PERSPECTIVAS DE AÇÕES GLOBAIS

Pesquisem antes de comprar ações de empresas de produtos de consumo

14 set 2018

A confiança do consumidor está crescendo nos EUA e na Europa. Boa notícia para ações de empresas de produtos de consumo? Mais ou menos. Investigamos as variáveis que estão perturbando os setores de consumo e apresentando desafios – e oportunidades – para os investidores.

Destaques de ações

  • Vencedores e perdedores. Vemos uma perspectiva mais positiva para as ações de consumo discricionário do que para as de consumo cotidiano. O setor de empresas de produtos de consumo discricionário está entre os de melhor desempenho global neste ano, enquanto o de empresas de produtos de consumo cotidiano está perto da lanterna, mesmo com o bom desempenho mais recente.
  • Uma nova defesa. Produtos básicos de consumo cotidiano não são mais exemplos de crescimento regular, fluxo de caixa robusto e altos dividendos. Os modelos de negócios precisam evoluir em meio à alteração das preferências dos consumidores e à erosão de marcas. Uma defesa neste momento pode vir de fontes menos prováveis, especialmente se o aperto da política monetária continuar conforme o previsto.
  • A chave está com os mercados emergentes. O crescimento populacional e o aumento da classe média em mercados emergentes traduziram-se em uma elevação da demanda por empresas europeias e americanas de produtos de consumo. Contudo, empresas desses mesmos mercados emergentes estão entrando na competição.

Instantâneo

Os consumidores ao redor do mundo estão cada vez mais otimistas com as perspectivas econômicas. O sentimento do consumidor nos Estados Unidos, medido pela Pesquisa de Consumidores da University of Michigan, chegou aos níveis mais elevados desde a crise financeira global entre todas as faixas de renda. Segundo dados da Comissão Europeia, a confiança do consumidor europeu excedeu os níveis anteriores à crise e chegou perto do seu ponto mais alto desde 2000.

A elevação da renda disponível é um fator-chave. O crescimento da renda disponível nos Estados Unidos está em aproximadamente 5% em relação a uma média de 4,4% desde 2000. Na Europa, a renda disponível acima de 3% supera a média pós-2000. O Japão é uma exceção. Consulte o gráfico Bolsos mais cheios abaixo. Na China, o Escritório Nacional de Estatística informa que a renda familiar cresce em ritmo mais acelerado que o PIB em um momento em que o país faz a transição gradual para uma economia voltada ao consumidor.

A confiança crescente na economia e a maior disposição para os gastos, aliadas ao crescimento da renda, abrem grande espaço para o consumo em nível global. Isso se verifica principalmente em mercados emergentes onde uma próspera classe média vem desenvolvendo o apetite – e os meios – para gastar. No entanto, o cenário aparentemente positivo também apresenta novas complexidades para empresas de produtos de consumo, o que altera o conjunto de oportunidades para os investidores.

Crescimento da renda disponível em grandes mercados desenvolvidos, 2000 a 2017
Kate Moore
Chief Equity Strategist
Kate Moore, Managing Director, is Chief Equity Strategist for BlackRock and a member of the BlackRock Investment Institute.