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Três percepções de Davos para os investidores

30 jan 2019
por Philipp Hildebrand

O Fórum Econômico Mundial 2019 em Davos, na Suíça, concentrou-se no tema “Globalização 4.0”. Esta é uma maneira adequada de descrever a mudança que está ocorrendo em nosso mundo altamente interconectado.

Alianças internacionais pós-guerra estão mudando, normas políticas estão sendo derrubadas e a rápida mudança tecnológica está incomodando as indústrias e o comércio. A desigualdade vem crescendo em meio a rendimentos medianos estagnados. As barreiras sociais, políticas e culturais aumentaram. Tudo isso abalou a confiança nos sistemas políticos e sociais das sociedades democráticas e inspirou ressentimento e apoio a agendas protecionistas e nacionalistas.

Riscos cíclicos estão aumentando com os avanços da expansão e o estreitamento das condições financeiras. O ciclo econômico liderado pelos EUA está entrando em uma fase final, e os mercados têm se adaptado a um crescimento mais lento e a políticas monetárias mais difíceis. Além disso, atritos comerciais e tecnológicos intimidam.

Toda essa mudança traz maior incerteza e torna o desenvolvimento de resiliência à incerteza mais importante do que nunca. Isso se aplica especialmente a um contexto de portfólio. O BlackRock Investment Institute tem o objetivo de fornecer insights para ajudar os investidores a acompanharem essas mudanças de dinâmica e criarem portfólios resilientes a elas. Eis três insights que compartilhamos durante nossas discussões em Davos.

Geopolítica

Entendemos o risco geopolítico como um fator de mercado importante em 2019, especialmente em meio à desaceleração do crescimento e à crescente incerteza quanto às perspectivas de ganhos corporativos e econômicas. Nosso barômetro de atenção geral do mercado quanto à geopolítica caiu recentemente, ampliando o impacto em potencial de choques geopolíticos sobre o mercado. Acreditamos que os riscos em que os investidores não estão concentrados são os que tendem a ter o maior impacto no mercado.

Atualizamos a probabilidade de três dos nossos dez principais riscos geopolíticos, mesmo com a redução da atenção geral do mercado na geopolítica. Vemos que o comércio, as relações entre EUA e China e os riscos políticos europeus estão predominando este ano. Consulte o gráfico Monitoramento de riscos geopolíticos globais abaixo.

Monitoramento de riscos geopolíticos globais
Probabilidade relativa e impacto de riscos sobre o mercado

Gráfico Monitoramento de riscos geopolíticos globais, Probabilidade relativa e impacto de riscos sobre o mercado

Estimativas prospectivas podem não se tornar realidade. Fonte: BlackRock Investment Institute, janeiro de 2019. Observações: o gráfico mostra as estimativas da BlackRock quanto à probabilidade relativa (eixo vertical) dos riscos ao longo dos próximos seis meses e seu possível impacto de mercado sobre o índice MSCI ACWI (eixo horizontal). As estimativas de impacto sobre o mercado se baseiam na análise do Grupo de Análise Quantitativa e de Risco da BlackRock. Consulte o artigo de 2018 Market Driven Scenarios: An Approach for Plausible Scenario Construction para obter mais detalhes. O gráfico mostra as estimativas originais de impacto sobre o mercado no momento em que o cenário foi concebido. O ponto Global representa nossa avaliação geral de risco geopolítico. Sua pontuação de probabilidade se baseia em uma média simples dos nossos principais 10 riscos; o impacto sobre o mercado é uma média ponderada pela pontuação de probabilidade de 10 riscos. Alguns dos cenários que visualizamos não têm precedentes – ou somente imperfeitos. Os cenários têm apenas fins ilustrativos e não refletem todos os resultados possíveis, considerando que os riscos geopolíticos sempre mudam. Pontos e linhas coloridas mostram se o Comitê de Direção de Riscos Geopolíticos da BlackRock aumentou (laranja), diminuiu (verde) ou manteve (roxo) a probabilidade relativa de qualquer um dos riscos em comparação à nossa atualização anterior.

Perspectiva econômica

Vemos o crescimento global liderado pelos EUA desacelerando conforme a recuperação da Grande Recessão entra em sua fase final. Os principais fatores da desaceleração: elevada incerteza macroeconômica, intensificação da rivalidade tecnológica entre EUA e China e condições financeiras mais restritas. Consulte o gráfico Momento de aperto.

