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COMENTÁRIO GLOBAL SEMANAL

Ações do Japão: não entre no rali

As ações japonesas superaram seus pares globais em setembro, em uma resposta exagerada ao esfriamento temporário das tensões comerciais entre EUA e China. Mantemos nosso underweight nas ações japonesas, pois elas ainda estão particularmente vulneráveis a uma desaceleração do crescimento na China, e não vemos sinal de abrandamento do impulso protecionista. No entanto, o rali de setembro é uma prévia do potencial de alta das ações japonesas se as tensões comerciais diminuírem substancialmente e houver retomada de crescimento.

Pontos principais

Ainda underweight
Mantemos nosso underweight nas ações do Japão, mas vemos o recente rali como uma prévia do seu potencial se as tensões comerciais diminuírem.
Força protecionista
Os sinais de que os efeitos das ações protecionistas estão indo além da produção industrial lançaram uma sombra sobre o cenário de crescimento.
Dados da China
Os dados de crescimento do produto interno bruto (PIB) da China no terceiro trimestre, a serem divulgados esta semana, deverão mostrar um ligeiro declínio.
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Gráfico da semana
Retorno total das ações do Japão, dos EUA e do mundo, exceto Japão, julho-outubro de 2019

Retorno total das ações do Japão, dos EUA e do mundo, exceto Japão, julho-outubro de 2019

 

O desempenho passado não é um indicador confiável de resultados atuais ou futuros. Não é possível investir diretamente em um índice.
Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados de Refinitiv Datastream, outubro de 2019. Observações: os índices utilizados incluem MSCI Japan, MSCI USA e MSCI World exceto Japão, em dólares americanos.

O Japão tem tido o melhor desempenho nos principais mercados acionários desde o meio do ano. O índice MSCI Japan liderou os mercados norte-americano e global (exceto Japão) após uma alta significativa em setembro, como mostra o gráfico. O principal motivador? O alívio notado nas tensões comerciais entre EUA e China, que levou à mudança dos investidores para ativos menos prestigiados, como ações de valor, inclusive ações japonesas em baixa. Porém, não acreditamos que essa rotação tenha poder de permanência. Em curto prazo, vemos potencial para novos períodos de volatilidade no mercado, pois as consequências da guerra comercial se refletem em dados econômicos fracos. No entanto, a recente recuperação das ações japonesas é uma prévia da reação em potencial do mercado, caso a economia global se acelere em 2020. O preço baixo das ações japonesas poderia exagerar qualquer movimentação desse tipo. A relação preço/lucro do índice Nikkei 225 de blue chips caiu para a mínima histórica de 12.

As disputas comerciais e as tensões geopolíticas tornaram-se os principais propulsores dos mercados e da economia global. A dinâmica comercial tem um papel desproporcional nas ações japonesas: cerca de metade da receita das empresas do índice Nikkei 225 provém de exportação, embora a contribuição das exportações para o PIB do Japão seja inferior a 15%. A China é o maior mercado de exportação do Japão, e os pedidos de máquinas e eletrônicos da China entraram em colapso desde novembro de 2018. Vemos uma calmaria no crescimento da China em consequência das tarifas dos EUA. A posição política da China provavelmente se flexibilizará ainda mais para ajudar a estabilizar o crescimento, mas um impulso adicional ao crescimento parece improvável, em nossa opinião. Essa alavancagem do Japão em relação ao comércio global o deixa vulnerável a novas baixas ligadas ao impulso protecionista.

O Japão também enfrenta uma série de desafios domésticos. O recente aumento de impostos sobre vendas pode ter efeito sobre os gastos do consumidor e o crescimento. O Banco do Japão (BoJ) pode estar ficando sem espaço para políticas monetárias. Após anos de política monetária ultraflexível, as participações em ativos do banco central excederam o PIB total do país, tornando o BoJ o maior proprietário de ativos entre os principais bancos centrais de mercados desenvolvidos. Vemos espaço apenas para um modesto corte de juros pelo BoJ em sua reunião de política monetária no final de outubro. Um curinga em potencial: o diretor do BoJ, Haruhiko Kuroda, falou sobre o potencial de uma maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal. Qualquer desaceleração do crescimento induzida pelo aumento do imposto sobre vendas no Japão poderia ser realizada com um estímulo fiscal no início de 2020.

