COMENTÁRIO GLOBAL SEMANAL

O ECB mantém o ritmo

Pontos principais

O ECB em foco
Esperamos que o Banco Central Europeu (ECB) mantenha o ritmo de compras de ativos, ainda que a retomada econômica esteja se acelerando.
Cenário dos mercados
As folhas de pagamento não agrícolas dos EUA subiram em maio. Sugerimos cautela diante de dados erráticos de curto prazo, em meio à retomada robusta da economia.
De olho nos dados
Os dados da inflação dos EUA estarão em foco esta semana. Uma leitura elevada do IPC poderia alimentar debates sobre reduções de compras de ativos por parte do Fed.

Esperamos que o ECB mantenha o ritmo atual de compras de ativos, mesmo diante da aceleração da retomada econômica. Não vemos a decisão de reduzir as compras de ativos como um prenúncio de políticas restritivas, pois o ECB se comprometeu a manter as condições financeiras flexibilizadas. Este fato, combinado com a política de relaxamento do Fed, proporciona um cenário positivo para os ativos de risco, incluindo as ações europeias, na nossa opinião.

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Gráfico da semana

Inflação real e projetada; zona do euro e EUA, 2006 a 2023

Inflação real e projetada; zona do euro e EUA, 2006 a 2023

Fontes: BlackRock Investment Institute, Federal Reserve Board e Bureau of Economic Analysis, com dados da Refinitiv, junho de 2021. Observações: os pontos em laranja representam as expectativas de consenso para as projeções de inflação do ECB deste mês. As projeções do Fed foram extraídas do seu Resumo de Projeções Econômicas, de março de 2021. A inflação “cheia” da zona do euro se refere ao índice harmonizado de preços ao consumidor (IHPC). A inflação básica PCE dos EUA se refere ao índice de preços do consumo pessoal, excluindo alimentação e energia.

As condições financeiras na zona do euro ficaram mais restritas ao final do ano passado e no primeiro trimestre de 2021, mas, desde então, se estabilizaram e ainda parecem favoráveis ao crescimento. No entanto, as perspectivas inflacionárias da região, o principal elemento considerado nas decisões de política monetária do ECB, continuam debilitadas. As expectativas de consenso assumem que as projeções dos dirigentes do ECB, a serem anunciadas nesta semana, mostrariam uma inflação em 2023 ainda significativamente abaixo da meta do banco de cerca de 2%, ou ligeiramente abaixo disso. Por outro lado, a inflação básica de consumo pessoal (PCE) dos EUA, o indicador de inflação acompanhado com mais atenção pelo Fed, excedeu a meta de 2%. É provável que oscile próximo à meta, ou um pouco acima, nos próximos dois anos, de acordo com o último Resumo de projeções econômicas do Fed. Veja o gráfico acima. Ele reforça a nossa expectativa de que continue o apoio de políticas públicas do ECB, independentemente da sua decisão sobre o ritmo de compra de ativos, a ser anunciada nesta semana. Além disso, alertamos contra uma reação exagerada diante dos sólidos dados de crescimento do curto prazo. Estamos vivenciando uma retomada, o que é diferente da típica recuperação dos ciclos econômicos; na nossa opinião, a cartilha tradicional dos ciclos econômicos não se aplica nesse caso.

Esperamos que o ECB mantenha seu ritmo atual de compras de ativos dentro do Programa de compras de emergência por pandemia (PEPP) nesta semana, apesar do provável upgrade das suas projeções de crescimento. O banco central está claramente focado em manter condições financeiras flexibilizadas. Um aperto injustificado na política monetária, em parte, como resultado da subida dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano no início do ano, levou o ECB a acelerar as compras de ativos em março. Desde então, a zona do euro vem recuperando o ritmo da retomada econômica, diante de condições financeiras ainda facilitadas.