Momento de aperto
GPS de crescimento do G3 x crescimento previsto pelo FCI do G3, 2014 a 2019

Gráfico Momento de aperto, GPS de crescimento do G3 x crescimento previsto pelo FCI do G3, 2014 a 2019

Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados da Bloomberg e Consensus Economics, janeiro de 2019. Observações: o GPS de crescimento do G3 da BlackRock (linha laranja) mostra onde a previsão de consenso do PIB dos próximos 12 meses para os EUA, zona do euro e Japão pode estar daqui a três meses. A linha roxa mostra a taxa de crescimento do PIB do G3 prevista pelo nosso indicador de condições financeiras (FCI, na sigla em inglês), com base na sua relação histórica com nosso GPS de crescimento. O FCI toma como base taxas nominais de juros, rendimentos de títulos, spreads de títulos corporativos, avaliações do mercado de ações e taxas de câmbio. O FCI é avançado em seis meses, pois geralmente conduz alterações do GPS de crescimento. Estimativas prospectivas podem não se tornar realidade.

Planos de investimento, sentimento comercial e atividade comercial diminuíram, enquanto o enfraquecido impulso fiscal dos EUA será provavelmente compensado por estímulos maiores na China e na Europa. Vemos que o risco de uma recessão nos EUA é limitado em 2019 e acreditamos que os mercados financeiros já incluíram nos seus preços a maior parte do risco de queda. Leia mais em nossas Perspectivas macroeconômicas e de mercado.

Mercados financeiros

Vemos três temas de mercado importantes para 2019. O primeiro (“Desaceleração do crescimento”) reconhece uma desaceleração do crescimento global e maior incerteza em torno da perspectiva. O segundo (“Quase neutro”) destaca como as taxas de juros dos EUA estão se encaminhando para um nível neutro, ou seja, o nível em que a política monetária não estimula nem restringe o crescimento, e como esperamos que o Federal Reserve seja cauteloso na medida em que se aproxima do nível neutro. O terceiro tema (“Equilíbrio entre riscos e recompensas”) ressalta a importância de desenvolver maior resiliência nos portfólios. Leia toda a nossa Perspectiva de investimento global de 2019 para obter mais detalhes sobre esses temas.

Neste início de 2019, preferimos ações a títulos de dívida, mas com menos certeza em comparação a 2018. Avaliações menores rebaixam o padrão de desempenho positivo deste ano, mas riscos crescentes pedem cautela. As avaliações de ações voltaram a se alinhar com as médias pós-crise, conforme medido pelos rendimentos dos ganhos. Consulte o gráfico Mais rendimento. Contudo, ganha cada vez mais força o medo de uma desaceleração econômica, de reduções de estimativas de ganhos e de conflitos comerciais.

Mais rendimento
Rendimentos de ativos, pós-crise x início e final de 2018

Leia a nossa perspectiva de investimento global de 2019.

O desempenho passado não é um indicador confiável de resultados atuais ou futuros. Não é possível investir diretamente em um índice. Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados da Thomson Reuters, 14 de janeiro de 2019. Observações: a média pós-crise é calculada desde 2009 até 14 de janeiro de 2019. O rendimento do mercado de ações é representado pelo rendimento de ganhos futuros para os próximos 12 meses. Índices utilizados da esquerda para a direita: Thomson Reuters Datastream de índices de referência das obrigações do governo dos EUA com vencimento em dois e em dez anos, Bloomberg Barclays U.S. Credit Index, Bloomberg Barclays U.S. High Yield Index, JP Morgan EMBI Global Diversified Index, MSCI World Index e MSCI Emerging Markets Index.

Isso reforça a necessidade de resiliência. Pessoas físicas, líderes de negócios, investidores e formuladores de políticas devem desenvolver resiliência a transformações da dinâmica política, cenários regulatórios, inovação tecnológica e atitudes sociais. Algumas dessas mudanças são previsíveis, outras não. Ser resiliente significa ser ágil e adaptável. Resiliência requer adaptar a estratégia antes de uma mudança prevista ou reagir rapidamente quando a mudança, possivelmente prevista, ocorre. Exige diferentes estratégias para horizontes de tempo diferentes.

Do ponto de vista do portfólio, defendemos o desenvolvimento de resiliência por meio de uma abordagem de Barbell. Isso implica exposições à dívida do governo dos EUA como proteção para o portfólio, combinadas a alocações de grande convicção em ativos que oferecem perspectivas atrativas de risco/retorno, como ações de qualidade e de mercados emergentes.

Philipp Hildebrand
Vice-presidente da BlackRock, supervisiona o BlackRock Investment Institute.
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