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O papel central dos mercados privados nos portfólios modernos

22 abr 2019
por BlackRock Investment Institute

A utilização eficaz de ativos privados é cada vez mais importante para investidores institucionais. Nosso trabalho aponta que muitos deles têm espaço para alocações relativamente grandes, dependendo de sua tolerância de risco e de seus objetivos específicos. Com o private equity em especial desempenhando um papel fundamental em muitos portfólios, oferecemos também um novo método para estimar esses retornos.


Resumo

  • Acreditamos que o prêmio em potencial recebido em mercados privados pode estar mais intimamente ligado à complexidade e aos elevados custos de governança do que à falta de liquidez. Estudamos as alocações em private equity e simulamos fluxos de caixa na crise financeira global que ocorreu de 2007 a 2009 e descobrimos que somente investidores com gastos elevados teriam se deparado com problemas de liquidez.
  • Descobrimos que a alocação adequada nos mercados privados pode variar entre 10% e 40% do portfólio, a depender dos objetivos individuais do investidor, da convicção na capacidade de escolher gestores de alto desempenho que buscam superar o mercado, da tolerância de risco e das necessidades anuais de fluxo de caixa. As alocações podem ser maiores para investidores com menos restrições.
  • Acreditamos que nossa nova abordagem para os retornos esperados nos mercados privados seja um passo à frente. Para private equity, utilizamos os retornos embutidos nas avaliações atuais, considerando o nível e o custo de dívida e também as comissões. No modelo também levamos em conta a incerteza quanto a esses retornos esperados, resultando em alocações mais realistas, em nossa opinião.
  • A nosso ver, alguns ativos de mercados privados são tão vulneráveis a excessos de fim de ciclo quanto os de mercados públicos. As preocupações com esses excessos nas avaliações aumentaram porque os mercados privados são menos visíveis e podem receber menos escrutínio. Abordamos formas de lidar com riscos negativos através do uso da incerteza, ou seja, um reconhecimento explícito de que qualquer suposição pontual de retorno pode ser falsamente precisa.

Entendendo o risco de liquidez

Definimos o risco de liquidez como a probabilidade de não cumprimento de uma chamada de capital de um fundo ou de outras obrigações por falta de liquidez. Para quantificar esse risco, realizamos uma simulação baseada em um período histórico de estresse no mercado – a crise financeira global. A simulação avalia quanto um investidor pode alocar em mercados privados antes de começar a ter problemas para pagar os gastos totais do portfólio e as chamadas de capital dos fundos.

Avaliamos as necessidades de liquidez de um investidor por meio de um conjunto de variáveis-chave que afetam seus resultados: a alocação em mercados privados, os requisitos de gastos anuais do portfólio como um todo, a combinação entre títulos e ações em investimentos no mercado público (presumindo a facilidade de vendê-los), a diversificação dentro de seu portfólio de mercados privados e a idade do programa.

Os resultados do gráfico abaixo são impressionantes. A área em verde mostra que muitos investidores poderiam fazer alocações relativamente grandes em mercados privados antes de as restrições de liquidez começarem a afetá-los. Apenas investidores com gastos elevados, isto é, 8% do portfólio ou mais por ano, teriam acabado com alocações em potencial abaixo de 20%. Isso sugere que o limite máximo para as alocações em mercados privados pode ser mais elevado do que se presume e pode ser ainda mais elevado se essas alocações tiverem inclinação para ativos geradores de renda.

Avaliação do risco de liquidez

Hipótese de alocação máxima em mercados privados dependendo dos gastos anuais, março de 2019

Hipótese de alocação máxima em mercados privados dependendo dos gastos anuais, março de 2019

Estas informações não são uma recomendação para investir em qualquer classe de ativos ou estratégia em particular, nem uma promessa – ou até mesmo uma estimativa – de desempenho futuro. Fonte: BlackRock Investment Institute, março de 2019. Observações: o gráfico mostra diferentes intervalos de alocação máxima em ativos de mercados privados, de acordo com os gastos anuais de um portfólio hipotético expressos em porcentagem do portfólio como um todo. A zona “conservadora” mostra que o intervalo de alocação máxima pode começar em 60% caso não haja necessidade de gasto e cai para zero quando a necessidade de gasto atinge 10% ao ano. A zona de “cautela” mostra onde a alocação máxima começaria a atingir um limiar de risco de 5% descrito acima. “Perigo” é a zona onde a alocação máxima resulta em uma probabilidade maior que 5%. Presumimos que haja necessidades trimestrais de liquidez nos ativos públicos. As necessidades anuais de liquidez reduziriam a alocação em mercados privados. Consulte o apêndice para ver a metodologia completa.

Jean Boivin
Global Head of Research, BlackRock Investment Institute
Jean Boivin, PhD, Managing Director, is Global Head of Research for the Blackrock Investment Institute and is a member of the EMEA Executive Committee.
Pam Chan
Chief Investment Officer and Global Co-head, Alternative Solutions Group, BlackRock
Vivek Paul
Portfolio Research, BlackRock Investment Institute
Julia Wittlin
Senior Portfolio Manager, BlackRock Private Equity Partners