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PERSPECTIVA DE INVESTIMENTO GLOBAL DO SEGUNDO SEMESTRE DE 2019

Ganhando tempo para aumentar a resiliência

22 jul 2019
por BlackRock Investment Institute

A principal mudança em nossa perspectiva é que agora vemos as fricções comerciais e geopolíticas como o principal impulsionador da economia global e dos mercados. Isso nos leva a reduzir ainda mais nossa perspectiva de crescimento e adotar uma postura de investimento modestamente mais defensiva.

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Populares e impopulares
Principais alterações na visão de ativos de seis a doze meses do BII, julho de 2019

Principais alterações na visão de ativos de seis a doze meses do BII, julho de 2019

 

Fontes: BlackRock Investment Institute, julho de 2019. Observações: a tabela mostra os principais upgrades e downgrades para as visões de ativos de seis a doze meses do BlackRock Investment Institute. Consulte a página 15 de nossas perspectivas de investimento do segundo semestre para obter detalhes completos sobre nossas visões dos ativos.

Esperamos uma mudança significativa dos bancos centrais em direção à flexibilização monetária para amortecer a desaceleração. Acreditamos que essa mudança de política deve estender a longa expansão, e ela já desencadeou condições financeiras mais flexíveis. A economia dos EUA só recentemente atingiu sua capacidade total, como mostra o gráfico abaixo, entrando na fase final do ciclo, que muitas vezes pode continuar por um período prolongado.

Prolongamento do ciclo
Hiato do produto e fases do ciclo de negócios dos EUA, 1965-2019

Hiato do produto e fases do ciclo de negócios dos EUA, 1965-2019

 

Fontes: BlackRock Investment Institute, com dados do Refinitiv Datastream, a partir de julho de 2019. Observações: este gráfico mostra uma estimativa do hiato do produto nos EUA (isto é, o PIB como uma porcentagem do PIB potencial). Classificamos diferentes períodos como pertencentes a determinadas fases do ciclo de negócios. A classificação da fase é feita por meio de uma “análise de cluster” que agrupa períodos em que as séries econômicas se comportaram de maneira semelhante.

Continuamos positivos com relação às ações dos EUA em um cenário de avaliações razoáveis. A renda dos cupons é fundamental em um mundo de baixa rentabilidade e, como resultado, fizemos o upgrade da dívida dos mercados emergentes (EM, da sigla em inglês para Emerging Markets). Acreditamos, porém, que os mercados estão excessivamente otimistas em relação aos esforços da China para impulsionar o crescimento, o que nos levou a fazer o downgrade das ações dos EM ligados à China e ao Japão.

O Banco Central Europeu (BCE) colocou as ferramentas de estímulo de volta à mesa, enquanto o Federal Reserve está preparado para cortar as taxas de juros como um seguro contra uma recessão. Esperamos que o BCE cumpra as expectativas de estímulo. Fechamos nosso underweight em ações europeias e, como resultado, fizemos o upgrade dos títulos da região. Em contraste, vemos o grau de flexibilização do Fed que os mercados estão antecipando como excessivo, dado que vemos riscos limitados de curto prazo de recessão. Poderíamos ver o retorno dos rendimentos. Isso nos leva a fazer o downgrade dos Títulos do Tesouro dos EUA no curto prazo.

Os EUA e a China entraram em uma concorrência estratégica que vemos como estrutural e persistente. A consequência é uma possível reversão de tendências de globalização de décadas que gradualmente reduziram a inflação e expandiram as margens de lucros das empresas. Isso poderia resultar em um choque de oferta que empurra para baixo o crescimento da tendência e termina com a desinflação? Este é um cenário para o qual os mercados não estão preparados e pode levar a retornos negativos tanto em ações quanto em títulos. Preferimos reduzir o risco global levantando algum caixa, mas ainda vemos um papel importante para os títulos do governo de longo prazo como estabilizadores de portfólio, especialmente em um horizonte de médio prazo.

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Introduzimos três novos temas de investimento em 2019, à medida que as disputas comerciais e as tensões geopolíticas vêm à tona.

