COMENTÁRIO GLOBAL SEMANAL

Investimentos sustentáveis ganham tração

18 jun 2018

Pontos principais

  • Nossa opinião sobre o investimento sustentável: estão ganhando popularidade, não exigem que se abra mão de retornos ajustados ao risco e podem aumentar a resiliência do portfólio.
  • O Federal Reserve e o Banco Central Europeu (BCE) deram mais um passo no sentido de regulamentar suas políticas monetárias.
  • Os maiores países produtores de petróleo podem chegar a um acordo para amenizar um pouco os cortes de produção, contribuindo com o aumento da oferta para o mercado de petróleo bruto.

Uma estratégia de longo prazo pode ajudar um portfólio a resistir aos inevitáveis altos e baixos do mercado. Em nossa opinião, o investimento sustentável, ou seja, a integração de insights ambientais, sociais e de governança aos portfólios, é uma dessas estratégias, que agora pode ser implementada na maior parte das classes de ativos sem a necessidade de abrir mão de retornos ajustados ao risco ao longo do tempo.

Termos relacionados a ESG em apresentações de resultados de empresas dos EUA, 2006-2018.

O interesse por ESG está aumentando. Nossa análise textual das transcrições mostrou que as empresas do S&P 500, em média, mencionam termos relacionados a ESG nas apresentações de resultados com quase duas vezes mais frequência do que na década passada. Veja o gráfico acima. Ao mesmo tempo, a regulamentação e o desejo dos investidores de ter um papel positivo, mitigar riscos ou acessar oportunidades em segmentos de mercado estão alimentando seu interesse, à medida que novos benchmarks e produtos tornam o investimento em ESG mais acessível em todas as classes de ativos e regiões. Os ativos totais em fundos mútuos e fundos negociados em bolsa específicos de ESG na Europa e nos EUA cresceram quase 50% entre 2013 e 2017, segundo a Cerulli Associates. Acreditamos que esses fluxos se aceleraram ainda mais em 2018. Enquanto mais investidores consideram investir em ESG, há uma boa razão para acreditar que a relação entre ESG e o desempenho do ativo pode se intensificar. Encontramos indícios de que um foco maior em ESG pode estar vinculado ao desempenho superior das ações ao longo do tempo. Saiba mais sobre investimento sustentável: por que não?

Nenhum sacrifício é necessário

Em nossa opinião, um forte desempenho nas métricas de ESG pode ser um indicador de excelência operacional: empresas e emissores com altas pontuações nessas métricas costumam ser mais eficientes na utilização de recursos e mais resilientes a riscos, que vão de lapsos éticos a riscos climáticos. A preocupação dessas entidades com a qualidade sugere que o foco em ESG pode oferecer certo amparo durante as recessões do mercado. Analisamos os índices tradicionais de referência de ações e também derivativos de ESG do MSCI. Segundo nosso estudo, os retornos totais anualizados dos índices de ESG desde 2012 foram iguais ou um pouco superiores aos do índice padrão dos mercados desenvolvidos e emergentes, com volatilidade comparável. Há indícios também de que o foco em ESG pode oferecer as melhores recompensas nos mercados emergentes, onde questões como proteção dos acionistas, gestão dos recursos naturais e relações trabalhistas podem ser importantes diferenciais de desempenho.

Na renda fixa, os investidores de crédito geralmente precisam abrir mão de parte dos rendimentos para que seus portfólios tenham foco em ESG, uma vez que as empresas com menor pontuação nas métricas de ESG são as que costumam oferecer os maiores rendimentos. Contudo, essa troca pode ser ilusória. Títulos de dívida com rendimentos mais baixos, mas com classificação de ESG mais alta, geraram retornos ajustados ao risco mais sólidos na última década, segundo nossa análise do mercado de alto rendimento global. Os portfólios de ESG acompanham o ritmo dos portfólios tradicionais em um ciclo completo do mercado, mesmo abrindo mão de algum rendimento em períodos de maior risco. Um novo conjunto de índices de dívida de ESG de mercados emergentes, lançado pela BlackRock em parceria com o JPMorgan, pode ajudar a direcionar mais capital para líderes de ESG ao longo do tempo e incentivar os retardatários a elevar suas apostas.

Há desafios. Os dados de ESG ainda são irregulares e irrelevantes. Para buscar alfa com estratégias de ESG, os investidores precisam enxergar além das principais pontuações e entender como e por que os componentes da pontuação, como riscos climáticos, questões trabalhistas e direitos dos acionistas, podem afetar os retornos. Isso pode variar dependendo da região, da indústria e da empresa. Conclusão: acreditamos ser possível criar portfólios sustentáveis que não comprometam metas de retorno e possam até mesmo melhorar os retornos ajustados ao risco em longo prazo.

