E agora, o que faço com meu portfólio? Três coisas a considerar

BlackRock |26 mar 2020

Ajustes são normais, mas isso não significa queeles sejam agradáveis.

Nós compreendemos. Esta situação é desconfortável. As fortes oscilações dos mercados, nas últimas semanas, nos lembraram um pouco da grande crise financeira de 2008. Há três meses, a maioria das pessoas não sabima o que era um coronavírus. Agora, ele está afetando todas nossas vidas.

ESTA é a sensação de risco.

O inesperado acontece, por isso, é muito importante estar preparado. É por isso que pregamos diversificação e sugerimos montar portfólios que incluam investimentos aparentemente entediantes, que não vão a lugar algum e nos fazem questionar por que investimos neles. Agora sabemos o porquê.

Ter perspectivas também é fundamental em tempos como estes. A história não só nos lembra das inevitáveis flutuações do mercado, como também nos ensina sobre o que fazer (e o que não fazer) quando o inevitável acontecer de novo. Vejamos três coisas para pensarmos agora:

Lição 1: Permaneça calmo

É importante colocar os atuais mercados em contexto. O Índice S&P 500 encerrou 2019 em alta de 451% em relação ao seu ponto mais baixo, em março de 2009. Isso representa um retorno médio anual de 17,1% durante a década. Agora, o S&P 500 está devolvendo parte destes ganhos. Parece assustador, mas isso não levou a maior parte dos ganhos que tivemos nos últimos onze anos. Mas mesmo assim, não se acomode. As coisas podem piorar antes de melhorar.

Lição 2: Mantenha os investimentos

Os excelentes retornos dos últimos onze anos também vieram com volatilidade muito baixa. A correção (um índice 10% abaixo do seu pico) que atingimos oficialmente há duas semanas foi apenas o 6o episódio deste tipo nos últimos onze anos. Antes do atual declínio, o pior destes episódios (queda de ~20%) ocorreu ao final de 2018. O segundo pior (queda de 19%) aconteceu em 2011. Em ambos os casos, o mercado se recuperou e subiu ainda mais no prazo de cinco meses. As outras três correções mal atingiram 10% de queda, e se recuperaram ainda mais rápido. As correções normalmente ocorrem com mais frequência do que vimos na última década. Quando você fica confortável em ver seus investimentos sempre aumentarem, pode ser bem incômodo vê-los despencar. Mas isso não deve tirá-lo do mercado acionário, especialmente se seu objetivo for de longo prazo.

Datas das maiores quedas do S&P Segunda-feira negra
25 de agosto a 4 de dezembro de 1987
Guerra do Golfo
16 de julho a 11 de outubro de 1990
Crise monetária asiática
17 de julho a 31 de agosto de 1998
Bolha da Internet
27 de março de 2000 a 9 de outubro de 2002
Crise financeira
9 de outubro de 2007 a 9 de março de 2009
Rebaixamento da nota de crédito dos EUA
10 de março a 3 de outubro de 2011
Guerra comercial
3 de outubro a 24 de dezembro de 2018
Ações dos EUA -33,5% -19,9% -19,3% 49,0% -56,8% -19,0% -19,6%
Próximos 12 meses +21,4% +29,1% +37,9% +33,7% +68,6% +32,0% +37,1%

Fonte: Morningstar, em 28/02/2020. Os retornos não incluem dividendos. Ações norte-americanas representadas pelo Índice S&P 500. O desempenho anterior não é garantia ou indicação de resultados futuros. O desempenho do índice tem fins apenas ilustrativos. Não é possível investir diretamente em um índice.

Lição 3: Diversifique

Já passamos por isso. Os anos 90, impulsionados pelo surgimento da Internet, produziram uma alta de mercado, conduzida pela tecnologia, que levou o S&P 500 a subir mais de 17% por ano, por quase uma década. A volatilidade estava baixa, os drawdowns eram escassos e a complacência do investidor era alta. Parece familiar? Naquela época, alguns investidores achavam que adquirir títulos e outros investimentos menos arriscados não era uma boa ideia e decidiram simplesmente comprar mais ações de tecnologia. O que se passou foi uma recessão, que deu a partida para uma tendência de queda do mercado acionário que durou 30 meses e reduziu em 44% seu valor do pico até fim. Estima-se que o mercado perdeu US$ 5 trilhões do valor, somente com empresas de tecnologia naquele período. Esse evento reforça uma lição atemporal: a diversificação funciona e devemos continuar a diversificando, mesmo que não nos sintamos confortáveis quando o mercado sobe. A mesma lição nos foi ensinada novamente de 2008 a 2009.

Desempenho desde o início do ano (até 9 de março de 2020)

Desempenho desde o início do ano (até 9 de março de 2020)

Fonte: Morningstar, em 09/03/2020. Ações norte-americanas representadas pelo Índice S&P 500. Títulos principais representados pelo Índice BBG-Barclays U.S Aggregate Bond. Ouro representado pelo preço à vista.

Não estamos prevendo a próxima recessão. Porém, é importante lembrar de manter nossas expectativas de retorno sob controle, e que não podemos simplesmente ter as coisas que nos fazem sentir bem. Sempre deve haver investimentos no portfólio que nos deixam desconfortáveis. Eles estão lá para nos ajudar quando o mercado não vai pela direção que esperamos. Nestes momentos, como agora, nossos investimentos menos confortáveis podem ser aqueles que, por fim, nos ajudam a manter o valor do portfólio: perder menos agora significa que poderemos nos recuperar mais rápido quando os mercados se recuperarem.

O risco deve nos deixar desconfortáveis, mas é também a origem dos retornos. Quando o risco vai contra nossos investimentos, pode ser brusco e assustador. A verdadeira riqueza é construída a partir da disciplina com nossos investimentos.

Os investidores que permanecem calmos, investindo e diversificando serão os que passarão melhor pelas tempestades e colherão as melhores recompensas quando as nuvens se dissiparem e o sol voltar.

Saiba mais sobre redefinição de risco.

Patrick Nolan
Portfolio Strategist, BlackRock’s Portfolio Solutions group