Por enquanto, permanecemos underweight nas ações japonesas. Ainda esperamos dados ruins de crescimento global nos próximos meses, à medida que as condições monetárias mais flexíveis se infiltrem lentamente e beneficiem a economia em geral nos próximos seis a 12 meses. Porém, se ocorrer uma trégua comercial prolongada entre os EUA e a China e as atividades globais de produção chegarem ao nível mais baixo, precisaremos reavaliar nossa visão sobre as ações japonesas. Sua estreita correlação com a saúde das atividades globais de produção e o crescimento da China, bem como suas avaliações baratas, podem torná-las atraentes. Outro ponto positivo no contexto: as empresas japonesas estão melhorando gradualmente a governança corporativa, o que se reflete no aumento de pagamentos aos investidores em forma de dividendos e recompras de ações.

Ativos em revisão
Desempenho de ativos selecionados, 2019 até o momento e intervalo

Desempenho de ativos selecionados, 2019 até o momento e intervalo

 

O desempenho passado não é um indicador confiável de resultados atuais ou futuros. Não é possível investir diretamente em um índice.
Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados de Refinitiv Datastream, outubro de 2019. Observações: as duas extremidades das barras mostram os retornos mais baixos e mais altos em relação ao final de 2018, e os pontos representam retornos no ano. Os retornos de mercados emergentes, alto rendimento e grau de investimento corporativo global são denominados em dólares dos EUA e o restante é denominado em moeda local. Índices ou preços usados: petróleo bruto Brent à vista, MSCI USA Index, ICE U.S. Dollar Index (DXY), MSCI Europe Index, Bank of America Merrill Lynch Global Broad Corporate Index, Bank of America Merrill Lynch Global High Yield Index, Datastream de obrigações do governo com vencimento em dez anos (EUA, Alemanha e Itália), MSCI Emerging Markets Index, preço do ouro à vista e JP Morgan EMBI Index.

Cenário do mercado
Sinais de que a retração da atividade econômica causada pelo impulso protecionista global está se espalhando além do setor industrial colocaram uma sombra sobre o cenário de crescimento. Os principais bancos centrais adotaram uma postura moderada — o corte da taxa de juros do Fed ficou em linha com as expectativas do mercado após o amplo pacote de estímulo do Banco Central Europeu. Esperamos uma retomada do crescimento global nos próximos seis a 12 meses, mas ainda há limites para a flexibilização monetária no curto prazo. A política monetária não é cura para o crescimento mais fraco e as pressões inflacionárias mais firmes que podem resultar de tensões comerciais contínuas.

Semana à frente
14, 15 e 18 de outubro - a China deve divulgar dados de comércio, inflação e vendas no varejo. O foco: o PIB do terceiro trimestre. O consenso espera que o crescimento caia um pouco, mas ainda deve ficar acima de 6%. Vemos a incerteza adicional decorrente do impulso protecionista liderado pelos EUA, que entra no planejamento de negócios, ameaçando enfraquecer a atividade econômica globalmente.

16 e 17 de outubro - as vendas no varejo e a produção industrial dos EUA devem se contrair levemente em setembro. Vemos a resiliência dos gastos do consumidor norte-americano ajudando a compensar a fraqueza da produção em meio à maior incerteza macroeconômica.

icon-up Overweight     icon-neutral Neutro icon-down Underweight

 