Mesmo que o ECB venha a reduzir o seu ritmo de compra de ativos, veríamos isso como uma decisão operacional, e não como uma decisão de políticas públicas. O ECB se comprometeu a manter seu apoio em políticas durante toda a duração da crise da pandemia ou, pelo menos, até o início de 2022. Além disso, esperamos que o apoio na política monetária permaneça em vigor, diante de um cenário de inflação ainda muito abaixo da meta, sendo que compras adicionais de ativos ainda deverão ser realizadas por meio da extensão de outros programas de compras.

Vemos tanto o Fed quanto o ECB mantendo posições flexibilizadas nas suas políticas públicas. Na nossa opinião, seria a inflação, e não a projeção de crescimento no curto prazo, a variável fundamental para o Fed definir a perspectiva de taxa de juros dentro da sua nova estrutura de política monetária. A forte retomada da atividade econômica nos EUA levou a uma dinâmica pouco usual da oferta e procura, além de dados voláteis de crescimento e inflação no curto prazo. Os rendimentos dos títulos governamentais dos EUA no longo prazo estão subindo neste ano, mas esta subida tem sido menos marcante do que normalmente víamos como resposta ao aumento da inflação e das expectativas de crescimento no passado; esse fenômeno está em linha com o nosso tema de investimento do novo nominal, que vislumbra uma trajetória de taxas de juros de curto prazo mais baixa do que os mercados estão precificando, mesmo levando-se em conta a subida da inflação. Não vemos o Fed discutindo a redução de compras de ativos no curtíssimo prazo, e pautar esse tema ainda este ano não significa, necessariamente, um rompimento com a política de taxas de juros próximas a zero, na nossa opinião. Acreditamos, também, que o caso da redução das compras de ativos, indicando uma normalização da política monetária, seria ainda mais improvável na zona do euro.

A conclusão: vemos o compromisso do ECB com uma política “acomodatícia” oferecendo suporte para a nossa posição pró-risco, em um horizonte tático, diante da ampliação da reabertura econômica. Em fevereiro, fizemos o upgrade da nossa perspectiva tática sobre as ações europeias para neutro e temos mais razões para otimismo nessa classe de ativos nos próximos 6 a 12 meses. No entanto, vemos o risco de que os mercados poderiam fazer uma interpretação errônea da eventual decisão operacional de reduzir o ritmo das compras de ativos, como uma maior restrição sobre os estímulos das políticas públicas; e veríamos uma ampliação dos spreads nos títulos da zona periférica do euro como uma oportunidade de compra.

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Ativos em revisão

Desempenho de ativos selecionados, no ano e intervalo de 2021

Desempenho de ativos selecionados, no ano e intervalo de 2021

O desempenho passado não é um indicador de resultados atuais ou futuros. Os índices não têm gestão ativa e não incluem taxas. Não é possível investir diretamente em um índice. Fontes: BlackRock Investment Institute, com dados do Refinitiv Datastream, 3 de junho de 2021. Observações: os dois extremos das barras mostram os retornos mais baixos e mais altos, ao longo deste ano, enquanto os pontos representam os retornos do presente ano. Os retornos de mercados emergentes, rendimento elevado e grau de investimento corporativo global são denominados em dólares norte-americanos, e o restante é denominado em moeda local. Índices ou preços usados, em ordem decrescente: Petróleo Brent à vista, MSCI Europe Index, MSCI USA Index, MSCI Emerging Markets Index, Bank of America Merrill Lynch Global High Yield Index, ICE U.S. Dollar Index (DXY), ouro à vista, J.P. Morgan EMBI index, Bank of America Merrill Lynch Global Broad Corporate Index, Refinitiv Datastream Italy de obrigações do governo com vencimento em 10 anos, Refinitiv Datastream Germany de obrigações do governo com vencimento em 10 anos e Refinitiv Datastream U.S. de obrigações do governo com vencimento em 10 anos.

Cenário dos mercados

As folhas de pagamento não agrícolas dos EUA voltaram a subir em maio, embora menos do que o esperado. Os dados econômicos têm sido erráticos, e esperamos que isso continue ao longo do processo de retomada, levando em conta a demanda reprimida e a escassez da oferta. Defendemos uma posição não muito reativa diante da volatilidade de curto prazo e permanecemos pró-risco, com base na nossa crença de que o Fed enfrenta um dilema difícil para sair da sua atual posição de política monetária flexibilizada.

