COMENTÁRIO GLOBAL SEMANAL

Nossas opiniões sobre uma temporada incomum de relatórios

14 mai 2018

Pontos principais

  • A reação do mercado a excelentes relatórios do primeiro trimestre foi surpreendentemente apagada. Nossa opinião: os medos de que os ganhos tenham chegado ao auge são exagerados.
  • Os preços do petróleo subiram após os EUA abandonarem o acordo nuclear com o Irã. O fator de momentum fez algumas ações crescerem mais, e as moedas de mercados emergentes enfrentaram dificuldades.
  • Os dados econômicos dos EUA nesta semana devem apresentar mais indícios da força da economia americana, uma tendência observada nos dados de emprego mais recentes.

Agora que muitas empresas de mercados desenvolvidos apresentaram os resultados do primeiro trimestre, podemos afirmar com todas as letras que esta temporada de resultados é bastante incomum. Números fortes não suscitaram muito entusiasmo entre os investidores. A preocupação: os ganhos são perto de atingir o seu limite. Ainda assim, acreditamos que há mais espaço para crescimento dos ganhos neste e no próximo ano. Dessa forma, reafirmamos nossas posições overweight em ações dos EUA.

Desempenho do S&P 500 e estimativas de ganhos, 2017 e 2018

A reação discreta do mercado após os ótimos resultados foi mais evidente nos EUA, conforme o gráfico acima. Reduções fiscais ajudaram muitas empresas americanas a registrarem o maior crescimento dos ganhos dos últimos anos. Isso se reflete na grande elevação das estimativas de lucro por ação (EPS) de empresas do S&P 500 desde o início da temporada de relatórios do primeiro trimestre em meados de abril (veja a linha laranja). Ainda assim, o desempenho do índice S&P 500 (linha verde) não seguiu os mesmos passos. Essa postura rompe com o passado recente, em que os movimentos do mercado espelharam as elevações de ganhos. Os resultados europeus e japoneses foram um pouco mais fracos, mas as reações médias com relação aos preços em todas as três regiões foram decepcionantes. Os movimentos do mercado de ações no dia seguinte aos relatórios estão nos níveis mais baixos desde 2011 na Europa e foram negativos no Japão nos dois últimos trimestres.

É o melhor que se pode esperar?

Os sentimentos melhoraram com a divulgação de mais resultados, e os mercados de ações subiram ao longo do último mês. Na nossa opinião, uma reação lenta do mercado a resultados estelares reflete a preocupação dos investidores de que os ganhos possam estar chegando a um pico. Uma orientação mais reservada de diretorias de empresas colocou mais fogo nessas preocupações. Reduções fiscais nos EUA ajudaram a impulsionar o crescimento anual do lucro por ação de empresas do S&P 500 para cerca de 24% no primeiro trimestre, o percentual mais alto desde o terceiro trimestre de 2010. Fora dos EUA, os ganhos passaram a crescer em ritmo mais moderado, e moedas locais mais fortes pressionaram o crescimento das vendas na Europa e no Japão.

Esperamos que esse ritmo acelerado de crescimento dos ganhos desacelere. A força recente, parcialmente impulsionada por reduções fiscais isoladas, estabelece parâmetros elevados. A incerteza macroeconômica também aumentou em meio a tensões comerciais e ao estímulo fiscal nos EUA em uma fase final do ciclo econômico. Parece que temores políticos e em relação ao crescimento têm obscurecido fortes fundamentos empresariais atuais. No entanto, acreditamos que as empresas manterão as despesas sob controle para proteger as margens do aumento dos custos. Com uma saúde corporativa sólida em todas as regiões, o nosso caso base vê um ciclo que tem espaço para expansão. As empresas dos EUA estão cheias de dinheiro gerado por muitos lucros e poucos impostos. Isso deve impulsionar os gastos corporativos em recompras, fusões/aquisições e investimentos de capital. Os preços de ações não parecem refletir totalmente estas perspectivas, embora já tenham incorporado as reduções de alíquotas que levaram o mercado acionário a uma alta recorde em janeiro e tenham se ajustado a taxas de juros com crescimento modesto.

Contra esse pano de fundo, vemos ganhos mais fortes de empresas que podem elevar as vendas e controlar as despesas neste momento em que os custos de insumos seguem crescendo e o ciclo econômico fica mais maduro. Podemos ver melhores perspectivas de crescimento das vendas nos EUA do que em outros mercados desenvolvidos. Os EUA têm a proporção mais saudável entre upgrades e downgrades de ganhos entre todos os países, e os dados econômicos parecem sólidos e sugerem uma expansão. Dentro dos EUA, preferimos setores de alta margem de lucro e com fortes fluxos de caixa, como a tecnologia, em detrimento de setores defensivos de baixo crescimento.

