Skip to content
ESTRATÉGIA DE RENDA FIXA

Os títulos de dívida estão de volta

Scott Thiel |20 fev 2019

Os títulos de dívida estão voltando. Em nossa percepção, esses títulos são uma fonte viável de renda em meio a taxas de juros americanas mais altas, uma economia americana em desaceleração, mas ainda em crescimento, e uma pausa no ciclo de apertos do Federal Reserve. Também recomendamos títulos de dívida pública para amortecer choques no portfólio à medida que aumentam os riscos de volatilidade de fim de ciclo no mercado de ações.

Temas

Temas: com o Fed em compasso de espera, os investidores procuram sair de fundos de caixa e mercado monetário em busca de maiores rendimentos via crédito e títulos de maior duração.

Títulos de dívida como amortecedores
Correlação entre retornos de ações dos EUA e de títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos, 2004-2019

Correlação entre retornos de ações dos EUA e de títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos, 2004-2019

O desempenho passado não é um indicador confiável de resultados atuais ou futuros. Não é possível investir diretamente em um índice. Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados da Thomson Reuters, fevereiro de 2019. Observações: a linha mostra a correlação dos rendimentos diários entre o índice MSCI USA (representando as ações dos EUA) e o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos, considerado como referência, durante o período de um ano (256 dias de negociação). O ponto mostra a correlação ao longo dos últimos 90 dias.

Consideramos baixas as chances de uma recessão nos EUA em 2019, mas há potencial para os investidores se angustiarem com a desaceleração do crescimento, levando a episódios de aversão ao risco. Nesses cenários, os títulos de dívida devem servir de amortecedores, com a correlação com ações mais profunda em território negativo. Analise o gráfico acima. Acreditamos que essa relação tem poder de permanência, elevando o papel dos títulos de dívida como uma poderosa ferramenta de diversificação para equilibrar risco e recompensa nos portfólios.

  • Bancos centrais: o Fed deve evitar aumentos de juros até o segundo semestre, após ter prometido uma postura mais paciente e baseada em dados sobre políticas. Isso é uma pausa ou um pico no ciclo de aperto do Fed? Depende dos dados econômicos dos próximos meses, em especial das leituras sobre a inflação. Este ano esperamos que o Banco Central Europeu se mantenha firme nas taxas de juros e vemos sua orientação futura como foco para os mercados.
  • Crescimento e inflação: vemos o crescimento dos EUA desacelerando à medida que o ciclo econômico se move para a fase final. O suporte contínuo à política monetária é vital para a economia da Europa, enquanto o estímulo fiscal proporciona um certo amortecimento. Vemos a economia da China recuperando sua solidez no primeiro semestre com base na flexibilização das políticas, colocando um limite para a desaceleração sincronizada no crescimento dos mercados emergentes. Na Europa e no Japão, vemos a inflação abaixo da meta, enquanto as pressões de preços nos EUA parecem estar contidas.
  • Riscos: em nossa visão, é baixa a probabilidade de uma recessão nos EUA em 2019, embora as chances devam aumentar significativamente com o tempo, conforme detalhado em nossa Perspectiva de investimento global de 2019. Outros riscos incluem a fragmentação europeia e a intensificação das disputas comerciais entre EUA e China. Leia nossas análises sobre esses e outros riscos no Painel de risco geopolítico da BlackRock.

Projeções para renda fixa

Nossas projeções seguem a perspectiva do dólar americano ao longo de um horizonte de três meses. As projeções e os comentários seguem uma perspectiva de renda fixa apenas e podem diferir das projeções táticas para renda fixa no portfólio como um todo em nosso Comentário global semanal. Por exemplo, atribuímos maior exposição a crédito dos EUA e dívida de mercados emergentes sob uma perspectiva de renda fixa em razão de seu potencial de renda. Mas somos neutros em relação a essas classes de ativos em um contexto de múltiplos ativos, no qual preferimos assumir riscos econômicos em ações.