Ações
Classe de ativo Visão Comentários
EUA icon-up Uma mistura favorável de políticas e a expectativa de um ciclo prolongado sustentam nossa visão positiva. As avaliações ainda parecem razoáveis nesse cenário. Do ponto de vista de fatores, recomendamos volatilidade mínima e qualidade, que historicamente tendem a ter um bom desempenho durante desacelerações econômicas.
Europa icon-neutral Elevamos as ações europeias para neutral. Acreditamos que os preços dos ativos de risco europeus estão um pouco altos considerando-se o atual cenário macro, embora a moderação do Banco Central Europeu possa ser um contrabalanço. As disputas comerciais, a desaceleração da China e os riscos políticos são desafios importantes.
Japão icon-down Rebaixamos as ações japonesas para underweight. Acreditamos que elas estão particularmente vulneráveis a uma desaceleração na China, e o Banco do Japão ainda adota uma postura de acomodação, mas com restrição na política monetária. Outros desafios são a desaceleração do crescimento global e o iminente aumento do imposto sobre consumo.
Mercados emergentes icon-neutral Rebaixamos as ações de mercados emergentes para neutral, pois consideramos a expectativa do mercado para o estímulo da China muito otimista. As melhores oportunidades estão na América Latina, como México e Brasil, onde as avaliações estão atrativas e o cenário macroeconômico é estável. A postura moderada do Fed oferece suporte além das fronteiras, especialmente para os países de mercados emergentes com alto endividamento externo.
Ásia, exceto Japão icon-down Rebaixamos as ações da Ásia, exceto Japão, para underweight, devido à exposição da região à China. Uma desaceleração maior do que a esperada na China ou rupturas no comércio global representariam risco de queda. Em vez disso, preferimos assumir risco nos instrumentos de dívida da região.
Renda fixa
Obrigações do governo dos EUA icon-down Continuamos com a postura underweight em relação aos títulos do Tesouro dos EUA. Esperamos que o Fed reduza as taxas em mais um quarto de ponto percentual neste ano. No entanto, as expectativas do mercado quanto à flexibilização do Fed nos parecem excessivas. Isso, combinado com o nivelamento da curva de juros, nos deixa cautelosos com as avaliações do Tesouro. Os títulos do governo de longo prazo são proteções eficazes contra liquidações de ativos de risco.
Precatórios EUA icon-neutral A dinâmica positiva entre oferta e demanda e fundamentos melhores são favoráveis. A reforma tributária tornou a isenção fiscal dos precatórios mais atrativa. No entanto, as avaliações dos precatórios estão em alta, e a classe de ativo pode estar prestes a baixar após um período de 10 meses de desempenho positivo.
Títulos de crédito dos EUA icon-neutral Estamos neutral no crédito dos EUA depois que o forte desempenho do primeiro semestre de 2019 derrubou os rendimentos para o nível mais baixo em dois anos. Uma política monetária mais flexível que pode prolongar este ciclo, a ausência de novas emissões e um comportamento corporativo conservador sustentam os mercados de crédito. O crédito de alto rendimento e de grau de investimento continua sendo uma peça-chave em nossa tese de renda.
Títulos soberanos europeus icon-up A retomada das compras de ativos pelo BCE corrobora nossa postura de overweight, particularmente nos mercados periféricos. Uma curva de rendimento relativamente inclinada – particularmente nesses países – é uma vantagem para os investidores da zona do euro. Os rendimentos parecem atrativos para investidores com hedge em dólar americano, graças ao forte diferencial de taxas de juros entre o euro e dólar.
Crédito europeu icon-neutral A retomada das compras de dívidas corporativas pelo BCE e uma mudança para juros “mais baixos por mais tempo” corroboram essa visão. Os bancos europeus estão mais capitalizados depois de anos de reparo no balanço. Mesmo com spreads menores, o crédito deve oferecer renda atrativa para investidores europeus e investidores globais com hedge cambial.
Dívidas de mercados emergentes icon-up Recomendamos títulos de mercados emergentes por seu potencial de renda. A moderação do Fed elevou as taxas locais e ajudou as moedas locais a se recuperarem em relação ao dólar. Vemos que os mercados em moeda local têm espaço para crescer e preferimos estes aos mercados em moeda forte. Vemos oportunidades na América Latina (com pouco contágio dos problemas da Argentina) e em países não expostos diretamente às tensões entre EUA e China.
Renda fixa da Ásia icon-neutral A postura moderada do Fed e do Banco Central Europeu abrem espaço para a flexibilização dos bancos centrais asiáticos. A estabilidade da moeda é outro fator positivo. No entanto, as avaliações ficaram caras depois do forte rali, e vemos os riscos geopolíticos aumentando. Como resultado, reduzimos o risco geral e aumentamos a qualidade do crédito.

Visões a partir da perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de três meses.

Leia mais sobre nossas perspectivas de investimento em nossa perspectiva de meio do ano de 2019..

Impulso protecionista

 

As delegações comerciais dos EUA e da China retomaram as negociações.

Prolongamento do ciclo

 

Parece improvável que a longa expansão econômica dos EUA se transforme em uma desaceleração mais profunda em breve, apoiada por gastos domésticos saudáveis.

Aumento da resiliência

 

A maioria dos títulos do governo desempenha um papel importante na construção da resiliência do portfólio, mesmo com baixos níveis de rendimento, tanto em termos táticos quanto em portfólios de longo prazo.

Mike Pyle
Managing Director, é estrategista-chefe global de investimentos da BlackRock
Ben Powell
Chief Investment Strategist for APAC — BlackRock Investment Institute
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist — BlackRock Investment Institute

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