PERSPECTIVAS DE AÇÕES GLOBAIS

Despesas de capital: o bom, o mau e o duvidoso

02 jul 2018

Empresas do mundo todo apresentam crescimento sólido de ganhos, lideradas pelos EUA. Com mais fluxo de caixa livre para investir, as despesas de capital também estão recuperando força. Exploramos os resultados disso para as ações.

Destaques de ações

  • Historicamente, as despesas de capital comprometem o retorno das ações no curto prazo. Contudo, nem toda despesa de capital é feita da mesma forma. Investimentos em novos projetos podem erigir a fundação para o crescimento futuro. Gastos com manutenção (do tipo “manter as luzes acesas”) geralmente são menos gradativos.
  • As despesas de capital estão sendo retomadas no mundo todo, embora a base de comparação sejam níveis muito deprimidos. Combinado ao fato de que as empresas não devem abandonar a austeridade fiscal, isso sugere que o risco às margens e aos ganhos das empresas será mais limitado em relação aos ciclos anteriores.
  • De olho em tecnologia, construção e produtos industriais. As empresas de tecnologia podem se beneficiar se as empresas consumirem o fluxo de caixa livre para atualizar sistemas e aumentar a produtividade. As mudanças na legislação fiscal podem representar a aceleração de projetos de construção nos EUA.

Instantâneo

A redução da carga tributária dos EUA no início de 2018 deu um novo impulso para as empresas investirem. A medida que aprova o investimento imediato em despesas de capital válidas significa que as empresas dos EUA podem deduzir o investimento no primeiro ano, em vez de depreciá-lo em vários anos. Essa medida começará a ser reduzida gradativamente em 2023 e, com isso, as empresas estão antecipando os investimentos.

As empresas dos EUA não estão incrementando as despesas de capital às custas de outras atividades. Percebemos que o pagamento de dividendos se manteve firme. E nossa análise dos anúncios das empresas mostra que a recompra de ações e as fusões e aquisições, respaldadas pela repatriação de divisas, têm tudo para superar 800 e 900 bilhões de dólares, respectivamente, em 2018. Veja o gráfico Esbanjando gastos. Estes são os níveis mais altos registrados. Os gastos pós-legislação fiscal foram amplos: a nosso ver, despesas de capital e fusões e aquisições devem aumentar em oito setores, e as recompras de ações em seis. Três setores (tecnologia, energia e imóveis) devem superar o ritmo de gastos nas três áreas comparando 2018 a 2017.

A postura prudente e equilibrada das empresas na aplicação do lucro fiscal inesperado, além do crescimento inigualável dos ganhos, respalda nossa preferência por ações dos EUA frente às de outros mercados desenvolvidos.

Consumo de caixa das empresas do S&P 500, 2000-2018
Kate Moore
Chief Equity Strategist
Kate Moore, Managing Director, is Chief Equity Strategist for BlackRock and a member of the BlackRock Investment Institute.