Como investir após a reforma fiscal dos EUA

02 fev 2018

O ano novo trouxe um novo código fiscal para os EUA. As implicações para a economia e os preços dos ativos são complexas e devem se desenrolar por anos. Nosso objetivo é tratar aqui de algumas das questões tributárias.

Destaques

  • A reforma fiscal e possíveis gastos expressivos do governo podem impulsionar o crescimento global, elevar as expectativas de inflação nos EUA, aumentar a emissão de títulos do Tesouro e fazer com que o Federal Reserve aumente as taxas em um ritmo um pouco mais rápido. Isso poderá encurtar a duração da presente expansão global, mas ainda não estamos preocupados com o fim.
  • As ações dos EUA estão bem posicionadas de curto a médio prazo, considerando que as perspectivas de um aumento da lucratividade superam os medos de crescimento em um prazo mais longo. Empresas com tributação elevada são vistas como as primeiras vencedoras (e aquelas com menor tributação, as perdedoras) em tese, mas alguns detalhes se perdem nas entrelinhas. O impacto de várias disposições fiscais varia de acordo com cada setor, subsetor e negócio.
  • Geralmente, vemos empresas com grau de investimento como campeãs de crédito nos EUA, mas a maioria do lucro inesperado tende a ir para os acionistas e não para o pagamento de dívida. Esperamos mais bifurcações entre emissores de qualidade superior e inferior quando o assunto é alto rendimento, considerando que as empresas com grande carga de dívida possuem limites de dedução de despesas com juros. Além disso, os investidores norte-americanos ainda podem recorrer a um refúgio tributário: os títulos municipais.

Indo mais a fundo

Os vários elementos do pacote fiscal, e como eles se relacionam e se compensam, terão implicações diferentes em setores, subsetores e empresas específicas. Os detalhes são importantes.

Em geral, acreditamos que os ganhos e gastos de empresas nos EUA receberão um impulso inicial. O gráfico Grandes expectativas a seguir mostra que as estimativas de lucros de 2017 tiveram uma retomada após uma série de decepções, com 2015 e 2016 representando um padrão bem típico dos anos pós-crise. Este ano mostra uma nítida disparada já de saída. Nossa análise concluiu que as revisões dos ganhos estão sólidas no Japão, na Europa e também em mercados emergentes, mas a força dos EUA é incomparável. Entender o que vem a seguir exigirá atenção e aprendizagem perspicazes, sobretudo considerando que as empresas têm até um ano para esclarecer e atualizar suas estimativas “provisórias”. Algumas perguntas que os nossos gestores de portfólio estão fazendo:

  • Como a sua empresa financiará o crescimento derivado de alíquotas mais baixas? Por meio de ações, dívida ou geração de caixa livre?
  • Na medida em que fusões e aquisições são parte de seu plano de crescimento, qual é a sua estratégia para garantir que os preços elevados exigidos hoje possam se traduzir em crescimento?
  • A sua empresa estará sujeita a impostos extras sob as novas regras contra erosão de base previstas em lei? É possível estimar seu impacto?
  • Você está cogitando abrir ou se transferir para locais nos EUA com base nas novas disposições, sobretudo no benefício fiscal adicional para empresas que exportam mercadorias e serviços dos EUA a clientes estrangeiros?
  • No caso de multinacionais baseadas nos EUA com alíquotas efetivas inferiores a 13%: poderão manter sua alíquota atual diante do novo imposto mínimo de cerca de 13% previsto pela lei? Como?
Evolução das estimativas de crescimento dos lucros feitas por analistas entre 2014 e 2018
Kate Moore
Chief Equity Strategist, Americas
Kate Moore, Managing Director, is Chief Equity Strategist – Americas for BlackRock and is a member of the BlackRock Investment Institute. She is responsible for ...
Jeffrey Rosenberg
Chief Fixed Income Strategist
Jeffrey Rosenberg, Managing Director, is BlackRock's Chief Investment Strategist for Fixed Income. His responsibilities include working closely with the Chief ...