Impulso protecionista

Estamos fazendo o downgrade de nossa perspectiva de crescimento global, à medida que as disputas comerciais e as tensões geopolíticas mais amplas aumentam a incerteza macroeconômica. A gama de potenciais resultados econômicos e de mercado mais adiante se ampliou. Nós vemos uma calmaria no crescimento da China como consequência das tarifas dos EUA.

Consequência: somos a favor da redução do risco em meio ao aumento do protecionismo, incluindo o levantamento de algum caixa.

Prolongamento do ciclo

A mudança decididamente moderada dos bancos centrais deprimiu os rendimentos de longo prazo e deve ajudar a prolongar a longa expansão. Isso contribui para um ambiente benigno de curto prazo para os ativos de risco, em nossa visão, embora a incerteza em torno das perspectivas tenha aumentado.

Consequência: mantemo-nos positivos em ações dos EUA e gostamos do potencial de rendimento da dívida dos EM num mundo de baixo rendimento.

Aumento da resiliência

Acreditamos que a resiliência do portfólio é crucial em um momento de elevada macroincerteza. Definimos resiliência como a capacidade do portfólio de suportar uma variedade de condições adversas, tanto em uma base taticamente defensiva quanto estrategicamente através dos ciclos.

Consequência: títulos do governo desempenham um papel importante na construção da resiliência do portfólio, mesmo em níveis baixos de rendimento.

Nosso Outlook Forum em 12 e 13 de junho em Londres reuniu cerca de 100 profissionais de investimento da BlackRock para debater as perspectivas da economia, política e mercados globais. Esses debates incluíram as perspectivas de inflação em um mundo “desglobalizante”, a importância da concorrência entre os EUA e a China e os desafios políticos enfrentados pelos bancos centrais.

Regime de inflação baixa
Choques de inflação nos EUA e a correlação de ações-títulos de dívida do governo, 1965-2019

Choques de inflação nos EUA e a correlação de ações-títulos de dívida do governo, 1965-2019

 

Fontes: BlackRock Investment Institute, U.S. Bureau of Economic Analysis e U.S. Bureau of Labor Statistics, com dados de Haver Analytics e Refinitiv Datastream, de julho de 2019. Observações: o gráfico superior mostra as perdas de inflação nos EUA (inflação real menos as expectativas de inflação). Utilizamos um modelo estatístico para estimar as expectativas de inflação em 1965, aproveitando a relação entre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) real dos EUA, o PIB e as políticas de taxas de juros ao longo de períodos de três anos. Usamos essas regressões para estimar a taxa de inflação anual esperada em três meses. Mostramos a diferença entre o resultado do IPC real e o esperado. O gráfico inferior mostra a correlação entre os Títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA e o Índice S&P 500 durante períodos de três anos com base em leituras mensais. Uma leitura de correlação de 1 sugere que os dois se movem em sincronia, e uma leitura de -1 sugere que seus movimentos são completamente opostos.

Os investidores se acostumaram a um mundo onde a inflação é baixa, e as surpresas inflacionárias são quase sempre para baixo. Nossa medida dos choques inflacionários no gráfico acima mostra como a inflação ficou abaixo das expectativas desde a década de 1980. Isso surgiu em um ambiente amplamente desprovido de macrochoques de oferta, como os choques do petróleo da década de 1970, que empurram o crescimento para baixo e a inflação para cima. E as decepções com o crescimento tenderam a vir com inflação mais baixa, característica dos choques de demanda.

Como resultado, os títulos tenderam a amortecer os portfólios durante a liquidação de ações nesse período. O gráfico inferior mostra a correlação negativa entre retornos de ações e títulos durante um período de baixa inflação. O risco? O protecionismo comercial e a “desglobalização” poderiam anular alguns desses benefícios ao longo do tempo e servir como um choque negativo de oferta que aumenta os preços, reduz o crescimento da produtividade e reduz a produção econômica, um resultado com que os investidores não precisam se preocupar há décadas.

Outros debates importantes apresentados em nossa publicação sobre perspectivas do segundo semestre: a importância da concorrência entre os EUA e a China, as perspectivas para a economia chinesa e o que os rendimentos de títulos “baixos por mais tempo” significam para os investidores.

