BlackRock Retirement Institute

Mudar a cultura da aposentadoria

04 set 2017
por Anders Olauson

Para transformar o desafio do envelhecimento da sociedade na Europa numa oportunidade econômica, devemos mudar a nossa cultura em relação à aposentadoria e reformular o nosso conceito de envelhecimento. Hoje em dia, as pessoas com idades a partir dos 65 anos compreendem que desfrutam de melhor saúde e de mais longevidade do que as gerações anteriores, pelo que esperam viver os seus últimos anos de forma diferente dessas gerações. No entanto, o resto da sociedade ainda não assimilou esta nova realidade. Em 2014, apenas 18,5% das pessoas com mais de 65 anos na UE (União Europeia) estavam integradas na força de trabalho. Esta baixa proporção de trabalhadores com mais de 65 anos não só é economicamente insustentável, como também é inconsistente com as expectativas atuais dos trabalhadores. Em uma pesquisa global realizada em 2014, apenas 32% dos trabalhadores indicaram que planejavam parar de trabalhar completamente ao alcançar a idade da aposentadoria. Para apoiar vidas laborais mais longas, precisamos alterar a forma como pensamos na aposentadoria e abandonar a nossa noção de uma idade de aposentadoria definida. Não podemos continuar pensando nos anos mais avançados da vida como sendo inativos – ao invés disso, precisamos fomentar uma cultura que promova o envelhecimento saudável, crie políticas de emprego mais inclusivas e incentive a participação social e intelectual ao longo de toda a vida. Os governos podem ajudar a alterar a mentalidade em relação à reforma, mediante a modernização das políticas públicas para refletir a demografia do século XXI, mas os empregadores terão a influência mais determinante, ao adotar políticas para atrair e manter trabalhadores mais velhos e ao dar prioridade à saúde e ao bem-estar dos trabalhadores.

Próximos passos fundamentais:

  • Os governos devem alterar a idade legal de aposentadoria para refletir as novas realidades demográficas e criar outros incentivos econômicos que tornem a aposentadoria antecipada menos atraente.
  • Os empregadores devem adotar estratégias inclusivas de contratação e recrutamento, para impedir a discriminação com base na idade e para assegurar que atraem talentos de todas as faixas etárias.
  • Os problemas de saúde são frequentemente o principal motivo que leva os trabalhadores a sairem do mercado de trabalho antes do previsto. Para manter os trabalhadores em funções durante mais tempo, os empregadores devem dar prioridade à saúde e ao bem-estar dos colaboradores. Além de fornecer acesso a cuidados de saúde de alta qualidade, os empregadores podem também promover a saúde através de iniciativas não tradicionais, tais como fornecer opções alimentares saudáveis nos refeitórios, check-ups de saúde gratuitos, inscrição em acadêmias subsidiada ou aulas de exercício físico nas instalações da empresa.
  • Às pessoas que tiverem sido diagnosticadas com uma doença crónica devem ser oferecidos programas adotados em função desse diagnóstico, para lhes prestar apoio na sua vida cotidiana.
  • Os empregadores devem melhorar a manutenção do pessoal, especialmente entre os trabalhadores mais velhos, ao fornecer opções de trabalho flexível e aposentadoria gradual. A flexibilidade permitirá que mais trabalhadores cumpram a sua expectativa em termos de carreira, de continuar trabalhando a título profissional após os 65 anos.
  • Os empregadores devem investir em programas de formação concebidos para colaboradores de todos os níveis, para ajudar os trabalhadores a manter a suas competências atualizadas ao longo da sua carreira.
Anders Olauson

Sobre o autor

Anders Olauson
Presidente, European Patients’ Forum (Fórum Europeu dos Doentes)

Anders Olauson esteve envolvido na fundação do Agrenska Centre (Centro Agrenska) em 1989. Exerceu funções como administrador até 2004, sendo presidente desde essa data. É responsável pela criação da The Agrenska Virtual International Academy (Academia Internacional Virtual Agrenska), um centro de investigação de doenças raras.

Em 2003, foi inaugurada a Eesti Agrenska Foundation e Anders desempenha as funções de Presidente do Conselho de Administração desde essa data.

Anders preocupa-se especialmente com o impacto das doenças raras nas crianças e nas suas famílias. O seu trabalho inclui o contacto com órgãos legislativos nacionais e regionais em relação à temática das doenças raras. Também contacta com representantes de hospitais, sindicatos ligados ao setor educativo e sindicatos em geral, bem como outros intervenientes importantes no domínio das doenças raras.