4 Estratégias para investir em mercados emergentes

Christopher Dhanraj |08 nov 2019

Chris explora como gerenciar sua alocação em mercados emergentes - uma classe de ativos sem muita preferência, mas ainda atraente.

Os mercados emergentes eram a preferência dos investidores até o começo de 2019, mas agora se encontram novamente abandonados, após setembro. Esta classe de ativos sofreu com a barragem de tweets, tarifas e incerteza: O Índice de mercados emergentes da MSCI [Morgan Stanley Capital International] está 19% abaixo de sua máxima de janeiro de 2018, enquanto o S&P 500 subiu 5% no mesmo período.1 Fluxos de fundos negociados em bolsa (ETF) seguiram o mesmo caminho, com saques de quase US$ 10 bilhões de fundos de capital em mercados emergentes somente em agosto, praticamente zerando os fluxos acumulados no ano.2

Mas isso não quer dizer que só porque os mercados emergentes estão caindo, eles estão fora. De fato, sinais de resiliência estão aparecendo nos fluxos, que recentemente saíram do lado perdedor: Durante a semana do dia 16, ETFs de ações em mercados emergentes receberam US$ 700 milhões, principalmente os fundos específicos a países que acompanham a China.

Caindo, mas não descartados
Fluxos globais para ETP específicos de países, acompanhando 1 ano como % dos ativos sob gestão

Fluxos globais para ETP específicos de países, acompanhando 1 ano como % dos ativos sob gestão

Fonte: BlackRock, Markit, 5 de setembro de 2019.

Por isso, ainda é importante considerar certa exposição a mercados emergentes, que oferecem acesso a regiões do mundo em expansão, com aumento da classe média e possível diversificação e crescimento. Além disso, os mercados emergentes ainda estão relativamente baratos.3

A seguir, quatro sugestões para investir em mercados emergentes, além da tradicional implementação regional.

1. Considere estratégias de volatilidade mínima.

Os investidores preocupados com a volatilidade podem considerar fundos com volatilidade mínima, o que pode suavizar as oscilações de investir em mercados emergentes. Considere o exemplo do recente declínio: O índice de volatilidade MSCI Emerging Market Minimum Volatility Index caiu 10% desde janeiro de 2018, um desempenho bem superior à queda de 19% do índice MSCI EM.4

2. Ajuste seu portfólio em mercados emergentes conforme países ou regiões.

O panorama de mercados emergentes está mudando: Arábia Saudita, Argentina e as ações classe A de empresas chineses entraram no índice, mas de forma contraintuitiva, o índice está mais concentrado, apesar dos novos membros. Em apenas cinco anos, o peso da China no índice MSCI Emerging Markets Index subiu de quase 20% a 33%, e espera-se que suba acima de 40% com a inclusão total das ações de classe A das empresas chinesas (fonte: MSCI, agosto de 2019).

Os investidores estão se dando conta da participação de 33% da referência para mercados emergentes.5 Com o aumento do risco da China, impulsionado pelas tensões entre o país e os EUA, e menores expectativas de lucro, o índice MSCI China perdeu quase 25% desde seu pico, arrastando todo o índice de mercados emergentes consigo. É possível que, à medida que o peso da China aumente sobre o índice, vejamos um tratamento para mercados emergentes sem a China, em comparação ao tratamento dos países desenvolvidos sem os EUA ou da Ásia sem o Japão.

Uma possível solução? Considere separar a China como alocação independente, através de uma estratégia para mercados emergentes que não inclua a China. Em termos gerais, os investidores podem considerar uma abordagem voltada a um país em seus portfólios internacionais, como eu discuti com mais detalhes em fevereiro. Exposições concentradas a risco, baixas correlações entre mercados emergentes e dispersão de altos retornos sugeriam que os mercados emergentes eram adequados para tal abordagem.

Panorama de mercados emergentes em transformacao
A China aumentou sua participacao em % no índice MSCI EM

A China aumentou sua participacao em % no índice MSCI EM

Fonte: BlackRock e MSCI, 5 de setembro de 2019. Alocações sujeitas a alterações. O desempenho do índice tem fins apenas ilustrativos. O desempenho do índice não reflete taxas de gestão, despesas ou custos de transação. Os índices não são gerenciados e não e possível investor direitamente em um índice. O desempenho anterior não garante resultados futuros.

3. Considere uma ampla exposição, mas gerencie o risco de eventos políticos.

Os investidores podem considerar uma abordagem diferenciada para trading tático e estratégico, usando amplas exposições a mercados emergentes, realizando trades táticos próximos às reuniões do banco central dos EUA ou de eventos geopolíticos. Quando possível, considere ETFs de mercados emergentes com hedge por moedas para jogar com visões de equity puro, como no México.

4. Considere a dívida dos mercados emergentes como possível complemento a um portfólio de equity em mercados emergentes.

A dívida dos mercados emergentes parece atrativa, com rendimento atual de 4,4%6, e oferece exposição geográfica suplementar a índices de equity em mercados emergentes concentrados na Ásia. Até o momento, em 2019, mais de trinta bancos centrais reduziram suas taxas de juros, com os bancos centrais dos EUA e da Europa sinalizando que novos cortes poderão ser necessários.7 Em um ambiente global de queda dos juros, os investidores poderão se aproveitar da dívida dos mercados emergentes como alternativa de rendimento.

Independentemente de os mercados emergentes voltarem à preferência nesta semana ou no ano que vem, acreditamos que a maioria dos investidores deve considerar alguma alocação a longo prazo nesta importante classe de ativos. E os ETFs podem oferecer a flexibilidade para implementar tal alocação, por meio de diversas aplicações.

Christopher Dhanraj
Chris Dhanraj é chefe da equipe de estratégia de investimentos da iShares.