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Os investidores são desafiados por fortes correntes cruzadas no curto prazo. Por um lado, a macroincerteza está aumentando e os preços dos ativos subiram muito neste ano. Por outro lado, a política monetária virou-se em direção à flexibilização, e as avaliações de muitos ativos de risco ainda parecem razoáveis. Isso nos leva a uma postura modestamente mais defensiva, ao mesmo tempo que favorecemos ativos de risco com taxas atrativas de risco/recompensa. Aqui estão as nossas visões detalhadas de ativos:

Visões de classes de ativos

Visões táticas de ativos selecionados, junho 2019

 

Classe de ativo Visão Comentários
Ações EUA icon-up Uma combinação de políticas de apoio e a perspectiva de um ciclo estendido sustentam a nossa visão positiva. As avaliações ainda parecem razoáveis nesse cenário. Do ponto de vista de fator, gostamos do momentum e volatilidade mínima, mas nos tornamos neutros em relação à qualidade devido a avaliações elevadas.
Europa icon-neutral Nós atualizamos as ações europeias para neutro. Achamos que os ativos de risco europeus estão modestamente superfaturados em comparação com o macrocenário, embora a mudança moderada pelo Banco Central Europeu (BCE) deva fornecer uma compensação. Disputas comerciais, a desaceleração da China e riscos políticos são os principais desafios.
Japão icon-down Nós fizemos o downgrade das ações japonesas para underweight. Acreditamos que elas estão particularmente vulneráveis a uma desaceleração da China, com um Banco do Japão ainda flexível, mas restrito por políticas. Outros desafios incluem a desaceleração do crescimento global e um aumento futuro dos impostos sobre o consumo.
Mercados emergentes icon-neutral Fizemos o downgrade das ações dos EM para neutro em meio ao que vemos como expectativas de mercado excessivamente otimistas com relação ao estímulo chinês. Vemos as maiores oportunidades na América Latina, como no México e no Brasil, onde as avaliações são atraentes e o macrocenário é estável. Um Fed flexível oferece apoio em toda a parte, particularmente para os países dos EM com grandes cargas de dívida externa.
Ásia, exceto Japão icon-down Nós fizemos o downgrade das ações da Ásia, excluindo o Japão, para underweight devido à exposição à China na região. Uma desaceleração chinesa pior do que se espera ou interrupções no comércio global representariam riscos negativos. Preferimos assumir riscos nos instrumentos de dívida da região.
Renda fixa Obrigações do governo dos EUA icon-down Nós fizemos o downgrade dos títulos do Tesouro dos EUA de neutro para underweight. As expectativas do mercado quanto à flexibilização do Fed parecem excessivas, deixando-nos cautelosos com as avaliações do Tesouro, particularmente em vencimentos mais curtos. No entanto, ainda vemos títulos do governo de longo prazo como um lastro efetivo contra o desinvestimento de ativos de risco.
Títulos municipais dos EUA icon-up As avaliações dos “muni” estão altas, mas a classe de ativos ficou abaixo da recuperação dos títulos do Tesouro dos EUA. A dinâmica favorável da oferta, a demanda sazonal e os fundamentos amplamente melhorados devem impulsionar o desempenho superior dos “muni”. A reforma fiscal também tornou o status de isento de impostos dos “muni” mais atraente.
Títulos de crédito dos EUA icon-neutral Somos neutros em relação ao crédito dos EUA, depois de um forte desempenho no primeiro semestre de 2019 ter enviado rendimentos a mínimos de dois anos. Políticas monetárias mais flexíveis que possam prolongar esse ciclo, restrições a novas emissões e comportamento corporativo conservador apoiam os mercados de crédito. Créditos com grau de investimento e alto rendimento continuam sendo parte fundamental de nossa tese de renda.
Soberanas na Europa icon-up Fizemos o upgrade das obrigações do governo europeu para overweight porque esperamos que o BCE atinja, ou exceda, as expectativas de estímulo. Os rendimentos parecem atraentes para investidores em dólares americanos com hedging, graças ao robusto diferencial de taxa de juros entre EUA e zona do euro. Uma curva de rendimentos relativamente íngreme é uma vantagem para os investidores da zona do euro.
Títulos de crédito europeus icon-neutral Fizemos o upgrade do crédito europeu para neutro. A flexibilização da política do BCE deve incluir compras de títulos corporativos. O deslocamento da taxa do BCE, "mais baixa por mais tempo", deve ajudar a limitar a volatilidade do mercado. Os bancos europeus estão mais bem capitalizados após anos de reparo do balanço patrimonial. Mesmo com spreads mais apertados, o crédito deve oferecer receitas atraentes para os investidores europeus e para os investidores globais com hedging cambial.
Dívidas de mercados emergentes icon-up Nós fizemos o upgrade dos títulos dos EM para overweight em seu potencial de renda. A mudança moderada do Fed estimulou as taxas locais a se recuperarem e ajudou as moedas locais a se recuperarem em relação ao dólar dos EUA. Acreditamos que os mercados de moeda local têm mais espaço para se mover e nós os preferimos aos mercados de moeda forte. Vemos oportunidades na América Latina e em países não diretamente expostos às tensões comerciais entre os EUA e a China.
Renda fixa da Ásia icon-neutral As mudanças moderadas do Fed e do BCE dão espaço aos bancos centrais asiáticos para flexibilizar. A estabilidade da moeda é outro aspecto positivo. As avaliações se tornaram mais ricas depois de uma forte recuperação, e vemos os riscos geopolíticos aumentando. Reduzimos o risco geral e aumentamos a qualidade do crédito como resultado.