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Data:Evento
14 de maio Relatório mensal da OPEP sobre o mercado do petróleo
15 de maio Produção industrial da China; vendas no varejo nos EUA; produção industrial da zona do euro; PIB da Alemanha; índice de sentimento econômico ZEW
16 de maio Relatório da Agência Internacional de Energia sobre o mercado do petróleo; divulgação do PIB do Japão; divulgação da produção industrial dos EUA

Os dados econômicos dos EUA devem apresentar mais indícios da força da economia, uma tendência observada em dados recentes de emprego e inflação. Os números desta semana também podem fornecer mais indícios sobre o impacto econômico do pacote de estímulo fiscal dos EUA. A expectativa de consenso entre economistas é a de que o crescimento das vendas no varejo dos EUA em abril suavizou-se em relação ao salto mensal de 0,6% em março, mas ainda com um ganho de 0,3%. O número de março provavelmente foi inflado por consumidores que gastavam suas restituições de impostos. Abril pode trazer de volta a tendência de crescimento.

  • O presidente Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã, reimpondo sanções contra o país asiático e complicando as relações de comércio dos EUA com a Europa. O preço do petróleo Brent subiu ao seu valor mais alto desde 2014. As ações de energia subiram.
  • O mercado de ações cresceu fortemente apesar de riscos geopolíticos elevados. As ações com fator de momentum tiveram bom desempenho. O VIX caiu para menos de 13 pela primeira vez desde o seu pico no início de fevereiro. O dólar americano atingiu o nível mais alto desde dezembro do ano passado. Em geral, as moedas de mercados emergentes se desvalorizaram em relação ao dólar. A Itália se aproximou de ter um governo de coalizão, provavelmente formado pelos dois partidos que venceram a eleição: Cinque Stelle e Lega.
  • A abertura de vagas de trabalho nos EUA em março bateu um recorde, superando o número de desempregados em abril. Considerando-se os percentuais aparentes e subjacentes, o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) teve elevação levemente abaixo da expectativa, mas confirmou o aumento gradual dos preços.

Instantâneo internacional

Desempenho semanal e de 12 meses de ativos selecionados

 

AçõesSemanaYTD12 mesesDiv. Rendimento
EUA – grandes empresas 2.5% 2.0% 13.9% 2.0%
EUA – pequenas empresas 2.7% 5.1% 17.1% 1.1%
Mundo, exceto EUA 1.9% 1.3% 15.1% 3.1%
Desenvolvidos, exceto EUA 1.6% 1.8% 13.9% 3.3%
Japão 1.1% 2.5% 18.6% 2.2%
Emergente 2.5% 1.0% 19.0% 2.7%
Ásia, exceto Japão 2.6% 1.9% 21.7% 2.6%
TítulosSemanaYTD12 mesesRendimento
Títulos do Tesouro EUA -0.1% -2.1% -0.7% 3.0%
TIPS EUA -0.1% -1.1% 1.1% 3.0%
Grau de investimento EUA 0.2% -3.3% 0.8% 4.0%
Alto rendimento EUA 0.3% 0.0% 3.3% 6.3%
Precatórios EUA 0.2% -0.8% 2.0% 2.7%
Desenvolvidos, exceto EUA 0.0% 0.5% 8.1% 0.9%
Títulos em dólar de mercados emergentes 0.3% -4.0% 0.4% 6.2%
CommoditiesSemanaYTD12 mesesNível
Petróleo bruto Brent 3.0% 15.3% 51.9% $77.12
Ouro 0.4% 1.3% 7.7% $1,319
Cobre 1.7% -4.2% 25.2% $6,942
MoedasSemanaYTD12 mesesNível
Euro/dólar -0.1% -0.5% 10.0% 1.19
Dólar/iene 0.2% -2.9% -3.9% 109.39
Libra/dólar 0.1% 0.2% 5.1% 1.35

Fonte: Bloomberg. Em 11 de maio de 2018.
Observações: Dados semanais até sexta-feira. O desempenho de ações e títulos é medido em retornos de índices totais em dólares americanos. Empresas de grande capitalização dos EUA são representadas pelo S&P 500 Index; empresas de pequena capitalização dos EUA são representadas pelo Russell 2000 Index; ações internacionais excluindo-se os EUA, pelo MSCI ACWI ex U.S.; ações de mercados desenvolvidos excluindo-se os EUA, pelo MSCI EAFE Index; Japão, mercados emergentes e Ásia excluindo Japão, pelos seus respectivos índices MSCI; títulos do tesouro dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Treasury Index; U.S. TIPS pelo U.S. Treasury Inflation Notes Total Return Index; grau de investimento dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Corporate Index; alto rendimento dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Corporate High Yield 2% Issuer Capped Index; títulos municipais dos EUA pelo Bloomberg Barclays Municipal Bond Index; títulos de mercados desenvolvidos excluindo-se os EUA pelo Bloomberg Barclays Global Aggregate ex USD; e títulos em dólares americanos de mercados emergentes pelo JP Morgan EMBI Global Diversified Index. Os preços do petróleo Brent estão em dólares americanos por barril, os preços do ouro estão em dólares por onça troy, e os preços do cobre estão em dólares por tonelada. O nível EUR/USD é representado em dólar americano por euro, o USD/JPY em iene por dólar americano, e o GBP/USD em dólar americano por libra. O desempenho do índice é indicado apenas para fins ilustrativos. Não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho passado não é indicação de resultados futuros.

