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Investir

O dinheiro fala, o estresse cala

BlackRock |16 abr 2019

O dinheiro é considerado a principal causa de estresse na vida das pessoas. Ele vem acima da saúde física, do trabalho e da família. Mas também está rodeado de tabus. Como podemos transformar esse conceito em algo acessível e integrante de uma conversa cultural? O ano de 2018 é um lembrete da importância da geopolítica. Nossa análise sugere que a alta incerteza causada pela elevação das tensões comerciais prejudicou o mercado de ações e contrabalançou o crescimento sólido dos lucros das empresas quando a retórica comercial arrojada dos EUA se traduziu em medidas comerciais. Acreditamos que a geopolítica impactará novamente os mercados em 2019.

Fato interessante: fazer “cooper” era algo estranho. Na década de 1960, a corrida não era associada à saúde, nem era um comportamento comum. Então a Nike fez a ligação. Ela transformou algo que era motivo de medo e dúvida em algo que faz parte do nosso bem-estar geral. Hoje em dia, ninguém anda pelas ruas da cidade, ou de qualquer lugar, sem passar por alguém que está correndo. Décadas mais tarde, a ascensão das academias, inúmeros tipos de aulas e roupas de atletismo tornaram a atividade física um senso comum.

Em nosso recente podcast “O dinheiro fala, o estresse cala”, conversei com a moderadora Mary-Catherine Lader sobre por que, assim como a corrida, o dinheiro também deve fazer parte do nosso bem-estar geral e como podemos tornar o investimento acessível, um passo de cada vez. Seguem alguns destaques da nossa conversa.

MC Lader: Antes de chegar à BlackRock, você atuou em bens de consumo e entretenimento, e antes ainda, em direito. Agora que você está na BlackRock e mergulhou nessa questão do que leva mais pessoas no mundo todo a investir, o que você aprendeu?

F. Cooper: Há um denominador comum em tudo isso. No marketing, o que tentamos é fazer a mudança acontecer; tentamos mudar a percepção das pessoas e seus comportamentos. Foi isso que eu fiz durante toda a minha carreira; você pode fazer isso com alimentos e bebidas, com entretenimento e com serviços financeiros. E percebo que esta é a melhor hora para estar em serviços financeiros, porque estamos em um momento em que as pessoas estão começando a despertar para o fato de que sua relação com o dinheiro é uma parte importante do seu bem-estar geral.

MC Lader: Qual foi o catalisador dessa mudança, e por que agora?

F. Cooper: Se você analisar o que está acontecendo em termos de cultura, a atenção plena aumentou, e as pessoas estão muito mais conscientes do que faz com elas se sintam felizes. Vimos isso acontecer com a alimentação e vimos isso acontecer com a atividade física. As pessoas esperam coisas que realmente contribuam para sua sensação geral de bem-estar. O que não contribui é considerado mundano ou uma commodity. As pessoas não pagam mais por isso, nem prestam atenção a isso. O que acredito é que nós separamos artificialmente a nossa relação com o dinheiro da nossa sensação de bem-estar. E agora temos a oportunidade de preencher essa lacuna.

MC Lader: Se as pessoas se preocupam mais com as coisas que contribuem para a sensação de bem-estar, onde entram o dinheiro e o investimento? Parece que você acredita existir bastante espaço para melhorar.

F. Cooper: Bem, em primeiro lugar, quero dizer que o dinheiro não é uma panaceia; o dinheiro não é a resposta. A ideia é de que as pessoas precisam conciliar seus objetivos de vida com o dinheiro. A carta de Larry Fink aos CEOs fala da ideia de propósito. Em parte, isso é motivado pelos funcionários, que cada vez mais exigem que as empresas em que trabalham sirvam a algum propósito maior, e que esse propósito vá ao encontro de seu próprio senso de propósito. Não se trata apenas de como as pessoas ganham dinheiro; mas também de como elas poupam e de como elas doam esse dinheiro. É mais fácil ver o dinheiro que você gasta, porque isso é mais visível. Quando você poupa, você não vê, e quando você investe, muitas vezes você também não vê. A oportunidade que vejo agora ocorre por meio da tecnologia e de sua capacidade de dar sinais de coisas que antes eram invisíveis às pessoas. Por exemplo, se você economiza e aparece algo no seu celular indicando que você economizou, esse sinal pode ajudar a melhorar a sua sensação de realização.

MC Lader: Nós realizamos a pesquisa Pesquisa de Opinião Global dos Investidores da BlackRock uma vez por ano. Os resultados deste ano mostram que as pessoas ainda se estressam muito quanto o assunto são as finanças pessoais. Que ações você esperaria ver em 2019, de modo que os resultados de 2020 possam ser um pouco diferentes?

F. Cooper: Uma ação que eu adoraria ver é a desmistificação da linguagem dos serviços financeiros. Podemos falar em uma língua, e de uma forma, que seja intuitiva para as pessoas? Em segundo lugar, eu adoraria tornar o dinheiro parte da nossa conversa cultural. Isso tem sido um tabu, mas cada vez mais vemos partes da população falando sobre esse assunto. Em um dos meus empregos anteriores havia muitos funcionários jovens; acho que a idade média era de 24 anos. Eu percebia que eles dividiam informações sobre salário e falavam sobre dinheiro e aluguel de uma forma que eu não via em outras gerações. Em terceiro lugar, acho que precisamos de mais modelos na publicidade com os quais as pessoas possam se identificar. Podemos diminuir essa ideia de que investir “não é para mim”, mostrando para as pessoas que alguém como elas já está investindo. E a última peça é a tecnologia. Existe uma maneira de começar a avançar um passo de cada vez, aumentando o conhecimento e a experiência das pessoas, mas de um jeito que seja fácil e confortável para elas? Pequenos passos são passos significativos.

Ficou interessado em ouvir a conversa na íntegra? Confira nosso podcast no Spotify ou no iTunes.

Frank Cooper III é diretor de marketing global da BlackRock e Mary Catherine Lader é diretora de operações da Aladdin Wealth Tech, as fintechs da BlackRock a serviço da gestão de patrimônio.