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Uma estrutura para investimentos internacionais

Christopher Dhanraj |20 mar 2019

Pontos principais

  • Os investidores devem considerar investimentos internacionais para obter possíveis ganhos de diversificação, acesso ao crescimento e retornos em potencial.
  • Os investidores devem estar cientes dos riscos dos países ao investir internacionalmente. Uma maneira de gerenciar esses riscos e buscar possíveis ganhos é uma abordagem de núcleo e satélites, com uma exposição ampla (núcleo) e exposições mais adaptadas aos países (satélites).
  • Os países podem ser utilizados para gerir exposições centrais estratégicas, mitigar o risco cambial, implementar temas macro ou gerir riscos políticos.
  • Os fundos neciados em bolsa (ETFs) de um país podem ser utilizados para implementar essas estratégias de forma precisa, com baixo custo e eficiência.

Por que investir internacionalmente?

Muitas vezes, os investidores preferem manter seus investimentos em seu país. Eles normalmente focam em ações domésticas em seus portfólios de ações e limitam ações internacionais, um fenômeno conhecido como “viés nacionalista”. No entanto, investimentos internacionais oferecem dois grandes benefícios:

Diversificação. Historicamente, as ações americanas e internacionais passam por períodos em que uma região supera as outras. A combinação de ativos que não seguem em sintonia pode levar a uma redução de volatilidade, ou seja, do risco, no portfólio em longo prazo.

Ações americanas e internacionais passam por ciclos com desempenhos distintos

Gráfico Ações americanas e internacionais passam por ciclos com desempenhos distintos.

Fonte: Thomson Reuters, com base na data de 31 de dezembro de 2018. As ações dos EUA são representadas pelo S&P 500 TR; ações internacionais de países desenvolvidos são representadas pelo MSCI EAFE + Canada Index (bruto); ações de mercados emergentes são representadas pelo MSCI Emerging Markets Index (bruto). O desempenho do índice tem fins apenas ilustrativos. O desempenho do índice não reflete taxas de gestão, despesas ou custos de transação. Os índices não são gerenciados e não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho anterior não garante resultados futuros.

Acesso ao crescimento. Economias internacionais, tanto de países desenvolvidos quanto de emergentes, podem ter um crescimento mais rápido do que a dos Estados Unidos. Por exemplo, nos mercados emergentes, uma classe média crescente e uma infraestrutura em desenvolvimento podem ajudar a gerar riqueza e empresas dinâmicas com potencial de crescimento significativo. Além disso, os países desenvolvidos já abrigam muitas empresas de nível mundial.

Neste contexto, os investidores têm uma série de opções para investir internacionalmente. Uma delas é uma exposição ampla e indexada a regiões fora dos EUA. Essa pode ser a opção apropriada para muitos investidores, mas ela também apresenta desvantagens, sobretudo uma grande alocação em alguns grandes países, o que pode aumentar o risco.

Tenha em mente que quase 50% de um portfólio de ações global ponderado por capitalização de mercado estão concentrados em apenas um grupo limitado de países que não incluem os EUA.1 Em outras palavras, os investidores em índices amplos já decidiram em que países fazer suas alocações, mesmo que inconscientemente.

A seguir, são discutidas formas de mitigar esse risco ou o potencial de aumentar os retornos investindo em países como parte de uma estratégia de núcleo e satélites, que pode ser implementada usando ETFs.

Investimentos em países na prática: núcleo e satélites

Muitos investidores equilibram as exposições regionais e nacionais em uma estrutura de núcleo e satélites. Isso ancora os resultados do portfólio nos objetivos de longo prazo, com uma exposição ampla (núcleo) possibilitando a flexibilidade para se ajustar às condições atuais de mercado com investimento em países (satélites), assim como muitos investidores fazem com setores. Cada porção pode ser adaptada de várias maneiras:

Gestão de exposições estratégicas de núcleo. Como observado, uma alocação fora do Brasil em um benchmark amplo normalmente tem uma forte concentração em poucos países, como Japão, Reino Unido e China. Alterações de alocações nesses países, normalmente por conta de projeções de ocorrências macroeconômicas, mudanças de regime ou outras tendências, podem ter um impacto significativo no risco e no retorno.

