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PERCEÇÕES GLOBAIS

O que os riscos climáticos significam para seus portfólios?

07 mai 2019
por BlackRock Investment Institute

Richard explica nossas novas ferramentas para avaliar os riscos climáticos às carteiras de investimento.
Furacões. Inundações. Fogo. Ondas de calor. Fenômenos climáticos extremos e riscos relacionados ao clima estão se tornando mais comuns. Até recentemente, era difícil definir qual o impacto de tais riscos nas carteiras de investimento. Boas notícias: com a ajuda de avanços em informação e ciências do clima, podemos avaliar riscos financeiros pontuais influenciados pelo clima.

Gráfico da semana
Estimativa dos impactos sobre o PIB dos EUA em um cenário de “nenhuma ação climática”, 2060-2080

Impactos estimados sobre o PIB dos EUA em um cenário de “nenhuma ação climática”, 2060-2080, impacto econômico, perda líquida, ganho líquido.

Não há nenhuma garantia de que as previsões feitas se tornarão realidade.
Fonte: BlackRock Investment Institute, com dados do Rhodium Group, março de 2019.
Observações: o mapa mostra o impacto projetado sobre o PIB de 2060-2080 nas áreas metropolitanas dos EUA em um cenário de “nenhuma ação climática”. As mudanças climáticas são medidas em relação a uma base de referência de 1980. A análise inclui o efeito de mudanças nas taxas de criminalidade e mortalidade, produtividade da mão de obra, demanda de aquecimento e refrigeração, produtividade agrícola para culturas de commodities a granel e perdas anuais esperadas por tempestades costeiras. Ela leva em conta as correlações entre essas variáveis ao longo do tempo e exclui uma série de variáveis difíceis de medir, como migrações e inundações no interior do país. Veja o documento de março de 2019 do Rhodium Group Clear, Present and Underpriced: The Physical Risks of Climate Change para obter mais detalhes sobre a sua metodologia. Estimativas prospectivas podem não se tornar realidade.

Agora podemos analisar riscos físicos diretos, como probabilidades de inundações e furacões, em nível detalhado em todos os Estados Unidos. Pesquisadores de toda a BlackRock utilizaram dados do Rhodium Group para estimar possíveis danos financeiros diretos, bem como efeitos indiretos, como o impacto do aumento da temperatura média na produtividade das safras ou da mão de obra. O mapa de calor mostra as alterações projetadas na atividade econômica regional em um cenário de “nenhuma ação climática”, assumindo o uso contínuo de combustíveis fósseis. Os riscos são assimétricos: estimamos que cerca de 58% das áreas metropolitanas dos EUA teriam perdas prováveis de 1% ou mais no Produto Interno Bruto (PIB) até 2080, com menos de 1% destinado a desfrutar de ganhos de magnitude semelhante. Os maiores perdedores prováveis: Arizona, região da Costa do Golfo e costa da Flórida.

Implicações para o investimento

As possíveis perdas devido a mudanças climáticas ainda não estão incorporadas, como é sugerido em nossa recente publicação Getting physical. Ações decisivas para reduzir as emissões de carbono poderiam mitigar os danos. Mas as vulnerabilidades reveladas em nossa pesquisa em evolução, liderada pelas equipes de investimento sustentável e renda fixa global da BlackRock, podem ajudar os investidores a lidar melhor com os riscos climáticos físicos. Os riscos são especialmente relevantes para ativos físicos com longa vida útil. É por isso que a pesquisa da BlackRock concentrou-se, primeiramente, em três setores com ativos de longo prazo que podem ser localizados com precisão: títulos municipais norte-americanos, títulos lastreados em hipotecas comerciais (CMBS) e companhias de serviços públicos de eletricidade.

Nossas descobertas iniciais sugerem que os investidores devem repensar sua avaliação das vulnerabilidades. Descobrimos que os riscos relacionados ao clima já ameaçam os portfólios hoje e estão prestes a crescer. Considere o possível impacto sobre a qualidade de crédito dos emissores de títulos municipais dos EUA: a pesquisa da BlackRock mostra que uma parcela crescente de emissões no mercado de 3,8 trilhões de dólares deverá vir de regiões que enfrentam perdas econômicas relacionadas ao clima. Estimamos que, dentro de uma década, mais de 15% do atual S&P National Municipal Bond Index por valor de mercado viriam de regiões dos EUA que sofrerão perdas médias anuais prováveis de até 0,5% a 1% do PIB. O risco climático também é uma preocupação crescente para os proprietários de CMBS. Para ilustrar, sobrepusemos a modelagem de furacões do Rhodium às cerca de 60 mil propriedades comerciais do banco de dados de proprietários de CBMS da BlackRock. Descobrimos que o risco médio de uma dessas propriedades ser atingida por um furacão de categoria 4 ou 5 aumentou 137% desde 1980. Por fim, avaliamos a exposição ao risco climático de 269 concessionárias de serviços públicos americanas listadas, com base na localização de suas plantas, imóveis e equipamentos. Uma conclusão-chave: a vulnerabilidade a eventos climáticos é subvalorizada nas ações de empresas de serviços públicos dos EUA. Isso deixa os proprietários desses valores mobiliários expostos a choques temporários de preço e volatilidade.

A partir do foco inicial nos ativos dos EUA, planejamos estender a nossa análise a mercados globais, classes de ativos e setores, à medida que a disponibilidade de dados melhorar. A principal descoberta: as alterações climáticas são cada vez mais um risco que os investidores não podem ignorar. Acreditamos que a integração de perspectivas sobre riscos relacionados ao clima é importante para investidores em todas as classes de ativos e regiões, e pode ajudar a aumentar a resiliência do portfólio.

Em resumo

A mudança climática está se tornando um risco maior que os investidores não devem ignorar. A integração dessas perspectivas sobre os riscos climáticos é importante para investidores em todas as regiões e classes de ativos, e acreditamos que ela pode ajudar a melhorar a resiliência das carteiras de investimento. Planejamos estender nossa análise aos mercados globais e a mais classes de ativos e setores à medida que a disponibilidade de informações aumenta, com base na análise de ativos dos EUA.