Taxas Visão Comentários
Obrigações do governo dos EUA icon-up Vemos notícias econômicas modestamente amenas, fluxos de renda fixa positivos e uma trégua nos aumentos de juros do Fed no primeiro semestre como favoráveis. O impacto da redução do balanço do Fed deve ser silencioso. A linha de frente tem a renda mais atraente ajustada pelo risco, mas preferimos sair da curva em qualquer reversão relevante nos rendimentos. Uma correlação negativa com ativos de risco torna os papéis do Tesouro dos EUA diversificadores de portfólio atrativos.
Protegidas da inflação nos EUA icon-up O Fed confirmou sua intenção de ser paciente na sua próxima alteração na taxa e pode deixar a inflação temporariamente ultrapassar sua meta de 2%. Juntamente com uma economia em desaceleração, mas em crescimento, acreditamos que isso torna os títulos ligados a inflação uma alternativa atraente aos títulos nominais.
Hipotecas agenciais dos EUA icon-down As hipotecas de cupom atuais parecem estar totalmente valorizadas após um forte desempenho em termos ajustados pelo risco. Vemos uma leve demanda mundial para a classe de ativos no curto prazo, apoiando nossa posição underweight.
Títulos municipais dos EUA icon-neutral Preferimos vencimentos de intermediários a longos em função de seu carry atrativo em meio a uma curva de rendimento com maior inclinação. Vemos uma dinâmica de oferta e demanda apoiando a classe de ativos no curto prazo, pois acreditamos que novas emissões ficarão abaixo do montante total de títulos de dívida retomados, reembolsados ou vencidos.
Taxas globais excluindo os EUA icon-down Não recomendamos a maior parte dos títulos de dívida da periferia da zona do euro tendo em vista o aumento dos riscos políticos, a desaceleração do momentum econômico e a redução dos mecanismos das políticas para enfrentar quedas. Acreditamos ser improvável um Brexit sem acordo, apesar do caminho tortuoso. Preferimos a libra britânica e, portanto, uma posição underweight nos gilts do Reino Unido em médio prazo.

 

Crédito e outros Visão Comentários
Grau de investimento dos EUA icon-up Os fundamentos sólidos são favoráveis, mas as preocupações econômicas com o fim do ciclo apresentam um risco para as avaliações. Favorecemos os títulos com classificação BBB e enfatizamos a seleção de crédito.
Alto rendimento dos EUA icon-up Vemos fundamentos geralmente saudáveis, oferta e demanda favoráveis e valorizações razoáveis, e preferimos títulos a empréstimos. Gostamos da classe de ativos pelo seu potencial de rendimento.
Empréstimos bancários nos EUA icon-down A ampla oferta e a reduzida procura de produtos com taxa flutuante atenuam as perspectivas dos empréstimos bancários. Vemos oportunidades para separar o joio do trigo após um surto de emissões nos últimos anos.
Ativos securitizados dos EUA icon-up Apreciamos os ativos securitizados por seu potencial de renda e estabilidade. Porém, a seleção de crédito é fundamental, por conta da diversidade entre os subsetores da classe de ativos e dentro de cada subsetor.
Grau de investimento da zona do euro icon-neutral Em geral, estamos cautelosos em relação ao crédito com grau de investimento da zona do euro, mas vemos um valor relativo atrativo e um potencial de rendimento nos segmentos BBB. À primeira vista, os rendimentos parecem baixos, mas são favoráveis quando têm hedge em dólar americano, principalmente por causa dos diferenciais de taxa de juros entre a zona do euro e os EUA.
Alto rendimento da zona do euro icon-neutral Somos neutros em relação ao alto rendimento europeu, mas observamos spreads de crédito significativamente mais amplos em relação a seus equivalentes dos EUA. Gostamos dos rendimentos relativamente elevados para seu potencial de rendimento.
Dívida de mercados emergentes icon-up As avaliações continuam atrativas, apesar do crescimento recente. A emissão limitada dos últimos meses também contribui com esse cenário. Uma pausa no aperto da política monetária dos EUA e a força do dólar americano derrubam um grande entrave ao desempenho. Dentre os riscos notórios estão a deterioração das relações entre EUA e China e a desaceleração do crescimento global.
Renda fixa da Ásia icon-up A redução das tensões comerciais entre os EUA e a China pode tornar o yuan mais atrativo. Um foco em qualidade é prudente no crédito. Preferimos grau de investimento na Índia, na China e em partes do Oriente Médio, e alto rendimento na Indonésia e no mercado imobiliário chinês.

Faça o download do relatório completo

Scott Thiel
Diretor estrategista de renda fixa, BlackRock Investment Institute
Scott Thiel, diretor executivo, é o principal estrategista de renda fixa da BlackRock, com responsabilidades no desenvolvimento das visões estratégicas e tática
Learn more