Por exemplo, é possível separar uma alocação ampla em mercados desenvolvidos fora dos EUA entre Europa e Japão com o objetivo de expressar diferentes pontos de vista sobre moedas ou dividir as exposições da zona do euro e do Reino Unido. A natureza lenta e estrutural de uma alocação de núcleo sugere que mudanças em alocações devem refletir somente desdobramentos macroeconômicos significativos e/ou de longo prazo.

Choques estruturais podem aumentar as oportunidades em países específicos

Gráfico Choques estruturais podem aumentar as oportunidades em países específicos.
Gráfico Choques estruturais podem aumentar as oportunidades em países específicos.

Fonte: Thomson Reuters, na data de 1º de fevereiro de 2019. Desempenho do índice medido em dólares americanos e com base alterada para 100. O desempenho do índice tem fins apenas ilustrativos. O desempenho do índice não reflete taxas de gestão, despesas ou custos de transação. Os índices não são gerenciados e não é possível investir diretamente em um índice. O desempenho anterior não garante resultados futuros.

Gestão de exposições cambiais. O risco cambial em investimentos internacionais pode ser significativo. Para os investidores dos EUA, a força ou a fraqueza de uma moeda em relação ao dólar pode ampliar ou reduzir os retornos desse país. Os produtos com hedging cambial podem mitigar esse risco, mas os investidores devem ser cautelosos, porque a exposição cambial tem o potencial de adicionar propriedades de diversificação a um portfólio em alguns casos.

Implementação de temas macro. Com uma abordagem de núcleo e satélites, visões macroeconômicas táticas ou de valor relativo são normalmente expressas na alocação em satélites. Isso pode incluir ciclos de commodities, ciclos do dólar americano e dinâmicas de crescimento regional. Por isso, é fundamental entender como eles afetam os países individualmente.

No que diz respeito às commodities, por exemplo, uma inclinação para países produtores pode aumentar os rendimentos quando os preços desses produtos estão altos (ou vice-versa). A figura abaixo mostra o retorno excedente em relação ao MSCI All Country World Index gerado pela implementação de uma inclinação em direção a seis países produtores de commodities com exposição econômica e estatisticamente significativa aos preços das commodities. Perceba que essa inclinação segue bem de perto os preços das commodities, e o retorno excedente de um país é geralmente mais elevado do que a própria exposição subjacente às commodities.

Demonstração de pontos de vista sobre commodities entre países

Gráfico Demonstração de pontos de vista sobre commodities entre países.

Fonte: BlackRock, Thomson Reuters. Em dezembro de 2018. O gráfico mostra o S&P GSCI Total Return Index, o S&P GSCI Spot Index e o retorno excedente médio de seis países produtores de commodities em relação ao MSCI All Country World Index (ACWI) em dólar americano. Os seis países produtores de commodities são Austrália, Brasil, Canadá, Noruega, Peru e Rússia. Eles são medidos usando seus respectivos índices de país do MSCI. O desempenho passado não é indicação de resultados futuros. Não é possível investir diretamente em um índice.

Gestão do risco de acontecimentos políticos. As ocorrências geopolíticas são outra área na qual os investidores podem gerenciar riscos ou explorar possíveis oportunidades em países específicos. Por exemplo, as eleições são frequentemente um ponto central para os investidores em mercados emergentes, uma vez que as oscilações políticas, as reformas econômicas e a mudança no sentimento têm importância maior do que em mercados desenvolvidos. Existe naturalmente muita incerteza antes das eleições. Esses padrões apresentam riscos, mas também oportunidades por meio de inclinações táticas, cobertura à exposição cambial ou alguma combinação decorrente.

Conclusão

A gestão de exposições a países e moedas é fundamental para os investimentos internacionais. Desde melhorar a diversificação até implementar visões táticas, a gestão de exposições a países pode ser um instrumento eficaz para gerir risco e retorno.

Nessa questão, os ETFs podem ser uma ferramenta poderosa. A exposição com precisão oferecida pelos ETFs nacionais oferece enorme flexibilidade por meio da amplitude de aplicações e do nível de sofisticação.