INSIGHTS GLOBAIS

Investimento sustentável: por que não?

24 mai 2018

Saímos de um momento "por quê?" para um "por que não?" em termos de investimento sustentável. Com base nos insights dos profissionais de investimentos da BlackRock, mostramos por que acreditamos ser possível criar portfólios sustentáveis que não comprometam metas de retorno e que possam até mesmo melhorar, no longo prazo, os retornos ajustados ao risco.

Fortes desempenhos em ESG tendem a apresentar excelência operacional; além disso, são mais resistentes a riscos que vão de lapsos éticos a riscos climáticos. Os dados de ESG ainda são incompletos, em grande parte autorrelatados e nem sempre comparáveis; além disso, defendemos maior consistência e transparência. Ainda assim, a amplitude e a qualidade melhoraram o suficiente para tornar a análise de ESG uma parte fundamental do processo de investimento.

Resumo sobre investimento sustentável

  • Descobrimos que a implementação de ESG pode ser feita na maioria das classes de ativos sem abrir mão dos retornos ajustados ao risco. ESG e métricas de qualidade existentes, tais como balanços patrimoniais fortes, têm muito em comum. Isso significa que portfólios abertos a ESG podem ter desempenho abaixo do esperado em períodos de tomada de risco, porém mais resistência durante recessões.
  • Novos parâmetros e produtos estão tornando os investimentos em ESG mais acessíveis em uma série de regiões e classes de ativos. Os dados estão melhorando, mas ainda são insuficientes. Isso significa que é essencial ir além das principais pontuações de ESG para obter insights. É fundamental compreender como e por que componentes individuais da pontuação podem afetar retornos em diferentes países, empresas e setores. 
  • Indícios iniciais sugerem que concentrar-se em ESG pode gerar os maiores dividendos em mercados emergentes. Proteções de acionistas, gestão de recursos naturais e relações de trabalho podem ser diferenciais de alto desempenho. Um novo conjunto de índices de títulos de dívidas de mercados emergentes abertos a ESG pode ajudar a direcionar mais capital para líderes de ESG ao longo do tempo. 
  • A BlackRock está trabalhando com empresas para tratar de questões de sustentabilidade; não para impor nossos valores, mas para defender a excelência em ESG em nome dos clientes. Também defendemos divulgações mais consistentes, frequentes e padronizadas de métricas de ESG, com provedores de dados, empresas e órgãos reguladores.

Instantâneo acionário

Quem investe em ações precisa escolher entre retornos e ESG? Nossa resposta: não. Analisamos os índices de ações tradicionais ao lado de versões com foco em ESG. Os destaques estão descritos na tabela Nenhum sacrifício necessário?. Os retornos anualizados desde 2012 são iguais ou superiores ao índice padrão nos mercados desenvolvidos e emergentes, com volatilidade comparável. Os mercados emergentes se destacaram.

Comparação de benchmarks acionários tradicionais e com foco em ESG por região, de 2012 a 2018

ESG dentro do EMD

Acreditamos que os novos índices ESG com títulos de dívidas de mercados emergentes (uma colaboração entre o J.P. Morgan e a BlackRock) podem levar a uma maior alocação de capital para emissores mais abertos a ESG com o passar do tempo. O gráfico Soberanos sustentáveis mostra os pesos de países no novo JESG EMBI Global Index em comparação à sua contraparte padrão. Diferenças de desempenho de ESG em diferentes países geram mudanças significativas em pesos de índices e, talvez, em fluxos de investimento. Um exemplo: Uma grande queda do peso da China pode levar à venda de seus títulos conforme os investidores adotam o novo índice.

Pesos de países: ESG x benchmark padrão de EMD, 2018

Menos é mais

Subconjuntos de métricas de ESG podem apontar para tendências reveladoras. Veja as emissões de carbono autorrelatadas. Descobrimos que as empresas globais que mais reduziram a sua pegada de carbono (emissão de carbono anual dividida pelas vendas) a cada ano tiveram desempenho superior às empresas que ficaram para trás quando o assunto é carbono. Veja a linha laranja no gráfico Eficiência de carbono. Por quê? Empresas que encontram maneiras de fazer mais com menos tendem a ser mais eficientes.

Desempenho de ações por intensidade de carbono, de 2012 a 2018