Nas próximas semanas

9 de junho: China – inflação
10 de junho: ECB – reunião de política monetária; EUA – índice de preços ao consumidor
10 a 17 de junho: China – financiamento social total, novos empréstimos em yuan
11 de junho: Universidade de Michigan – pesquisas de consumidores

Os mercados estarão atentos aos dados da inflação dos EUA, além da reunião de comitê de política monetária do ECB. Um IPC básico elevado, logo na sequência de um resultado muito acima do esperado em abril (3%), poderia desencadear mais debates sobre a redução das compras de ativos por parte do Fed, embora não acreditemos que isso possa acontecer no curtíssimo prazo.

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Perspectivas direcionais

Vistas táticas sobre ativos selecionados versus amplas classes de ativos por grau de condenação, janeiro de 2021

Ativo Strategic view Tactical view
Ações Strategic equities - neutral Tactical view - neutral
Passamos a overweight em ações, em um horizonte estratégico. Vemos uma melhor perspectiva para os resultados corporativos em meio a valorações moderadas. A incorporação das mudanças climáticas nos nossos retornos esperados torna mais atrativas as ações dos mercados desenvolvidos, diante do grande peso de setores como tecnologia e saúde nos índices de referência. De um ponto de vista tático, estamos overweight em ações, pois esperamos que a retomada se acelere, enquanto os juros devem permanecer baixos. Nós nos inclinamos pela ciclicidade e mantemos um viés pela qualidade.
Crédito Strategic equities - neutral       Tactical view - neutral
Estamos underweight no crédito em bases estratégicas, uma vez que as valorações estão elevadas e preferimos o risco das ações. Em um horizonte tático, fizemos o downgrade do crédito para neutro, tendo em vista os spreads reduzidos, particularmente no grau de investimento. Ainda favorecemos o rendimento elevado pelo retorno.
Títulos Governa mentais Strategic equities - neutral Tactical view - neutral
Estamos estrategicamente underweight em títulos governamentais nominais, pois a sua funcionalidade como proteção dos portfólios diminuiu com os rendimentos na parte inferior da faixa de variação, enquanto o crescente endividamento poderá oferecer riscos para o regime de juros baixos. Essa é uma das razões pelas quais estamos underweight em títulos da dívida pública, de um ponto de vista estratégico. Preferimos os títulos indexados à inflação, pois vemos riscos de maior inflação no médio prazo. Passamos a underweight em bases táticas, pois estamos prevendo o aumento gradual dos rendimentos nominais, suportados pela retomada econômica.
Liquidez Tactical view - neutral                             Tactical view - neutral
Usamos a liquidez para financiar o overweight das ações. Manter um pouco de liquidez faz sentido, na nossa opinião, como proteção contra os choques de oferta, que provocam a queda das ações e dos títulos.
Mercados privados Strategic equities - neutral Tactical view - neutral
Acreditamos que os fluxos de retorno não tradicionais, incluindo crédito privado, têm potencial de criar valor e de ajudar na diversificação. A nossa perspectiva neutra se baseia em uma alocação estratégica que é muito maior do que a da maioria dos investidores qualificados. Muitos investidores institucionais permanecem subinvestidos nos mercados privados, já que superestimaram os riscos de liquidez, na nossa opinião. Os mercados privados constituem uma classe de ativos complexa e podem não ser adequados para todos os investidores.

Nota: Este material representa uma avaliação do ambiente de mercado em um momento específico e não se destina a ser uma previsão ou garantia de resultados futuros. Essas informações não devem ser consideradas conselhos de investimento em relação a um fundo, estratégia ou segurança em particular.