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Data:Evento
18 a 20 de junho Reunião anual dos principais bancos centrais em Sintra, Portugal
20 de junho Ata da reunião de política monetária do Banco do Japão
21 de junho Índice de confiança do consumidor da zona do euro; anúncio da política monetária do Banco da Inglaterra
22 de junho Reunião dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP); índices de gestores de compras do Japão, dos EUA e da zona do euro (PMIs)

Alguns dos principais países exportadores de petróleo do mundo podem concordar em contribuir com o aumento da oferta ao mercado na reunião da OPEP desta semana. Contudo, eles não devem retirar totalmente as restrições sobre a produção atual, que ajudaram a reduzir os estoques globais de petróleo, elevando o preço do petróleo bruto ao seu valor mais alto em três anos. Os bancos centrais dos EUA, da zona do euro e do Japão podem proporcionar um contexto para as decisões recentes em relação às políticas monetárias no fórum anual desta semana em Sintra, Portugal.

  • O BCE declarou que encerrará seu programa de compra de títulos de dívida até o final do ano. Esse sinal de que não haverá aumento de taxas antes da segunda metade de 2019 reduziu os rendimentos dos títulos de dívida pública da Europa e levou o euro à sua maior desvalorização diária em comparação ao dólar americano nos últimos dois anos. O Fed aumentou as taxas como era esperado e expressou confiança na economia dos EUA.
  • Os dados econômicos da China foram decepcionantes. Dados de crédito surpreendentemente fracos foram o destaque da campanha de desalavancagem de Pequim, mas também geraram preocupações sobre seu impacto no crescimento. Os EUA anunciaram tarifas sobre o equivalente a 50 bilhões de dólares em importações chinesas, e a China prometeu responder na mesma moeda.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, reuniram-se em Cingapura. O acordo assinado por ambos demonstrou a intenção de levar adiante o processo de desnuclearização, mas não ofereceu mais detalhes. Como resultado, a reação do mercado foi atenuada.

Resumo internacional

Desempenho semanal e de 12 meses de ativos selecionados

 

AçõesSemanaYTD12 mesesDiv. Rendimento
EUA – grandes empresas 0.1% 4.0% 14.3% 1.9%
EUA – pequenas empresas 0.7% 10.3% 20.9% 1.1%
Mundo, exceto EUA -0.9% -1.5% 10.5% 3.2%
Desenvolvidos, exceto EUA -0.5% -0.8% 9.5% 3.3%
Japão -0.5% 1.3% 14.2% 2.2%
Emergente -1.8% -3.1% 13.5% 2.8%
Ásia, exceto Japão -1.7% 0.2% 16.9% 2.6%
TítulosSemanaYTD12 mesesRendimento
Títulos do Tesouro EUA 0.1% -1.6% -1.6% 2.9%
TIPS EUA 0.1% -0.7% 1.2% 3.0%
Grau de investimento EUA 0.2% -3.2% -1.0% 4.0%
Alto rendimento EUA 0.4% 0.7% 3.1% 6.2%
Precatórios EUA 0.0% -0.5% 0.8% 2.7%
Desenvolvidos, exceto EUA -0.6% -1.5% 2.7% 0.9%
Títulos em dólar de mercados emergentes -0.6% -5.1% -2.2% 6.5%
CommoditiesSemanaYTD12 mesesNível
Petróleo bruto Brent -3.9% 9.8% 56.5% $73.44
Ouro -1.5% -1.8% 2.0% $1,279
Cobre -4.0% -3.1% 24.0% $7,020
MoedasSemanaYTD12 mesesNível
Euro/dólar -1.4% -3.3% 4.2% 1.16
Dólar/iene 1.0% -1.8% -0.2% 110.66
Libra/dólar -0.9% -1.7% 4.1% 1.33

Fonte: Bloomberg. Em 15 de junho de 2018.
Observações: dados semanais até sexta-feira. O desempenho de ações e títulos é medido em retornos de índices totais em dólares americanos. Empresas de grande capitalização dos EUA são representadas pelo S&P 500 Index; empresas de pequena capitalização dos EUA são representadas pelo Russell 2000 Index; ações internacionais excluindo-se os EUA, pelo MSCI ACWI ex U.S.; ações de mercados desenvolvidos excluindo-se os EUA, pelo MSCI EAFE Index; Japão, mercados emergentes e Ásia excluindo Japão, pelos seus respectivos índices MSCI; títulos do tesouro dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Treasury Index; U.S. TIPS pelo U.S. Treasury Inflation Notes Total Return Index; grau de investimento dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Corporate Index; alto rendimento dos EUA pelo Bloomberg Barclays U.S. Corporate High Yield 2% Issuer Capped Index; títulos municipais dos EUA pelo Bloomberg Barclays Municipal Bond Index; títulos de mercados desenvolvidos excluindo-se os EUA pelo Bloomberg Barclays Global Aggregate ex USD; e títulos em dólares americanos de mercados emergentes pelo JP Morgan EMBI Global Diversified Index. Os preços do petróleo Brent estão em dólares americanos por barril, os preços do ouro estão em dólares por onça troy, e os preços do cobre estão em dólares por tonelada. O nível EUR/USD é representado em dólar americano por euro, o USD/JPY em iene por dólar americano, e o GBP/USD em dólar americano por libra. O desempenho do índice é indicado apenas para fins ilustrativos. Não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho passado não é indicação de resultados futuros.