icon-up Overweight     icon-neutral Neutral     icon-down Underweight

*Observação: as visões são da perspectiva do dólar americano em junho de 2019 e estão sujeitas a alterações a qualquer momento devido a mudanças no mercado ou condições econômicas. Este material representa uma avaliação do ambiente de mercado em um momento específico e não se destina a ser uma previsão ou garantia de resultados futuros. Estas informações não devem ser consideradas como pesquisa ou consultoria para investimentos com relação a qualquer fundo, estratégia ou título.

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Philipp Hildebrand
Vice Chairman
Philipp Hildebrand, Vice Chairman of BlackRock, is a member of the firm's Global Executive Committee.
Jean Boivin
Head of BlackRock Investment Institute
Jean Boivin, PhD, Managing Director, is the Head of the BlackRock Investment Institute (BII). The institute leverages BlackRock’s expertise and produces proprietary ...
Elga Bartsch
Head of Macro Research, BlackRock Investment Institute
Mike Pyle
Chief Investment Strategist, BlackRock Investment Institute.
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist, BlackRock Investment Institute
Elga Bartsch
Head of Macro Research, BlackRock Investment Institute
Elga Bartsch, Diretora Executiva, é responsável pelo departamento de pesquisa econômica e de mercado do BlackRock Investment Institute (BII). O BII conecta os gestores de ...
Mike Pyle
Chief Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
Mike Pyle, CFA, Managing Director, is Global Chief Investment Strategist for BlackRock, leading the Investment Strategy function within the BlackRock Investment
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist, BlackRock Investment Institute
Scott Thiel, Managing Director, is Chief Fixed Income Strategist for BlackRock and a member of the BlackRock Investment Institute (BII). He is responsible for developing ...
Thomas Donilon
Chairman of the BlackRock Investment Institute
Thomas E. Donilon is Chairman of the BlackRock Investment Institute. He served as National Security Advisor to President Barack Obama.
Elga Bartsch
Head de pesquisa econômica e de mercado, BlackRock Investment Institute
Elga Bartsch, Diretora Executiva, é responsável pelo departamento de pesquisa econômica e de mercado do BlackRock Investment Institute (BII). O BII conecta os gestores de ...
Vivek Paul
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Ben Powell
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Mike Pyle
Chief Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
Mike Pyle, CFA, Managing Director, is Global Chief Investment Strategist for BlackRock, leading the Investment Strategy function within the BlackRock Investment
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist, BlackRock Investment Institute
Scott Thiel, Managing Director, is Chief Fixed Income Strategist for BlackRock and a member of the BlackRock Investment Institute (BII). He is responsible for developing ...