3 erros comuns que investidores cometem e como evitá-los

Daniel Prince Nov 07, 2022

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

  • Focar demais no desempenho, medo de ficar de fora da oportunidade e focar muito em pontos negativos são três erros comuns que muitos investidores podem cometer.
  • A história mostra que os investidores que reagem de forma exagerada a eventos de curto prazo do mercado, normalmente, tornam sua situação pior do que se ficassem estagnados em seu plano de longo prazo.
  • Ter consciência dessas armadilhas típicas pode ajudar a melhorar o desempenho do seu portfólio.

Ninguém é perfeito, especialmente quando se trata de investir. Até mesmo a empresa de Warren Buffett declarou uma perda de US$ 44 bilhões no segundo trimestre à medida em que seu portfólio de investimentos despencava.1 Uma razão para que até os melhores investidores não consigam acompanhar o mercado mais amplo é justamente o fato de sermos apenas humanos, nascidos para cometer erros.

Em nossas rotinas, sabemos que é difícil desfazer hábitos ruins, como comer muita besteira por exemplo. O mesmo vale para os investimentos. Da mesma forma que entender quais alimentos são bons para você, o conhecimento é essencial quando se trata do seu portfólio.

Então, aqui estão três erros comuns que os investidores cometem e algumas dicas de como lidar com eles.

OBSESSÃO PELO DESEMPENHO

O investidor médio tende a escolher fundos com base na ideia de terem atingido recentemente seus índices de referência, supostamente por acreditarem que esses fundos continuarão a ter um desempenho acima do esperado.2 No entanto, os dados indicam que os fundos de melhor desempenho raramente ficam no topo por muito tempo. Dos 549 fundos de ações internos ativamente gerenciados que estavam no quartil superior em junho de 2017, menos de 3% permaneceram no quartil superior quatro anos depois.3 Encontrar fundos ativos com a capacidade de superar constantemente seus índices de referência pode agregar valor significativo aos portfólios, mas eles podem ser difíceis de encontrar com antecedência.

O mesmo vale para investimentos em ações. Muitos de nós, especialmente os iniciantes em investimentos, são atraídos pelas "ações mais valorizadas". Infelizmente, nesses casos é correto dizer a expressão "indo com muita sede ao pote".

Escolher uma ação ou fundo simplesmente por seu bom desempenho recente pode levar você a ignorar evidências no longo prazo, optando pelas tendências atuais. Quando os investidores agem, quase exclusivamente, com base em eventos de curto prazo do mercado, podem acabar sustentando tendências de desempenho que prejudicam retornos no longo prazo.

Dica: "O desempenho passado não é garantia de retornos futuros" não é uma nota de rodapé que deve ser ignorada; priorize essa expressão quando for considerar qualquer investimento. Assim como na direção, é melhor investir olhando para a estrada à frente do que para o retrovisor. Outros critérios também devem ser considerados ao buscar um fundo para cumprir as metas de investimento, como o objetivo de investimento, taxas e impostos, por exemplo.

VIÉS DE RETROSPECTIVA

Se você já pensou algo como "eu devia ter previsto isso", você não está sozinho.

Pode ser muito comum as pessoas pensarem que o passado era previsível, o que poderia levar a um comportamento de "manada" nos mercados. Isso acontece quando os investidores compram ativos após um forte período de desempenho com base na crença equivocada de que "sabiam" que o investimento teria um bom desempenho. A síndrome de FOMO (fear of missing out), ou "medo de ficar de fora", está ligada a isso.

Assim como na obsessão pelo desempenho, os dados mostram que o dinheiro tende gerar retornos, geralmente com resultados prejudiciais. Por exemplo, investidores mergulharam em fundos de ações em 1999, depois que as ações de tecnologia dispararam, logo quando a bolha estava prestes a estourar. Da mesma forma, os investidores acumularam fundos de títulos após a Grande Crise Financeira, e, como resultado, muitos perderam a alta subsequente do mercado em ações.

Dica: você pode pensar que certo resultado era óbvio, mas não há como prever o futuro. Buscar as principais tendências pode ser tentador, mas os investidores de longo prazo mais bem sucedidos podem ter um desempenho melhor ao criar um plano e se comprometer com ele.

