PERSPECTIVAS MACROECONÔMICAS E DE MERCADO

O risco do aumento das tensões comerciais

18 out 2018

O aumento do protecionismo comercial é o maior risco de queda para a expansão global e é um grande motivador da intensificação da incerteza macroeconômica. A guerra comercial entre os EUA e a China é parte central no aumento das tensões comerciais. Acreditamos que as tensões comerciais podem ter sido um entrave para os ativos de risco, mesmo que não esteja claro se as medidas tomadas até agora prejudicaram muito a atividade comercial global. Isso coloca a economia global em um cenário de equilíbrio incerto. Mesmo em meio à incerteza, o GPS de Crescimento do G7 da BlackRock aponta riscos crescentes em relação ao consenso. Uma intensificação significativa nas tensões comerciais ou sinais de que seu prolongamento estaria afetando a confiança nos deixariam pessimistas em relação às perspectivas de crescimento.

Destaques

  • Muitas estimativas baseadas em modelos das ações comerciais sugerem até agora que o impacto direto das tarifas sobre a atividade comercial deve ser modesto. Contudo, muitas dessas simulações não representam as cadeias de valor globais profundamente integradas, as quais podem ampliar bastante os efeitos negativos das ações comerciais. Uma queda acentuada na confiança do setor privado e o aperto modesto das condições financeiras fora dos EUA também podem afetar os ativos de risco e a atividade.
  • O crescimento do volume do comércio global desacelerou-se este ano, no entanto, não está claro se as tarifas são as principais causadoras. Nossa nova previsão em tempo real do comércio diário aponta para a expansão do comércio global em um ritmo anual estável, mas moderado, de 2% em curto prazo, sendo mais lento desde o ano passado, porém, mantendo-se no mesmo nível de crescimento do PIB global.
  • Encontramos sinais de que a elevada incerteza macroeconômica provocada pela política comercial dos EUA pode estar restringindo as ações e pode ser um fator fundamental para a volatilidade dos mercados emergentes este ano. Acreditamos que esse “efeito de incerteza” prolongado é que está freando os ativos de risco, enquanto os conflitos comerciais ainda dominam as manchetes.
  • Seríamos cautelosos com as perspectivas de crescimento global se houvesse um aumento significativo de tarifas e de outras barreiras comerciais ou se a confiança fosse afetada. Por outro lado, qualquer diminuição das tensões comerciais, sobretudo entre os EUA e a China, poderia alavancar os ativos de risco e a moeda de alguns mercados emergentes. No entanto, acreditamos que essas tensões fazem parte de um impasse estratégico mais amplo entre os EUA e a China, impasse esse que deve persistir.

Instantâneo

As tensões comerciais vieram para ficar. A fim de oferecer uma leitura atual do desenvolvimento da dinâmica comercial diante do protecionismo, criamos uma previsão em tempo real do crescimento do comércio. O crescimento do comércio diminuiu em comparação ao ritmo notável de cerca de 5% do ano passado. No entanto, em nossa opinião, não está claro se as tensões comerciais são as principais responsáveis. Nossa previsão em tempo real sugere que o comércio deve crescer em um ritmo anualizado de 2% nos próximos meses, um nível moderado diante da força do crescimento global. Nos últimos meses, os dados relatados ficaram atrás da nossa previsão em tempo real, mas agora mostram recuperação. O crescimento do comércio em um ritmo de 2% até o final de 2018 resultaria em uma taxa de crescimento anual de cerca de 3,5%. Esse ritmo só fica abaixo da previsão de outubro de 2018 do FMI para este ano e o próximo, mas ainda acompanha o crescimento do PIB global e supera os dados recentes sugeridos pelo PMI sobre ordens de exportação.

Gráfico: Comércio e tarifas
Jean Boivin
Global Head of Research, BlackRock Investment Institute
Jean Boivin, PhD, Managing Director, is Global Head of Research for the Blackrock Investment Institute and is a member of the EMEA Executive Committee.   His ...
Head of Economic and Markets Research, BlackRock Investment Institute
Deputy Head of Economic and Markets Research, BlackRock Investment Institute