Visões de classes de ativos

Visões a partir da perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de
três meses

 

Classe de ativo Visão Comentários
Ações EUA icon-up Nossa visão positiva está alicerçada em um fortíssimo momentum dos ganhos, redução da carga tributária sobre as empresas e estímulo fiscal. Damos preferência aos fatores de estilo de momentum e valor, além dos setores de serviços financeiros e tecnologia.
Europa Na nossa opinião, a expansão econômica e uma perspectiva estável dos ganhos favorecem os setores cíclicos. Com uma posição neutra, reconhecemos que o momentum dos ganhos perde na comparação com outras regiões. A força do euro também é uma fonte de preocupação.
Japão icon-up Um maior crescimento global, um comportamento empresarial mais amigável aos acionistas e ganhos sólidos são os aspectos positivos. Na nossa opinião, também contribuem a política do Banco do Japão e a atuação de investidores nacionais. Um fortalecimento ainda maior do iene seria um risco.
Mercados emergentes icon-up Reformas econômicas, fundamentos corporativos em processo de melhora e avaliações razoáveis dão apoio a ações de mercados emergentes. A expansão dos mercados desenvolvidos acima da tendência é outro ponto positivo. Entre os riscos estão um aumento acentuado do dólar dos EUA, tensões comerciais e eleições. Vemos as maiores oportunidades nos mercados emergentes da Ásia. Confiamos no Brasil e na Índia e estamos cautelosos em relação ao México.
Ásia, exceto Japão icon-up O cenário econômico é encorajador. Os ganhos corporativos e o crescimento da China devem permanecer sólidos no curto prazo. Vemos positivamente alguns mercados específicos do sudeste da Ásia, mas reconhecemos que uma desaceleração chinesa mais rápida do que o esperado pode representar riscos para toda a região.
Renda fixa Obrigações do governodos EUA icon-down Vemos as taxas crescendo moderadamente em meio à expansão econômica e ao processo de normalização do Fed. Títulos com vencimentos mais curtos oferecem uma relação mais atrativa entre risco e recompensa. Juntamente com títulos indexados pela inflação, podem ser proteções contra taxas crescentes e um cenário inflacionário. Preferimos as hipotecas de 15 anos às de 30 e a títulos corporativos de curto prazo.
Precatórios EUA Uma demanda sólida de investidores no varejo e uma oferta atenuada dão apoio aos municipais, mas taxas em crescimento pesam sobre o desempenho absoluto. Acreditamos que uma postura mais defensiva se justifica no curto prazo, embora qualquer fraqueza material por causa da oferta possa representar uma oportunidade de compra. Recomendamos o foco em vencimentos de dois e 20 anos.
Títulos de crédito dos EUA O crescimento sustentado sustenta o crédito, mas altas avaliações representam um limite. Preferimos exposições de alta qualidade como proteção ao risco das ações. Na nossa opinião, instrumentos de taxa flutuante de qualidade superior e vencimentos mais curtos estão bem posicionados para juros mais altos.
Títulos soberanos europeus icon-down A política de taxa de juros negativa do BCE tornou os rendimentos pouco atraentes e vulneráveis à melhora das perspectivas de crescimento. Acreditamos que haverá um aumento dos rendimentos de base da zona do euro. Mantemos a cautela com relação a áreas periféricas por causa de avaliações apertadas e da perspectiva de o BCE reduzir suas compras de ativos.
Crédito europeu icon-down A ampliação recente do spread, motivada pelo aumento das emissões, criou um certo valor. Por sua vez, as compras atuais do BCE devem sustentar a classe do ativo. As taxas negativas prejudicaram os rendimentos absolutos, mas diferenciais de taxas crescentes tornam posições com hedge cambial cada vez mais atrativas para investidores em dólar dos EUA. A dívida financeira subordinada parece menos atraente que as ações.
Dívidas de mercados emergentes Movimentos de preços recentes melhoraram as avaliações de dívidas em moeda corrente, elevando a atratividade de títulos em moeda local e papéis corporativos de mercados desenvolvidos. Uma maior sustentação às avaliações vem da oferta em desaceleração e de fundamentos fortes em mercados emergentes. Temores em relação ao comércio ou riscos geopolíticos podem levar a um rápido arrocho das condições financeiras globais e representam riscos de deterioração.
Renda fixa da Ásia A dinâmica inflacionária e o crescimento regional apoiam o crédito. A representação cada vez maior da China no universo de títulos da região reflete o crescente mercado de crédito do país. Um crescimento de qualidade superior e um foco na reforma do setor financeiro são aspectos positivos de longo prazo, mas qualquer desaceleração da economia chinesa significaria uma dificuldade no curto prazo.
Outra opção Commodities e moedas * A queda das reservas globais serve de base para o preço do petróleo, e as tensões geopolíticas também causam impacto. Vemos o dólar americano com neutralidade. Os fatores que levaram ao seu recente fortalecimento provavelmente são temporários, mas uma maior incerteza global e uma expansão do diferencial de rendimento dos EUA em relação a outras economias podem contribuir.

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* Dada a amplitude desta categoria, nós não oferecemos uma visão consolidada.

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