Focar demais no desempenho pode gerar resultados ruins

Gráfico que mostra como o dinheiro geralmente flui para os fundos de ações após períodos de forte desempenho do mercado.

Fonte: BlackRock e Morningstar. Os dados abrangem o período de 31/12/1992 a 31/12/2021. Os fundos de ações contêm todos os ETFs e Fundos mútuos na categoria de ações dos EUA da Morningstar. Os fundos de títulos contêm todos os ETFs e Fundos mútuos na categoria de Títulos tributáveis da Morningstar. O fluxo é considerado a partir de 31/12 de cada ano.

O do índice tem fins meramente ilustrativos. O desempenho do índice não reflete as taxas de gestão, custos de transação ou despesas. Os índices não são gerenciados e não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho passado não garante resultados futuros.


AVERSÃO À PERDA

Embora os nossos antepassados que habitavam as cavernas não pudessem compreender o mundo moderno, a evolução humana não acompanhou o ritmo da mudança tecnológica. Nossos cérebros ainda estão programados para evitar perigo, seja um tigre dentes-de-sabre ou possíveis quedas em nosso portfólio.5

Para a maioria dos investidores, a dor das perdas do investimento incomoda muito mais e dura por muito mais tempo do que o prazer dos ganhos de dimensões equivalentes. Como resultado, muitos de nós focamos mais ainda no curto prazo, principalmente nos períodos de reviravolta no mercado. Infelizmente, a história mostra que os investidores que reagem de forma exagerada a eventos do mercado, normalmente, tornam sua situação pior do que se ficassem estagnados em seu plano de longo prazo.

Considere o seguinte:

  • De 1919 a 2021, o mercado de ações dos EUA nunca teve retornos negativos, considerando uma base de 20 anos consecutivos. Além disso, desde 1972, o S&P 500 não tem apresentado retornos negativos em qualquer período superior a 12 anos consecutivos.6
  • Nos últimos 28 anos, o S&P 500 teve uma queda média intra-anual de quase 15%. Ainda assim, o índice apresentou retornos anuais positivos em mais de 70% desses anos.7
  • Desde 1989, o S&P 500 superou o caixa em 88% do tempo por 10 anos consecutivos (veja o gráfico abaixo).8

Dica: é fundamental focar no seu tempo de mercado, em vez de se preocupar com o tempo do mercado. A construção de um portfólio diversificado pode suavizar o percurso, o que pode ajudar você a permanecer no caminho mesmo em mercados turbulentos. Além disso, estratégias de volatilidade mínima podem ajudar a reduzir o risco na quantidade de ações de um portfólio, o que pode ajudar você a permanecer no mercado a longo prazo.

Ações vs. Caixa: o tempo esteve do lado das ações

Gráfico de barras que mostra a porcentagem de períodos consecutivos durante os quais o S&P 500 superou as Contas do Tesouro dos EUA; a probabilidade das ações superarem o caixa aumenta com o tempo, conforme observação histórica.

Fonte: Morningstar. Os dados abrangem o período de 31/12/1989 a 31/12/2021. Os retornos de ações são representados pelo índice de retorno total do S&P 500. Os retornos de caixa são representados por Contas do Tesouro de 3 meses nos EUA.

O desempenho do índice tem fins meramente ilustrativos. O desempenho do índice não reflete as taxas de gestão, custos de transação ou despesas. Os índices não são gerenciados e não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho passado não garante resultados futuros. O desempenho do índice não representa o Desempenho real do fundo. Para obter o desempenho real do fundo, acesse www.iShares.com ou www.blackrock.com.


CONCLUSÃO

Claro, falar em desfazer hábitos ruins é mais fácil do que fazer (e batatas fritas são muito gostosas!). Sabemos que não existe uma varinha mágica que vai mudar a natureza humana, mas ter consciência destes erros comuns pode ajudar você a evitar erros dispendiosos e, consequentemente, obter melhores retornos em seu portfólio.

Daniel Prince

Daniel Prince, CFA

Head de iShares product consulting da BlackRock U.S. Wealth Advisory Business e U.S. Head de iShares Core ETFs

Brad Zucker, CFA

Consultor de Produtos