Panorama global semestral de 2020

A revolução das políticas públicas

A revolução das políticas é necessária para mitigar o impacto devastador e desinflacionário do choque do vírus. No médio prazo, no entanto, o desalinhamento entre as políticas monetárias e fiscais podem gerar riscos inflacionários.

Preenchendo a lacuna
Impacto estimado do vírus sobre o PIB vs. medidas políticas compensatórias, 2020

Impacto estimado do vírus sobre o PIB vs. medidas políticas compensatórias, 2020

 

Fontes: BlackRock Investment Institute, com dados do Fed, BCE, BOJ, BOE e Haver Analytics, junho de 2020. Observações: O gráfico mostra a magnitude do choque (negativo, em vermelho) e a correspondente resposta de políticas (positivo, em amarelo) como porcentagem do PIB. Utilizamos as metas estimadas de 2020 para as compras e programas de financiamento dos bancos centrais da zona do euro e dos EUA. A zona do euro inclui as Operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo do BCE, e o Reino Unido inclui o apoio do banco central para o Esquema de financiamento a prazo. A zona do euro foi representada pelas médias da Alemanha, França, Itália e Espanha.

Veja o nosso Panorama semestral em gráficos

  • Está ocorrendo uma revolução necessária nas políticas públicas para reduzir o choque do coronavírus. Os legisladores confiam menos na capacidade transmissora do setor financeiro para estimular a atividade e mais no apoio direto à economia real. Existe uma certa confusão entre política fiscal e monetária, bem como a intervenção do governo na economia e nos mercados financeiros.
  • A resposta política global à pandemia não tem precedentes quanto à rapidez e dimensão. A soma das ações fiscais e monetárias está segurando o impacto do vírus nas economias dos EUA e da zona do euro. Veja no gráfico Preenchendo a lacuna.
  • Agora, vemos um risco de exaustão das políticas nos EUA, enquanto legisladores enfrentam uma série de “abismos fiscais” e poderiam ter que cortar o estímulo de forma prematura, o que seria um dos motivos para o downgrade das ações dos EUA. Por outro lado, a Europa reforçou seus programas de estímulo. Isso, em parte, justifica o nosso upgrade das ações europeias para overweight.
  • Em agosto do ano passado, defendíamos a necessidade de uma eficaz coordenação monetária e fiscal durante as grandes crises, pois isso reduziria a perda no produto e poderia diminuir os riscos, como a crescente desigualdade. Sem as proteções adequadas e uma clara estratégia de saída, no entanto, havíamos alertado sobre o risco no médio prazo do descontrole no déficit público, com consequente expansão monetária e, em última instância, maior inflação.

Conclusão
A revolução nas políticas foi essencial. É um fator positivo no curto prazo para os ativos de risco, porém é pouco provável que seja o prelúdio de um longo bull market impulsionado por políticas, como se viu após a crise financeira de 2008. Uma implicação importante foi a redução do papel de proteção dos títulos governamentais nominais em um horizonte estratégico. As taxas de juros estão beirando os limites inferiores, e vemos riscos de maior inflação para os próximos anos.

Implicação estratégica: Estamos underweight em títulos governamentais e favorecemos títulos indexados.

Implicação tática: Favorecemos o crédito, devido às compras dos bancos centrais. As ações dos EUA estão em risco, devido ao decrescente efeito do estímulo fiscal.

Nossos autores
Philipp Hildebrand
Vice Chairman
Jean Boivin
Managing Director, Global Head of Research for the Blackrock Investment Institute
Elga Bartsch
Managing Director, Head of Macro Research of the BlackRock Investment Institute
Mike Pyle
Chief Investment Strategist, BlackRock Investment Institute
Scott Thiel
Chief Fixed Income Strategist