PERSPECTIVA DE INVESTIMENTO GLOBAL DO 4º TRIMESTRE DE 2018

Nossas visões para o quarto trimestre

05 out 2018

Vemos em andamento uma expansão global constante, sustentada por um crescimento acima da tendência nos EUA. Contudo, o leque de possíveis resultados econômicos está aumentando. Os aumentos gradativos dos juros nos EUA restringem as condições financeiras em todo o mundo, contribuindo para períodos de volatilidade e acentuada desvalorização das moedas dos mercados emergentes. Também aprofundamos as perspectivas para os mercados emergentes após um desinvestimento persistente e inesperado.

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Uma sólida perspectiva de crescimento global de curto prazo é obscurecida por incertezas persistentes e elevadas. O crescimento acima da tendência nos EUA está sustentando o produto interno bruto do G7. Com a proximidade do final do ano, os gastos fiscais nos EUA estão aumentando, mantendo o risco de superaquecimento econômico em nosso radar. As tensões comerciais dão poucos sinais de que vão acalmar. As tarifas têm o potencial de abalar as cadeias de abastecimento corporativas e solapar a confiança das empresas.

...Em nosso caso base (...) ainda acreditamos que o crescimento global será estável e se manterá pelo resto de 2018.

- Terry Simpson, estrategista de investimentos em multiativos, BlackRock Investment Institute
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    Terry Simpson :

    For our first theme for Q4 outlook, we see wider range of growth outcomes. While we still see steady, above-trend global growth happening in 2018, really being led by United States, even in China, we should actually see stable resilient growth. However, we’ve had a rise in macro uncertainty. Now this rise in macro uncertainty is being driven by one, fears of an overheating U.S. economy, given we are late in the economic cycle, but also secondarily, the rise of the trade conflict between the United States and other global peers. However, again our base case is we still think global growth will be steady and will push forward through the rest of 2018.

O aumento gradativo das taxas de juros dos EUA restringe as condições financeiras em todo o mundo. Em decorrência disso, um dólar mais forte agravou os problemas das economias mais vulneráveis dos mercados emergentes. Os juros mais elevados nos EUA também aumentam o estresse dos mercados emergentes, pois criam uma corrida por capital. Hoje, os investidores podem receber retornos decentes em títulos de curto prazo dos EUA, sem a necessidade de assumir grandes riscos de crédito e duração. Em razão disso, os investidores redefiniram suas expectativas de retorno para ativos mais arriscados, em especial os ativos de mercados emergentes e as ações em geral.

Condições financeiras mais restritas manifestam-se em três áreas essenciais dos mercados financeiros: juros mais altos, prêmio de risco mais elevado e dólar mais forte.

- Jeff Rosenberg, diretor de estratégia de renda fixa, BlackRock Investment Institute
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    Jeff Rosenberg :

    Rising macro uncertainty and less easy monetary policy combined to form tighter financial conditions, the second of our key themes for the quarterly outlook for 2018. Tighter financial conditions manifest itself in three key areas in financial markets. The first is higher interest rates, the second is a higher risk premium, and the third is a stronger dollar. Most notably, the stronger dollar and tighter financial conditions showed up in the form of weakening prices and higher volatility in assets both debt and equity in emerging markets. The implications of tighter financial conditions is a theme for investors, show up mainly in the fixed income portfolio. Here, we see the restoration of value, interest rates above the level of inflation, restoring the risk and reward attraction of the short end of the yield curve. This is one area where we see some of the best risk adjusted returns for investors. Secondly the role of fixed income as ballast against our equity portfolios highlights the need and attraction of moving up in quality in the fixed income portfolio exposures. This helps to secure the role of ballast in fixed income against our more positive views on equity risk and our equity overweights.

O aumento da volatilidade no mercado, em razão da crescente incerteza macro e do arrocho das condições financeiras, exige um maior foco na resiliência dos portfólios. As ações dos EUA estão no topo de nossa lista de preferência. Nossa tendência é privilegiar o fator momentum, mas vemos as exposições de qualidade no papel de amortecedor. Em renda fixa, preferimos os títulos de curto prazo nos EUA e assumimos uma postura de alta qualidade no crédito. Também gostamos de títulos de dívida específicos de mercados emergentes em moeda forte em comparação com a variedade local. As avaliações estão mais atrativas, e visualizamos um melhor isolamento contra novas desvalorizações cambiais.

... Decidimos moderar a nossa posição de risco... A maneira como fizemos isso foi tentar focar em diferentes segmentos dos mercados que nos fornecem amortecedores macro e a potenciais choques de mercado.