Perspectivas granulares

Vistas táticas sobre ativos selecionados versus amplas classes de ativos por grau de condenação, março de 2021

Legend Granular
Ações

Ativo Tactical view
Estados Unidos United States
Estamos overweight em ações dos EUA. Vemos os setores de tecnologia e saúde proporcionando exposição às tendências de crescimento estruturais e as small caps dos EUA preparadas para uma aguardada alta cíclica em 2021.
Zona do euro
Europe
Passamos a neutro nas ações europeias. Acreditamos que exista espaço para o mercado reduzir o gap na valoração contra o resto do mundo, assim que a retomada econômica se tornar mais consolidada.
Japão
Japan
Estamos underweight em ações do Japão. Outros países asiáticos poderiam se beneficiar em maior grau das políticas mais previsíveis sobre o comércio exterior dos EUA no governo Biden. Um iene mais fortalecido, diante do enfraquecimento do dólar norte-americano, poderia afetar os exportadores japoneses.
Mercados emergentes Emerging markets
Estamos overweight em ações dos emergentes. Vemos como os principais beneficiários de uma alta global liderada pela vacina em 2021. Outros aspectos positivos: a nossa expectativa por um dólar entre estável e ligeiramente mais desvalorizado, e uma política de comércio exterior mais estável no governo Biden.
Ásia, excluindo o Japão Asia ex-Japan
Estamos overweight nas ações da Ásia, excluindo o Japão. Muitos países asiáticos souberam conter o vírus de maneira eficaz e estão mais adiantados na retomada econômica. Vemos a orientação da região à tecnologia permitindo que se beneficie das tendências estruturais de crescimento.
Reino Unido UK
Estamos overweight em ações do Reino Unido. À medida que as incertezas sobre o Brexit se dissiparem, deveríamos ver o prêmio do risco sobre os ativos relacionados do Reino Unido diminuir. Também vemos as empresas de elevada capitalização do Reino Unido como uma alternativa relativamente atrativa na retomada cíclica global, diante do atraso em relação aos seus pares.
Momentum Momentum
Mantemos o nosso momentum em neutro. O fator poderia enfrentar grandes desafios no curto prazo com o ressurgimento dos casos da COVID-19 e os riscos de exaustão do apoio em políticas fiscais, que poderiam trazer turbulência aos mercados.
Valor
Value
Estamos neutros em valor. O fator poderia se beneficiar de uma aceleração da retomada, porém acreditamos que muitas das empresas com preços mais baixos, entre uma ampla gama de setores, enfrentam desafios estruturais que foram acelerados com a pandemia.
Volatilidade mínima Minimum volatility
Passamos a neutro em vol. mín. Nossas preferências regionais e setoriais oferecem uma maior exposição ao fator. O desempenho abaixo do esperado da vol. mín. levou a valorações mais razoáveis, na nossa opinião.
Qualidade
Quality
Continuamos overweight em qualidade. Favorecemos as empresas de tecnologia com boas perspectivas estruturais e vemos as empresas com sólidos balanços e fluxos de caixa como resilientes contra muitas das consequências da pandemia e da economia.
Tamanho
Size
Estamos overweight no fator de estilo tamanho nos EUA. Vemos as pequenas e médias empresas dos EUA como um local onde a exposição à ciclicidade poderia ser recompensada diante da recuperação liderada pelas vacinas.