Visões de classes de ativos

Visões a partir da perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de
três meses

 

Classe de ativo Visão Comentários
Ações EUA icon-up Nossa visão positiva está alicerçada em um fortíssimo momentum dos ganhos, redução da carga tributária sobre as empresas e estímulo fiscal. Damos preferência aos fatores de estilo de momentum e valor, além dos setores de serviços financeiros e tecnologia.
Europa Vemos uma expansão global sustentada respaldando os setores cíclicos. A moderação do crescimento doméstico e o aumento dos riscos políticos representam obstáculos para os ganhos, sobretudo dos bancos.
Japão icon-up Um maior crescimento global, um comportamento empresarial mais amigável aos acionistas e ganhos sólidos são os aspectos positivos. Vemos a política do Banco do Japão como favorável. Qualquer apreciação do iene seria um risco.
Mercados emergentes icon-up Reformas econômicas, fundamentos corporativos em processo de melhora e avaliações razoáveis dão apoio a ações de mercados emergentes. A expansão dos mercados desenvolvidos acima da tendência é outro ponto positivo. Entre os riscos estão um aumento mais acentuado do dólar dos EUA, tensões comerciais e eleições. Vemos as maiores oportunidades nos mercados emergentes da Ásia.
Ásia, exceto Japão icon-up O cenário econômico é encorajador. O crescimento e os lucros corporativos da China são sólidos. Vemos positivamente alguns mercados específicos do sudeste da Ásia, mas reconhecemos que uma desaceleração chinesa mais rápida do que o esperado ou problemas no comércio global podem representar riscos para toda a região.
Renda fixa Obrigações do governodos EUA icon-down Vemos as taxas crescendo moderadamente em meio à expansão econômica e ao processo de normalização do Fed. Títulos com vencimentos mais curtos oferecem uma relação mais atrativa entre risco e recompensa. Juntamente com títulos indexados pela inflação, podem ser proteções contra taxas crescentes e um cenário inflacionário. Preferimos as hipotecas de 15 anos às de 30 e a títulos corporativos de curto prazo.
Precatórios EUA Uma demanda sólida de investidores no varejo e uma oferta atenuada dão apoio aos municipais, mas taxas em crescimento pesam sobre o desempenho absoluto. Acreditamos que uma postura mais defensiva se justifica no curto prazo, embora qualquer fraqueza material por causa da oferta possa representar uma oportunidade de compra. Recomendamos o foco em vencimentos de dois e 20 anos.
Títulos de crédito dos EUA O crescimento estável sustenta o crédito, mas altas avaliações representam um limite. Preferimos exposições de alta qualidade como proteção ao risco das ações. Na nossa opinião, instrumentos de taxa flutuante de qualidade superior e vencimentos mais curtos estão bem posicionados para juros mais altos.
Títulos soberanos europeus icon-down A política de taxa de juros negativa do BCE tornou os rendimentos pouco atraentes e vulneráveis à melhora das perspectivas de crescimento. Acreditamos que haverá um aumento dos rendimentos de base da zona do euro. Mantemos a cautela com relação a áreas periféricas por causa de avaliações apertadas, dos riscos políticos na Itália e da perspectiva de o BCE reduzir suas compras de ativos.
Crédito europeu icon-down A ampliação recente do spread, motivada pelo aumento das emissões, criou um certo valor. Por sua vez, as compras atuais do BCE devem sustentar a classe do ativo. As taxas negativas prejudicaram os rendimentos absolutos, mas diferenciais de taxas crescentes tornam posições com hedge cambial cada vez mais atrativas para investidores em dólar dos EUA. A dívida financeira subordinada parece menos atraente que as ações após um forte ano de 2017.
Dívidas de mercados emergentes Movimentos de preços recentes melhoraram as avaliações de dívidas em moeda corrente, elevando a atratividade de títulos em moeda local e papéis corporativos de mercados desenvolvidos. Uma maior sustentação às avaliações vem da oferta em desaceleração e de fundamentos fortes em mercados emergentes. Temores em relação ao comércio ou riscos geopolíticos podem levar a um rápido arrocho das condições financeiras globais e representam riscos de deterioração.
Renda fixa da Ásia A dinâmica inflacionária e o crescimento regional apoiam o crédito. A representação cada vez maior da China no universo de títulos da região reflete o crescente mercado de crédito do país. Um crescimento de qualidade superior e um foco na reforma do setor financeiro são aspectos positivos de longo prazo, mas qualquer desaceleração da economia chinesa significaria uma dificuldade no curto prazo.
Outra opção Commodities e moedas * A queda das reservas globais serve de base para o preço do petróleo, e as tensões geopolíticas também causam impacto. Vemos o dólar americano com neutralidade. Os fatores que levaram ao seu recente fortalecimento provavelmente são temporários, mas uma maior incerteza global e uma expansão do diferencial de rendimento dos EUA em relação a outras economias podem contribuir.

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* Dada a amplitude desta categoria, nós não oferecemos uma visão consolidada.

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