COVID, um ano depois: Cinco lições de investimento

Armando Senra |10 mai 2021

Um ano atrás, o que era inimaginável se tornou real. Uma crise de saúde histórica varreu o mundo, causando sofrimento e perturbação incalculáveis para milhões de pessoas.

Ao relembrarmos um ano em que a COVID-19 atingiu os EUA, devemos, acima de tudo, reconhecer e lamentar as mais de 500.000 vidas perdidas nos Estados Unidos e as cerca de 2,5 milhões no mundo todo. E devemos expressar gratidão pelos profissionais de saúde e outros trabalhadores que ajudaram a manter um mínimo de normalidade em nossa sociedade.

Apesar de esses últimos doze meses terem sido incrivelmente difíceis, parece que já estamos no caminho para reabrir e retomar a vida como ela era. Este marco faz de agora um bom momento para atualizar meu pensamentos sobre os mercados de um ano atrás e refletir sobre o que aprendemos.

Temos aqui cinco lições importantes que aprendemos no ano passado e como elas podem moldar o mundo dos investimentos daqui para frente.

Continue investido e seja diversificado

O sell-off do mercado em fevereiro e em março de 2020 foi doloroso para os investidores, que viram uma queda de até dois dígitos no valor dos investimentos, mas permanecer posicionado provou-se uma decisão sábia. Compreender o tempo do mercado é difícil até mesmo para os profissionais mais experientes, sendo que poucos conseguiram prever a força do rebote que ocorreu mais tarde: Desde a maior baixa do mercado em março de 2020, tanto o índice S&P 500 quanto o índice mundial MSCI subiram mais de 65%.1 Os investidores que venderam participações no meio da volatilidade e ficaram de fora até os mercados se recuperarem perderam a recuperação e a valorização de suas carteiras. Outro exemplo de como investir para o longo prazo ainda é a melhor estratégia.

Procure oportunidades ao longo do caminho

Embora seja importante manter seu portfólio principal, normalmente com uma combinação de ações e títulos adequados às metas do investidor, tolerância a riscos e horizonte de tempo como base de seus investimentos, também é essencial ajustar o portfólio taticamente, conforme apropriado. Por exemplo, o BlackRock Investment Institute (BII) sugeriu recentemente que os investidores rebaixassem os títulos do Tesouro americano e expressou preferência por ações em vez de crédito. Dado o potencial de uma inflação mais elevada, foi sugerido considerar os TIPS dentro das carteiras de renda fixa. O BII prefere as ações de tecnologia e saúde, juntamente com a qualidade como fator. Vale a pena considerar os mercados emergentes, especialmente a China, os quais podem se beneficiar ainda mais do crescimento econômico permitido pelas vacinas em 2021, bem como de um dólar mais fraco. Estamos certamente observando o foco em ações entre investidores de iShares, onde os fluxos em ações deste ano permanecem fortes.

As megatendências vieram para ficar

Muitas das tendências tecnológicas e macroeconômicas que identificamos como oportunidades de investimento de longo prazo têm se acelerado como resultado da COVID. Por exemplo, genômica e imunologia têm sido altamente importantes na luta contra a COVID e outras doenças; o índice FactSet Global de Genômica e Imunobiofarma da NYSE teve uma alta de 98% desde março de 2020.2 Outras tendências, como o varejo on-line e as tecnologias de home office, ganharam força, enquanto os projetos de infraestrutura tiveram o foco renovado. O investimento em megatendências proporciona uma exposição mais precisa a essas oportunidades de longo prazo do que as exposições tradicionais do setor.

O investimento sustentável chegou à maturidade

Muitos pensaram que a desaceleração econômica e a pandemia resultariam em uma desaceleração ou até mesmo reversão da tendência de investimento sustentável e do ESG, ou, em outras palavras, o investimento considerando fatores ambientais, sociais e de governança. Na verdade, o investimento sustentável ganhou força em 2020, pois os investidores favoreceram empresas de maior qualidade, que costumam ter maiores pontuações no ESG, e o impacto das mudanças climáticas tornou-se ainda mais evidente. Em 2020, mais de 90% dos índices sustentáveis superaram seus índices antagônicos não ESG. Acreditamos que o ESG se tornará uma parte cada vez mais importante da forma como as empresas operam e da forma como os investidores investem.

Os ETFs de iShares são uma ferramenta indispensável para investidores.

Muitas vezes, os ETFs de iShares provaram seu valor para os investidores em 2020. Durante a volatilidade em março, muitos investidores, principalmente institucionais, recorreram aos ETFs de renda fixa de iShares para seus desafios de carteira, uma vez que os mercados de títulos subjacentes tinham sido simplesmente congelados, e a maneira mais eficiente de negociar dentro ou fora da renda fixa era com os ETFs. Mais tarde, à medida que os mercados se recuperavam, os ETFs ajudaram os investidores a acessar partes do mercado com oportunidades de crescimento, como energia limpa ou mercados emergentes. Seja qual for o problema do investimento, é provável que os iShares façam parte da solução.

Resumindo

Como todo mundo, eu olho para o ano que passou desde que a COVID emergiu com uma mistura de sentimentos: Pesar, tristeza, exaustão, é claro, mas também com um novo sentido de gratidão por tudo e otimismo por acreditar que o pior já passou. Não sei o que os próximos doze meses nos reservam, mas sei que as lições do ano passado servirão para nos orientar, não só em 2021, mas durante os próximos anos.

Armando Senra
Head de iShares para as Américas