Renda Fixa

Ativo Tactical view
Títulos do Tesouro dos EUA  
   U.S. Treasuries
Estamos underweight em títulos do Tesouro dos EUA. A retomada econômica acelerada levou à subida dos rendimentos, mas preferimos permanecer underweight, pois esperamos que as taxas de juros do curto prazo permaneçam ancoradas próximas a zero.
Títulos públicos indexados pela inflação (TIPS) Treasury Inflation-Protected Securities
Estamos neutros em TIPS depois do forte aumento das expectativas inflacionárias desde o ano passado. Aumentos adicionais parecem pouco prováveis no curto prazo. Ainda acreditamos que as pressões inflacionárias aumentarão no médio prazo, devido a questões estruturais.
Bunds alemães 
    Europe
Estamos neutros em bunds. Vemos o equilíbrio dos riscos se inclinando em favor de um maior afrouxamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu, uma vez que a economia da região está mostrando sinais de debilidade.
Títulos da zona periférica do euro Japan
Estamos saindo do overweight nos títulos da zona periférica do euro que mantivemos desde abril de 2020. Os rendimentos tiveram um rali que os levaram próximo aos mínimos históricos e os spreads se contraíram. O Banco Central Europeu apoia o mercado, mas não é agnóstico quanto aos preços; suas compras diminuíram conforme os spreads se reduziram.
Grau de investimento global Global investment grade
Estamos underweight no crédito com grau de investimento. Vemos pouco espaço para uma maior compressão dos spreads dos rendimentos e favorecemos maiores exposições cíclicas, como, por exemplo, o rendimento elevado e a renda fixa da Ásia.
Rendimento elevado global
Global high yield
Estamos moderadamente overweight no rendimento elevado global. Os spreads diminuíram significativamente, porém, acreditamos que a classe de ativos ainda é uma atrativa fonte de renda em um mundo carente de rendimentos.
Mercados emergentes – moeda forte Emerging market - hard currency
Estamos neutros em dívida de mercados emergentes em moeda forte. Esperamos que se beneficie da retomada global liderada pela vacina e de políticas mais previsíveis de comércio exterior dos EUA.
Mercados emergentes – moeda local Value
Estamos overweight em dívida dos mercados emergentes em moeda local, pois o desempenho abaixo do esperado neste ano deixou as valorações mais atrativas, particularmente se os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e o dólar norte-americano se estabilizarem. Vemos um limitado contágio aos mercados emergentes, em geral, a partir da volatilidade pontual de alguns países.
Renda fixa da Ásia
Asia fixed income
Estamos overweight em renda fixa da Ásia. Vemos a classe de ativos com valorações atrativas. Os países asiáticos fizeram um melhor trabalho na contenção do vírus e estão mais adiantados na retomada econômica.

Nota: As visualizações são da perspectiva do dólar americano. Este material representa uma avaliação do ambiente de mercado em um momento específico e não se destina a ser uma previsão ou garantia de resultados futuros. Essas informações não devem ser consideradas conselhos de investimento em relação a um fundo, estratégia ou segurança em particular.

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Leia mais sobre nossas perspectivas de investimento em nossa perspectiva de meio do ano de 2021.

The new normal

 

Vemos os EUA e o Reino Unido liderando a retomada econômica do mundo desenvolvido, com a zona do euro recuperando o atraso, impulsionados pela demanda reprimida e excedentes de poupança em níveis estratosféricos. Esse grande pico de crescimento será transitório, na nossa opinião. Isso se deve ao fato de que a retomada não significa uma recuperação: quanto maior a atividade econômica que recomeçar agora, menos teremos para recomeçar mais tarde.

    • O nosso tema do novo nominal, em que os rendimentos nominais serão menos sensíveis às expectativas de maior inflação, foi confirmado na recente reunião do Comitê de política monetária do Fed. O Fed deixou claro que ainda não chegamos ao ponto de reavaliar a taxa nominal de juros e que seria cedo demais para falar sobre mudanças nas compras de títulos. Acreditamos que essa clara reiteração do seu compromisso de ficar “atrás da curva” quanto à inflação tem ajudado o Fed a recuperar o controle da narrativa, por enquanto.
    • Acreditamos que a subida dos rendimentos de títulos governamentais nominais deste ano se justifica e reflete o despertar dos mercados para uma retomada forte da atividade econômica liderada pelas vacinas, juntamente com o mais ousado programa de estímulos da história.
    • Esperamos que as taxas no curto prazo continuem próximas a zero, dando suporte às valorações das ações. O Fed poderia estar mais disposto do que no passado sobre atuar contra as subidas dos rendimentos de longo prazo, ainda que a tendência para os próximos anos indique claramente maiores rendimentos no futuro. Vemos limites significativos quanto ao nível de rendimentos que a economia global poderia suportar.
    • Implicações no mercado: favorecemos os títulos indexados à inflação, devido às maiores pressões inflacionárias no médio prazo. Em bases táticas, preferimos assumir riscos nas ações em vez de no crédito, diante das baixas taxas e spreads apertados.
Globalization rewired

 

A COVID-19 acelerou as transformações geopolíticas, tais como a ordem mundial bipolar entre EUA e China e a reconfiguração das cadeias globais de suprimento, colocando maior peso na resiliência.

