Eleições no Brasil: Bolsonaro vence na
1ª rodada

08 out 2018

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro está indo para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, depois de conquistar uma importante vantagem no primeiro turno.

Principais pontos

  • Jair Bolsonaro, populista de extrema-direita, venceu o primeiro turno e agora enfrentará seu adversário de esquerda em um segundo turno em 28 de outubro
  • A equipe econômica de Bolsonaro é percebida como favorável ao mercado e favorece a redução do tamanho do governo brasileiro
  • Esperamos que os ativos brasileiros se recuperem no curto prazo, embora as perspectivas de longo prazo dependam da capacidade do novo governo de implementar reformas

O candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro conquistou uma liderança decisiva na primeira rodada das eleições presidenciais no Brasil, mas ficou aquém da maioria necessária para evitar um segundo turno. Bolsonaro enfrentará seu adversário de esquerda, Fernando Haddad, no segundo turno, em 28 de outubro, em uma disputa que definirá o rumo da maior economia da América Latina. Vemos o forte desempenho  de Bolsonaro no primeiro turno, aumentando a volatilidade dos ativos brasileiros no curto prazo, considerando que sua equipe econômica seja bem vista pelo mercado.

A economia brasileira permanece em estado frágil apesar de se recuperar da recessão de 2015-2016. Os ativos de risco brasileiros apresentaram boa performace na semana passada, à medida que as perspectivas de Bolsonaro melhoraram nas pesquisas. Ele foi uma figura política decisiva durante grande parte da campanha, a equipe econômica de Bolsonaro parece comprometida em construir a agenda de reformas em vigor nos últimos dois anos. Estas reformas foram vistas como apoiando uma recuperação econômica gradual. No entanto, se, como alguns temem, Bolsonaro agir de maneira prejudicial as instituições, isso poderia representar riscos de longo prazo para o crescimento do Brasil.

Bolsonaro prometeu enfrentar o problema da dívida do Brasil com a reforma da previdência, reduzindo pela metade o número de ministérios do governo e ampliando a privatização de empresas estatais. Bolsonaro precisaria de apoio do Congresso para lidar com essa agenda. Ganhar tal apoio não será uma tarefa fácil, considerando os 35 partidos no sistema político brasileiro, mas o partido de Bolsonaro teve uma exibição mais forte do que o esperado no domingo, tornando-se o segunda maior partido na câmara.

Uma vitória de Haddad - que representa o Partido dos Trabalhadores (PT) - Poderia provocar no mercado o receio de que ele fosse mais hesitante em insistir no processo de consolidação fiscal iniciado pelo último governo. As propostas de Haddad incluem o controle de capital para estabilizar a moeda e um retrocesso das reformas, incluindo as privatizações. No entanto, o candidato tem adotado recentemente um tom mais ameno, tornando-o um mistério desconhecido para os investidores.

A economia brasileira está tendo algum progresso, mas a conduta do novo presidente para com a reforma da previdência e os gastos públicos será crucial para determinar o potencial de crescimento do país. O crescente endividamento, impulsionado por obrigações massivas de seguridade social, é o principal desafio. Nós vemos um amplo apoio à reforma da previdência. O presidente da Câmara dos Deputados disse recentemente que levará para votação uma proposta de reforma da previdência se o novo presidente eleito apoiá-la publicamente. Um foco importante para os investidores será o valor presente líquido da economia fiscal com os futuros cortes nos benefícios.

Bolsonaro representa o Partido Social Liberal de direita e tem sido visto como o favorito para a eleição. O populista e ex-capitão do exército tem aproveitado o descontentamento generalizado com o status quo, mas enfrenta altos índices de rejeição por suas opiniões frequentemente polêmicas. O político mais popular nesta eleição, Luiz Inácio Lula da Silva, continua atrás das grades por acusações de corrupção. Fernando Haddad, do PT, era antes candidato a vice-presidente na chapa de Lula e agora é seu substituto.

Conclusão: Vemos os ativos de risco brasileiros se recuperando no curto prazo, com o mercado precificando uma vitória de Bolsonaro no segundo turno, o que provavelmente seria visto como um mandato para avançar com as reformas econômicas. Perspectivas de longo prazo dependerão do progresso do novo governo em lidar com a dívida do Brasil.. A conclusão das eleições brasileiras marcará o fim de uma série de disputas políticas na América Latina. Continuamos observando o risco e consideramos as nuvens políticas dos mercados emergentes como respaldo para o caso de longo prazo nesses mercados.

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