva positiva é sustentada também pelas tendências demográficas e de inovação favoráveis, além de uma perspectiva de resultados sólidos em setores defensivos.

Ponto principal
“O setor de saúde é favorecido em 2019 por seu potencial atrativo no fim dos ciclos."
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Visões de classes de ativos

Visões a partir da perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de três meses

 

Classe de ativo Visão Comentários
Ações EUA icon-up Os ganhos corporativos e o forte crescimento econômico sustentam nossa visão positiva. Temos cada vez mais preferência por empresas de qualidade com fortes balanços patrimoniais, na medida em que as perspectivas macroeconômicas e de resultados para 2019 tornam-se mais incertas. O setor de saúde está entre nossos favoritos.
Europa icon-down O crescimento relativamente atenuado dos ganhos, o fraco momentum econômico e os riscos políticos são desafios. Um viés de valor torna a Europa menos atrativa sem um catalisador claro de desempenho superior de valor. Preferimos nomes de qualidade superior, focados no mercado global.
Japão icon-neutral Vemos o enfraquecimento do iene, fundamentos empresariais sólidos e avaliações baratas como favoráveis, mas aguardamos um catalisador claro para impulsionar um desempenho superior sustentado. Outros aspectos positivos incluem um comportamento corporativo favorável ao acionista, a compra de ações do banco central e a estabilidade política.
Mercados emergentes icon-up Avaliações atrativas, juntamente com um cenário de reformas econômicas e crescimento sólido dos ganhos, favorecem ações de mercados emergentes. Vemos um baixo risco de contágio financeiro. As incertezas com o comércio devem persistir, mesmo após boa parte delas já ter se refletido nos preços. Vemos as maiores oportunidades nos mercados emergentes da Ásia.
Ásia, exceto Japão icon-up O cenário econômico e de resultados é encorajador, com resiliência em curto prazo na China e ganhos corporativos robustos. Vemos positivamente alguns mercados específicos do sudeste asiático, mas reconhecemos que uma desaceleração chinesa pior do que o esperado ou problemas no comércio global podem representar riscos para toda a região.
Renda fixa Obrigações do governodos EUA icon-neutral Rendimentos maiores e uma curva com menos inclinação após uma série de aumentos de taxas do Fed tornam os títulos de curto a médio prazo uma fonte de renda mais atrativa. Títulos com vencimentos mais longos também estão ganhando apelo como compensação para o risco das ações, particularmente porque o Fed se aproxima da taxa neutra e a pressão de elevação de taxas é mais limitada. Vemos valor razoável em hipotecas. A dívida vinculada à inflação se desvalorizou, mas não vemos um catalisador óbvio para desempenho superior.
Precatórios EUA icon-neutral Uma demanda sólida dos investidores do varejo e uma oferta atenuada são pontos a favor, mas taxas em crescimento pesam sobre o desempenho absoluto. Preferimos uma postura de duração neutra e um viés de alta qualidade em curto prazo. Recomendamos o foco em vencimentos de dois e 20 anos.
Títulos de crédito dos EUA icon-neutral Fundamentos sólidos apoiam os mercados de crédito, mas as preocupações econômicas de ciclo atrasado representam um risco para as avaliações. Somos a favor de uma postura up-in-quality com preferência por crédito de grau de investimento. Mantemos uma visão equilibrada entre títulos de alto rendimento e empréstimos.
Títulos soberanos europeus icon-down Os rendimentos estão relativamente pouco atrativos e vulneráveis a qualquer fôlego de crescimento. Diferenciais de taxa crescente tornaram as soberanias europeias mais atrativas para investidores globais com hedges cambiais. Spreads italianos refletem um pouco de risco.
Crédito europeu icon-neutral As avaliações são atrativas, especialmente com base em hedging, para investidores em dólar dos EUA. Vemos oportunidades em produtos industriais, mas somos cautelosos em outros setores cíclicos. Preferimos dívida financeira sênior, que se beneficiaria com qualquer nova rodada de compras de ativos pelo BCE, a atividades financeiras subordinadas. Preferimos crédito europeu a crédito do Reino Unido devido aos riscos do Brexit. A incerteza política é uma preocupação.
Dívidas de mercados emergentes icon-neutral Preferimos títulos de dívida em moeda forte a moeda local e títulos corporativos de mercados desenvolvidos. Uma oferta fraca e fundamentos amplamente fortes em mercados emergentes se somam ao apelo relativo dos títulos de dívida de mercados emergentes em moeda forte. As disputas comerciais e as condições financeiras mais restritas pedem uma abordagem mais seletiva.
Renda fixa da Ásia icon-neutral Fundamentos estáveis, avaliações mais baratas e a desaceleração das emissões criam um cenário favorável. A representação da China no universo de títulos regional está crescendo. Um crescimento com mais qualidade e o foco na reforma do setor financeiro são aspectos positivos de longo prazo, mas uma desaceleração acentuada no crescimento da China seria um desafio.
Outra opção Commodities e moedas * Uma reversão no recente excesso de oferta deve sustentar os preços do petróleo. Qualquer flexibilização das tensões comerciais poderia sinalizar um potencial de crescimento dos preços de metais industriais. Vemos o dólar americano com neutralidade. Isso mantém o apelo de “porto seguro”, mas os ganhos podem ser limitados por uma alta valorização e uma diminuição da diferença de crescimento com o resto do mundo.

icon-up Overweight  icon-neutral Neutro  icon-down Underweight

* Dada a amplitude desta categoria, nós não oferecemos uma visão consolidada.

Richard Turnill
Global Chief Investment Strategist
Richard Turnill, Managing Director, is Global Chief Investment Strategist for BlackRock, leading the Investment Strategy Function within the BlackRock ...
Elga Bartsch
Head of Economic and Markets Research
Isabelle Mateos y Lago
Global Macro Strategist, BlackRock Investment Institute
Isabelle Mateos y Lago, Managing Director, is a global macro investment strategist in the Investment Strategy team of the BlackRock Investment Institute. The ...
Kate Moore
Chief Equity Strategist, Americas
Kate Moore, Managing Director, is Chief Equity Strategist – Americas for BlackRock and is a member of the BlackRock Investment Institute. She is responsible for ...