    • O governo Biden está entrando em uma concorrência estratégica com a China, especialmente no setor tecnológico, e tem criticado Pequim sobre direitos humanos. Está sendo encaminhado um projeto de lei nos EUA para direcionar investimentos de grande escala para enfrentar o desafio da China. Vemos motivos para uma maior exposição aos ativos relacionados à China em busca de retornos potenciais e de diversificação, e consideramos isso como posições estratégicas fundamentais, que são distintas das exposições aos mercados emergentes.
    • Esperamos que os fluxos para os ativos da Ásia se mantenham, pois acreditamos que muitos investidores globais ainda permanecem subinvestidos, e o peso da China nos índices globais está aumentando. Os riscos aos ativos expostos à China incluem o alto endividamento chinês e os conflitos entre EUA e China, mas acreditamos que os investidores serão recompensados por esses riscos.
    • Está ganhando força no G20 a ideia de um imposto mínimo global que poderia reduzir o espaço de planejamento tributário das empresas multinacionais que transferem lucros para jurisdições com taxas mais baixas.
    • Implicações no mercado: de um ponto de vista estratégico, favorecemos a diversificação deliberada entre países e exposições à China acima da referência. Taticamente, favorecemos as ações da Ásia, excluindo o Japão, e vemos as ações do Reino Unido como uma exposição cíclica e com preços atrativos.
Turbochared transformations

 

A pandemia acelerou as tendências estruturais preexistentes, por exemplo, um crescente foco na sustentabilidade, a maior desigualdade, dentro e entre os países, e o domínio do comércio eletrônico, canibalizando o varejo tradicional.

    • A pandemia trouxe maior foco aos fatores relacionados à sustentabilidade, até então pouco reconhecidos, e à resiliência das cadeias de suprimento.
    • Ela também acelerou a dinâmica de “o vencedor leva tudo”, que causou o sólido desempenho dos gigantes da tecnologia nos últimos anos. Vemos o setor de tecnologia se beneficiar dos ventos favoráveis estruturais de longo prazo, apesar das suas elevadas avaliações, porém o setor poderia enfrentar desafios com elevados impostos corporativos e regulação mais intensa em um governo Democrata unificado.
    • A pandemia elevou o foco sobre as desigualdades, tanto dentro quanto entre países, devido às diferenças na qualidade da infraestrutura da saúde pública, especialmente entre os emergentes, e no acesso aos serviços de saúde. Vemos um risco de distúrbios sociais.
    • Implicações no mercado: estrategicamente, vemos os retornos sendo impulsionados pelo impacto das mudanças climáticas, e as ações dos mercados desenvolvidos como uma classe de ativos posicionada para aproveitar as oportunidades da transição do clima. Em bases táticas, favorecemos os setores de tecnologia e saúde, bem como as exposições cíclicas selecionadas.

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Elga Bartsch
Head of Macro Research — BlackRock Investment Institute
Elga Bartsch, PhD, Managing Director, heads up economic and markets research at the Blackrock Investment Institute (BII). BII provides connectivity between ...
Wei Li
Global Chief Investment Strategist – BlackRock Investment Institute
Wei Li, Managing Director, is Global Chief Investment Strategist at the BlackRock Investment Institute (BII).
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist -BlackRock Investment Institute
Scott Thiel, Managing Director, is Chief Fixed Income Strategist for BlackRock and a member of the BlackRock Investment Institute (BII). He is responsible for..
Nicholas Fawcett
Member of the Economic and Markets Research Group - BlackRock Investment Institute
Nicholas Fawcett, Vice President, is a member of the Economic and Markets Research group at the BlackRock Investment Institute.

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