- Terry Simpson, estrategista de investimentos em multiativos, BlackRock Investment Institute
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    Terry Simpson :

    So how do you combine these first two themes, a wider range of growth outcomes as well as tighter financial conditions? From a portfolio construction exercise, this had led us to our third theme of greater portfolio resilience. When we think about our risk stance right now across portfolios from a BlackRock perspective, while we still think risk assets will benefit portfolios, we have decided to temper our risk stance down just a hair. And the way that we’ve done this is try to focus on different segments of the markets that really give us buffers in our portfolios to macro and potentially market shocks. So we still remain overweight U.S. equities, we like the opportunities there, but we are also still overweight emerging market equities, particularly emerging market Asia. We think the correction in valuations has priced in some of the fears over trade conflicts, and so we’re actually remaining overweight emerging market equities. Also from a factor perspective, while we continue to be overweight momentum, which is a risk on factor, the other thing we try to do is balance out that from a diversification standpoint and still continue to recommend actually quality as a factor to offer another buffer for portfolios. From a fixed income perspective, we want to be up in quality across the credit spectrum, both in corporate, but as well even in emerging market debt. And then lastly, from a thematic perspective, we think investors should think about ESG investing, which has shown benefits for diversification but as well as alpha opportunities.

Baixa nos mercados emergentes

Neste ano, os problemas dos mercados emergentes decorrem de um poderoso coquetel de itens negativos. E as moedas dos mercados emergentes sofreram com recentes desinvestimentos. As maiores vítimas: as moedas das economias de mercados emergentes com maiores déficits em conta corrente e maiores cargas de dívida externa. Acompanhe os detalhes no Marcador de mercados emergentes da BlackRock. A volatilidade das moedas de mercados emergentes disparou a níveis mais elevados do que no “taper tantrum” de 2013. Na ocasião, o diretor do Fed, Ben Bernanke, sinalizou o começo do fim das compras de novos ativos. Porém, ainda não houve nenhum contágio visível em outras categorias de ativos globais. Veja o gráfico Crise como de costume.

Key insight
“Neste ano, voltaram a surgir fragilidades em mercados emergentes específicos, mas ainda não as encaramos como uma ameaça aos mercados globais.”
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Os fluxos e a China

Já observamos algumas saídas graduais de fundos dos mercados emergentes, mas ainda não há sinais de capitulação dos investidores. Isso está acontecendo tanto em títulos de dívida quanto em ações de mercados emergentes, mas com diferenças importantes: a atual baixa segue um período de influxos pesados em estratégias de dívida de mercados emergentes, à medida que políticas monetárias de crédito fácil deprimiram os rendimentos e induziram os investidores a alternativas mais arriscadas. Por outro lado, os fluxos para ações de mercados emergentes desde 2016 têm sido mais silenciosos. Observe o gráfico A maré está mudando?.

Key insight
“Vemos espaço para fluxos renovados rumo a ativos de mercados emergentes, especialmente em ações, onde os investidores estão levemente posicionados.”
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Renda fixa

A dívida de mercados emergentes em moeda forte está ganhando certa atratividade. Os rendimentos subiram ao topo da sua faixa nesta década, eliminando a diferença que geralmente há em relação à moeda local. Consulte o gráfico Preferência por moeda forte. Muito cedo para embarcar? A nossa análise da história dos desinvestimentos de títulos de dívida de mercados emergentes em moeda forte desde 1994 mostra que, sempre após desinvestimentos da atual magnitude, os retornos totais foram positivos nos 12 meses seguintes. Mas constatamos que ainda não chegamos lá nas obrigações em moeda local.

Key insight
“Preferimos dívida de mercados emergentes em moeda forte e estamos evitando a variedade em moeda local.”
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Ações

Acreditamos que ainda vale a pena arriscar em ações. Estimativas de ganhos robustos em 2018 tornam os EUA a nossa região preferencial. Uma perspectiva de ganhos mais fraca e os iminentes riscos políticos nos deixam menos entusiasmados com a Europa, enquanto as ações japonesas carecem de um catalisador mais claro para impulsionar o seu desempenho. Não perdemos a confiança nos mercados emergentes, onde a força da economia está começando a se traduzir no crescimento sustentado de ganhos fortes pela primeira vez em uma década. O desinvestimento recente restaurou bastante valor, e hoje os mercados emergentes são negociados com um grande desconto em comparação às ações dos mercados desenvolvidos. Observe o gráfico Liquidação.

Key insight
“O desinvestimento em 2018 restaurou o valor nos mercados emergentes, uma de nossas regiões preferenciais.”
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Visões de classes de ativos

Visões a partir da perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de
três meses

 

Classe de ativo Visão Comentários
Ações EUA icon-up Nossa visão positiva está alicerçada em forte momentum dos ganhos, redução da carga tributária sobre as empresas e estímulo fiscal. Preferimos o fator momentum e vemos um papel para exposições de qualidade em meio a um crescimento global estável, mesmo com o cenário de crescente incerteza. O setor de tecnologia encabeça a nossa lista de setores favoritos.
Europa icon-down O crescimento relativamente atenuado dos ganhos, o fraco momentum econômico e os riscos políticos são desafios. Um viés de valor torna a Europa menos atrativa sem um catalisador claro de desempenho superior de valor. Preferimos nomes de qualidade superior, focados no mercado global.
Japão A orientação de valor do mercado é uma ameaça sem um catalisador de crescimento claro. A valorização do iene é outro risco. Os aspectos positivos incluem um comportamento corporativo favorável ao acionista, ganhos corporativos robustos e apoio à compra de ações do Banco do Japão.
Mercados emergentes icon-up Avaliações atrativas, juntamente com um cenário de reformas econômicas e crescimento sólido dos ganhos, favorecem ações de mercados emergentes. Vemos um baixo risco de contágio financeiro. As incertezas com o comércio devem persistir, mesmo após boa parte delas já ter se refletido nos preços. Vemos as melhores oportunidades nos mercados emergentes da Ásia por conta de fundamentos fortes.
Ásia, exceto Japão icon-up O cenário econômico e de ganhos é encorajador, com resiliência em curto prazo na China, apesar do crescimento lento do crédito. Vemos positivamente alguns mercados específicos do sudeste asiático, mas reconhecemos que uma desaceleração chinesa pior do que o esperado ou problemas no comércio global podem representar riscos para toda a região.
Renda fixa Obrigações do governodos EUA icon-down Vemos as taxas crescendo moderadamente em meio à expansão econômica e ao processo de normalização do Fed. Vencimentos mais longos estão vulneráveis à inclinação da curva de rendimento, mas devem oferecer proteção ao portfólio diante de receios em relação ao crescimento. Preferimos dívida de curta duração e vinculada à inflação como proteção contra taxas e inflação crescentes. Preferimos as hipotecas de 15 anos às de 30 anos e a títulos corporativos de curto prazo.
Precatórios EUA Uma demanda sólida dos investidores do varejo e uma oferta atenuada são pontos a favor, mas taxas em crescimento pesam sobre o desempenho absoluto. Preferimos uma postura de duração neutra e um viés de alta qualidade em curto prazo. Recomendamos o foco em vencimentos de dois e 20 anos.
Títulos de crédito dos EUA O crescimento estável sustenta o crédito, mas altas avaliações representam um limite. Preferimos crédito com grau de investimento como proteção contra o risco das ações. Acreditamos que instrumentos de taxa flutuante de qualidade superior e vencimentos mais curtos estão bem posicionados para juros mais altos.
Títulos soberanos europeus icon-down A política de taxa de juros negativa do BCE tornou os rendimentos pouco atraentes e vulneráveis à melhora das perspectivas de crescimento. Acreditamos que haverá um aumento dos rendimentos de base da zona do euro. As avaliações nos países periféricas parecem estar no limite. A exceção é a Itália, onde os spreads refletem riscos políticos em ebulição. A aproximação do fim das compras de ativos líquidos por parte do BCE pode reduzir o apetite por essa classe de ativo.
Crédito europeu icon-down O aumento das emissões e os riscos políticos ampliaram os spreads e geraram certo valor. As taxas negativas prejudicaram os rendimentos, mas diferenciais de taxas crescentes tornam posições com hedge cambial atrativas para quem investe em dólar americano. Mantemos a cautela com relação à dívida financeira subordinada, mesmo com avaliações mais baratas.
Dívidas de mercados emergentes Preferimos títulos de dívida em moeda forte a moeda local e títulos corporativos de mercados desenvolvidos. Uma oferta fraca e fundamentos amplamente fortes em mercados emergentes se somam ao apelo relativo dos títulos de dívida de mercados emergentes em moeda forte. As disputas comerciais e as condições financeiras mais restritas pedem uma abordagem mais seletiva.
Renda fixa da Ásia Fundamentos estáveis, avaliações mais baratas e a desaceleração das emissões criam um cenário favorável. A representação da China no universo de títulos regional está crescendo. Um crescimento com mais qualidade e o foco na reforma do setor financeiro são aspectos positivos de longo prazo, mas uma desaceleração acentuada no crescimento da China seria um desafio.
Outra opção Commodities e moedas * Estoques saudáveis sustentam os preços do petróleo. As tensões comerciais aumentam o risco de queda dos preços de metais industriais. Vemos o dólar americano com neutralidade. O aumento da incerteza global e o crescimento da diferença dos rendimentos dos EUA em relação a outras economias são elementos favoráveis, mas uma avaliação elevada pode restringir ganhos futuros.

icon-up Overweight     Neutro  icon-down Underweight

* Note: Views are from a U.S. dollar perspective as of September 2018. *Given the breadth of this category, we do not offer a consolidated view.

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Global Chief Investment Strategist
Richard Turnill, Managing Director, is Global Chief Investment Strategist for BlackRock, leading the Investment Strategy Function within the BlackRock ...
Head of Economic and Markets Research
Isabelle Mateos y Lago
Global Macro Strategist, BlackRock Investment Institute
Isabelle Mateos y Lago, Managing Director, is a global macro investment strategist in the Investment Strategy team of the BlackRock Investment Institute. The ...
Kate Moore
Chief Equity Strategist, Americas
Kate Moore, Managing Director, is Chief Equity Strategist – Americas for BlackRock and is a member of the BlackRock Investment Institute. She is responsible for ...
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Jeffrey Rosenberg, Managing Director, is BlackRock's Chief Investment Strategist for Fixed Income. His responsibilities include working closely with the Chief ...